Julgamento

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Foi possível ouvir todo o tribunal prender a respiração diante a apresentação da jovem garota. Nunca na história do Ministério tiveram um Comensal da Morte como testemunha, nem mesmo dentre aquelas paredes se não fosse para ser julgado. Comensais não podem ser presos por tatuarem o braço, segundo a lei bruxa, deve-se ter registrado no mínimo uma morte para ser levado a julgamento e obviamente sentenciado a morte. Lauren não estava sendo presa por apenas ter uma tatuagem, Fudge estava usando seus medos contra uma garota que representava grande perigo à sociedade que ele comandava; Lauren tinha o poder de mudar a guerra e não seria nada bom se ela escolhesse o das trevas.

Lauren deixou o corpo escorregar na jaula pela exaustão e acabou sentada, sua atenção presa na figura à sua frente que mantinha os olhos presos em Fudge.

— Podemos prosseguir? — Dumbledore quebrou o silêncio que se instalara com a apresentação de Allyson.

Fudge acordou para a realidade olhando de um lado para outro como se buscando alguma saída, o desespero em seus olhos era evidente. Um dos secretários do Ministro o cutucou no ombro e lhe estendeu uma folha, provavelmente a ficha de Allyson provando que a garota não tinha mortes registradas.

— Muito bem! — engoliu em seco, sem ao menos oferecer um lugar para a testemunha. — E por que eu deveria acreditar em uma Comensal da Morte?

— Talvez porque eu esteja testemunhando contra os meus? — rebateu Allyson indiferente.

— E por que a senhorita faria isso? — Fudge estreitou os olhos, determinado a encontrar alguma falha no testemunho de Allyson que pudesse incrimina-la também..

A verdade é que o primeiro Ministro temia aquelas pessoas acima de qualquer coisa, convicto de que Voldemort estava morto, os Comensais representavam em seu lugar o perigo para a sociedade e para o Ministério.

Allyson cruzou os braços.

— Não é da sua conta.

— Cuidado! — alertou Fudge, apontando o dedo para a garota. – Você pode não seguir as leis, mas eu ainda sou a autoridade máxima aqui dentro, Srta. Brooke, então a menos que me dê um bom motivo para estar aqui, eu devo pedir para que a senhorita retire-se imediatamente.

A Comensal franziu o cenho ironicamente, ela pouco se importava com o velhote sentado na cadeira de Ministro, na verdade ela não se importava nem mesmo com Lauren.

Dumbledore olhou atento para Allyson, esperava uma reação negativa da garota, esperava que ela saísse por aquela porta recusando-se a falar qualquer coisa sobre suas motivações de estar ali, mas ela ficou.

— Quando eu tinha 14 anos, ameaçaram a minha família. — começou a contar, sem nunca desviar os olhos de Fudge. — Eles estavam recrutando pessoas para se juntarem aos seguidores do Lorde das Trevas e queriam meu pai, mas ele estava doente e minha mãe precisava trabalhar dobrado para sustentar os remédios do meu pai e da minha irmã,  Alicia, uma bruxa abortada.* — O olhar de Dumbledore caiu. Allyson não parecia abalada com o que estava contando, ela era fria e impassível. — Eu pedi para que me levassem em em lugar. Fui treinada por 2 anos e ganhei a tatuagem quando tinha 16. 3 anos depois, recebi uma carta comunicando a morte de minha irmã; ela foi eliminada por não ser um modelo para o mundo bruxo que o legado de Voldemort estava construindo. Ela foi arrancada dos braços dos meus pais, foi obrigada a caminhar no trilho de trem abandonado e morta pelas costas com um Avada Kedavra. — Allyson apertou os punhos, seu olhar era duro, com ódio pintado em suas pupilas. — Alicia tinha 11 anos, e foi morta por pessoas como eu.

Talvez ela tenha seus motivos e dos grandes. Nem mesmo Fudge poderá contestar as palavras de Allyson, um Comensal não se vira contra os seus sem motivos maiores e os da garota eram mais que o suficiente. Era a lei, ela não era fichada, tinha visto o acontecido e estava disposta a cooperar, não havia mais nada a ser feito.

Another side of warHistórias para pegar e não largar. Descubra agora