Eu não consegui sequer pregar o olho, passei a madrugada toda bolando de um lado para outro na cama.
Estava cansada de tentar resolver a somatória de Héctor + Héctor x Héctor - Héctor = Héctor ao quadrado.
Na minha cabeça passava toda hora um curta metragem de nós desde de quando entramos em uma situação de convívio diário. E a perguntava que me tirava o sono.
Se naquele sorteio não tivesse saído o nome dele será que eu estaria nessa situação?
Liss não cansa de dizer que quando as coisas tem que acontecer sempre vão acontecer, independente do tempo ou situação.
Bem, eu não acredito muito nisso.
Virei para olhar a hora e o relógio marcava 6:07 am. Talvez me fizesse bem um pouco de ar puro logo pela manhã, antes da escola é claro, até porque hoje era segunda-feira.
Calçei minhas pantufas e peguei um casaco qualquer pra vestir por cima da minha camisola.
Abri a porta e desci sem fazer barulho, mas quando cheguei na cozinha encontrei minha mãe sentada na cabeceira da mesa com uma xícara em mãos.
- Insônia? - Ela perguntou.
Eu sentei na cadeira ao seu lado.
- É... Mas já são 6:15!
- Você não costuma tá de pé uma hora dessas Nic.
- Não mesmo.- deitei a cabeça sobre os braços no tampo da mesa.
Acho que se eu contasse a minha mãe o que estava acontecendo eu me sentiria melhor. Ela nunca foi participativa na minha vida amorosa - mesmo quase inexistentes - por pura culpa minha, eu me privava de viver um romance ou algo do gênero. Me isolava no meu casulo e só conversava com ela coisas corriqueiras do nosso dia a dia. Já Enzo a fazia de confidente e se agarrava a todos os conselhos que ela lhe dava. Eu sempre tive dificuldade de entender a mim mesma, como minha mãe iria entender?
"Simples, as mães não precisam que você se entenda." Era o que Enzo sempre me dizia quando nossas conversas envolviam minha / nossa mãe.
Ela me olhou seria e afagou meus cabelos.
- Quer conversar querida?
Não sei porquê, não sei se por motivo ou necessidade, mas eu comecei a chorar. A chorar que nem uma criança perdida em um supermercado enorme que não sabe por qual corredor seguir para achar sua mãe.
A muitos anos que ela não perguntava se eu queria conversar, não pelo motivo dela ser uma mãe negligente ou que não se importasse comigo. Mas sim por eu nunca permitir que ela se aprofundasse nas entranhas do meu coração.
Eu enterrei o rosto em seu pescoço quando levantei e sentei em seu colo à pegando de surpresa. Ela carinhosamente me aninhou em seus braços e afagou minhas costas deixando que eu chorasse tudo que fosse preciso.
Após me recuperar abracei ela forte e voltei a sentar aonde estava antes.
- Pode me contar o que aconteceu agora? - Ela pegou minhas mão em cima da mesa e a protegeu entre as suas.
Eu funguei o nariz e assenti.
- Eu não sei o que está acontecendo mãe, eu me sinto diferente, mais feliz e disposta. Mas também as vezes sinto algo que mói o meu coração e me faz ter vontade de chorar.
Ela assentiu.
- Você tem alguma idéia de por quê se sente assim?
- Pior que tenho - Eu disse balançando a cabeça negativamente. - Acho que estou apaixonada mãe!
VOCÊ ESTÁ LENDO
Operação Princesa
RomanceNicole é uma jovem que não se importa com muita coisa, uma skatista da cidade litorânea de Paradise. Em uma noite de bebedeira, por culpa de um mero jogo promete fazer algo que vai muda-lá e surpreender todos que estão ao seu redor, e ainda sim des...
