O Dia

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-Eu...eu quero abortar-disse, insegura.

-Ótimo, para quando agendamos?-perguntou o meu pai.

-Pode ser dia 23 de novembro, acho que é boa altura, deixe-me só ver a agenda...sim, está marcado! Pode ser às 15 e 30?-disse o médico.

-Perfeito, cá estaremos.

Deixei o consultório um pouco deprimida, afinal de contas o bebé não tinha culpa de nada, estava na minha barriga a desenvolver-se por culpa do Gonçalo! Bem, a culpa talvez tenha sido um pouco minha porque aceitei beber as cervejas. Argh! Mas o que está feito, está feito. Dali a duas semanas iria realizar o aborto.

Na 2ª feira quando cheguei à escola fui falar com a Bianca.

-Olá Bianca, olá Afonso, Bianca podemos falar?

-Oi. Claro. O que se passa?

-Bianca-eu puxei-a um pouco para o Afonso não ouvir-eu decidi abortar.

-Oh asério? Kuando?

-Dia 23 de novembro.

-Ok, queres que vá contigo?

-Sim, obrigada! Prefiro assim-agradeci.

-Então fica combinado. Olha tocou. Vamos para a aula.

Fomos para a aula. O André não estava. Achei estranho, ele não falta, nem quando está constipado.

No fim do dia liguei-lhe, mas como ninguém atendeu fui a casa dele.

*Campainha Toca*

-Olá, o André está?-perguntei.

Uma senhora com cabelo preto e deprimida abriu a porta.

-O André está no hospital.

-Hospital?-repeti.

-Sim menina, ele sentiu-se mal ontem e desmaiou. Chamámos uma ambulância e levaram-no. Fizeram análises e pensam que ele está com uma doença perigosa-respondeu a senhora triste-eu sou a mãe dele, e a menina?

-Sou amiga da escola, conhecemo-nos desde o 3º ano, lembra-se? Sou a Catarina Neves.

-Ah, sim.

-Mas que doença?

-Uma doença mortal, só sei isso.

Os meus olhos arregalaram-se. Mortal? O André pode morrer? Mas porquê? É tudo o que quero saber!

-Eu quero vê-lo!

-Ele não deve ter visitas.

-Preciso de vê-lo!

Despedi-me antes da senhora acabar e apanhei o autocarro para o hospital(como ali só há um hospital supus que fosse naquele).

Mandei uma mensagem ao meu pai a informar-lhe de que ia ao hospital.

Cheguei lá e perguntei pelo André, dei o nome todo e indicaram-me o quarto avisando-me de que não podia entrar.

Segui até lá e fiquei a olhar pela janela. Ele estava acorado e achei que podia entrar. Olhei em volta para ver se não estava ninguém a ver e entrei.

-André?-perguntei.

-Hãn? Catarina? És tu?-perguntou ele.

-Sim sou eu. Estás bem? A tua mãe disse-me que estava com uma doença mortal! Isso não tem cura?

-É...posso morrer dentro de 1 mês se não curar isto.

-André...-disse começando a chorar. Abraçei-o com força e depois olhei-o nos olhos-não te quero perder-disse quase num sussurro e depois beijei-o. Adorava-o tanto, e ele sabia disso agora.

-Estou mesmo preocupada, tenho de te contar uma coisa.

-O que foi?-perguntou ele.

-Estou grávida do Gonçalo-dito isto baixei a cabeça e tornei a chorar.

-Não fiques assim. As coisas resolvem-se, promete-me que não ficas deprimida e que não fazes nada de parvo, percebes?

-Prometo.

-Ah, e mais uma coisa. Caso...tu sabes...eu não sobreviva...

-Não quero penssar nisso!

-Ok, mas toma.

Ele deu-me uma caixinha. Abri. Tinha um anel dentro.

-Porque me deste isto?-perguntei.

-Agora que deixaste o Gonçalo eu queria...saber...se tu...por acaso...queres...aaaa...nam...-interrompi-o com um beijo. Óbvio que ia aceitar. Ele era meu amigo e estava muito chegado a mim. Apoiou-me quando mais precisei. Sim, tinha todo o gosto em namorar com ele. Não quero ficar mal vista. Acabei com o Gonçalo há pouco tempo, mas o André tem-me apoiado muito mesmo, e acho que é bom ter alguém em quem ele confie agora quando mais precisa.

-Tenho de me ir embora. Não posso estar aqui dentro-disse, um pouco triste por ter de o deixar.

-Não faz mal-disse ele-adeus.

Beijámo-nos mais uma vez e depois saí. Porque é que ele tinha de estar assim?Porquê?

Quando estava a fechar a porta sinto movimento atrás de mim e congelo.

-O que estavas a fazer?-pergunta alguém.

-Estava a ver se a porta estava trancada para ninguém entrar-respondi sem me virar.

-Mas não podes fazer isso, o André não pode ter visitas-disse novamente a pessoa.

-Eu não ia entrar, estava a verificar a porta-respondi.

A pessoa virou-me pelo ombro e fitou-me nos olhos:

-Não voltes aqui sem o papel das visitas percebeste?

Anui assustada. Era um homem alto e com uma expressão aterradora como se quisesse matar alguém.

Saí do hospital. Cheguei a casa por volta das 20. O meu pai estava a jantar com a Clarice e pareciam estar a divertir-se.

-Boa noite-saudei.

-Boa noite querida-respondeu a Clarice.

-Olá Catarina. Então o que foste fazer ao hospital?-perguntou o meu pai.

-Ver um amigo.

-Amigo? Mais rapazes?-disse ele franzindo o sobrolho.

-Pai, o André apoiou-me e defendeu-me, vais gostar dele, se o chegares a conhecer....

-Então?

-Ele tem meningite...

-Ele pode morrer!-disse o meu pai.

-Eu sei, por isso é que preciso de estar com ele.

-Mas, tens a escola. Só o vês aos fins de semana.

-Não! Tenho de ir lá mais vezes!

-Catarina, não e acabou!

-Pai, ele precisa de mim uma vez por semana e ao fim de semana!

-Mas só uma vez, não te quero lá todos os dias.

-Sim.

Continuámos a jantar e fomos dormir. Quando acordei recebi uma mensagem da Bianca a dizer que não ia haver aulas porque a escola tinha ficado sem água. Yes! Dia sem aulas! Vou poder visitar o André hoje! Quando me preparava para sair...

Oláááá! Espero que estejam a gostar. Peço desculpa ter ficado muito tempo sem atualizar mas com a escola torna-se mais difícil. Não se esqueçam, deem a vossa opinião nos comentários e votem por favor! Bjs!

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