Diretoria

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Nós tínhamos uma pessoa responsável por cada tipo de bronca. Nós chamávamos essas pessoas de "bronqueadoras". Enquanto eu esperava Sonia, a bronqueadora responsável pelas agressões físicas (para com os alunos) e verbais (para com os funcionários), eu estudava dona Pietra, sentada na sua mesa, lendo seu livro.

Os cabelos brancos, a pele enrugada, a voz rouca... Dona Pietra devia ter uns 60 ou 70 anos, mas isso ninguém sabia. Aquele vestido rosa claro e os chinelos que mais pareciam pantufas a deixavam com aparência de quem está pronto para dormir, mas pelo contrário, dona Pietra estava sempre atenta às coisas ao seu redor.

Aquela cadeira começava a me incomodar.

O tom de amarelo usado nas paredes irritava meus olhos. Em alguns lugares ele era fraco, mas em outros, forte. Isso não só irritava meus olhos como também irritava a mim.

Quando finalmente Sonia chegou, ela me colocou sentada em uma das muitas cadeiras almofadadas de sua sala. Justamente na cadeira em que ninguém quer sentar. A cadeira da frente. A mais baixa do cômodo, pensada para te intimidar e te rebaixar. Ora, Sonia, isso não funciona comigo!

Cruzei os braços no peito e olhei no fundo dos olhos de Sonia.

- Por que raios você bateu nele, senhorita Armandeiro?

- São motivos, se me permite dizer, particulares.

- O quê? Ele não estava tentando roubar seu namorado, imagino. – Eu tive vontade de gargalhar. "Particular" significa que tem algo a ver com meu namorado? – A senhorita vai me contar o que aconteceu? Assim pode ganhar direito de defesa.

- Olha, ele era meu melhor amigo, ele arranjou outros amigos, ele me trocou, eu fiquei brava e bati nele. É só isso. Onde eu assino a advertência?

Eu jamais pensaria que aquilo ia surtir algum efeito sobre Sonia, mas no fim das contas, ela só me estendeu o papel e a caneta e me dispensou dizendo para eu não fazer mais aquilo.

Antes de sair, pensei que talvez eu não precisasse. Tudo dependeria da idiotice das pessoas ao meu redor.



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