(Lauren)
O dia mal havia amanhecido lá fora e eu me encontrava enfiada naquele escritório esperando pelo monólogo sem fim de Dumbledore sobre minha educação, meu potencial e fingindo se importar com a minha vida. Amaldiçoei o mundo todo quando recebi o pergaminho de uma coruja quando voltava de Hogsmeade bêbada de uma noite que eu desejava esquecer. Ele sabia sobre as festas, Dumbledore sempre soube e, apesar de tudo, nunca se posicionou contra ou disse a mais alguém, e se o disse, essa pessoa se omitiu assim como ele. Um fato ainda mais estranho é o velho sempre me chamar ao menos 5 vezes durante o ano letivo simplesmente para conversar, saber se eu estava bem ou se tenho perdido o controle facilmente. São perguntas sem sentido que ele não faz para outros a não ser Potter; sei disso, pois o garoto sempre entra na sala assim que estou saindo como se tivéssemos hora marcada com o diretor. Eu espero arduamente que não tenha a ver com a ligação de nossas varinhas e que Dumbledore não resolva simplesmente nos unir como uma equipe ou algo assim, minha resposta seria a mesma que a dos comensais: Não.
Relaxei meu corpo na cadeira deixando meus braços caídos e meus olhos perdidos na Fênix solitária no poleiro logo atrás da mesa. Dumbledore pigarreou alto chamando minha atenção, mas eu não desviei meu olhar da ave que me parecia tão mais interessante.
— Você não me disse como foi seu primeiro dia, Lauren. — ele disse calmamente, os olhos azuis e serenos me observando por baixo dos óculos de meia lua enquanto cruzava as mãos em cima da mesa.
Apesar de não acreditar em sua preocupação, eu mantinha uma certa afeição pelo velho. Pelo menos ele se importava em dedicar alguns minutos de seus afazeres por mim, algo que ninguém mais o faria, não desde a morte dos meus pais. Algo que eu tenho em comum com Potter, talvez Dumbledore seja fascinado por jovens que perderam os pais assassinados brutalmente, quem sabe.
— Não tenho o que reclamar, passei o dia todo trancada no dormitório desfazendo minhas malas. — dei de ombros.
— Vejo que desistiu de Estudo sobre os trouxas este ano, como pretende se infiltrar entre eles se não estuda-los?
Ele sabia sobre minha pequena obsessão com o mundo trouxa e minha meta de viver entre eles longe de toda essa merda que vem acontecendo no mundo bruxo.
— Essa aula é entediante, apenas isso. — revirei os olhos. – Eu não preciso saber sobre os escritores mais famosos ou a política deles. Eu quero saber sobre a cultura, as diferentes culturas, a música, algo que faça sentido.
Dumbledore sorriu amavelmente, eu juro que odiava esse lado bonzinho o tempo todo dele. As pessoas sempre tem um lado sombrio, mas esse cara jamais demonstrava o seu, estava sempre de bom humor e sendo paciente até mesmo quando eu extrapolava os limites.
Voltei a olhar para a Fênix que mantinha o olhar fixo em mim, como um pássaro pode parecer tão triste assim?
— Ela pode renascer das cinzas, sabe? — disse Dumbledore e eu nem precisei perguntar pra saber que se referia ao pássaro. — Fawkes está velha e cansada, em breve estará em chamas.
— Assim como muitas pessoas. — murmurei.
— Assim como você.
Encarei Dumbledore desgostosa com sua observação.
- Estou muito melhor, obrigada. — fechei a expressão, levantando-me da cadeira com desprezo e caminhando até o vitral.
O dia já estava amanhecendo, o que significa que eu precisava voltar logo para o dormitório e me arrumar para as aulas.
— Ambos sabemos que assim como a Fênix, você terá a sua chance de renascer, Lauren. Não precisa conviver com essa amargura a vida toda, a morte de Michael e Clara não foi sua culpa, assim como a possível guerra e muito menos a escolha da varinha.
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Another side of war
FanfictionUm novo ano em Hogwarts se inicia, e com ele a batalha se aproxima. Será possível encontrar amor entre a guerra?
