Renunciar

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O sol estava no auge, eu agitada no topo da montanha no meio do campo de centeio, que em breve iria ser colhido, e ele estático a minha frente.
- Acabou, estou recuando em nome de Greta! - Digo exasperada.
- Freya, por obséquio pondere sobre o que estás dizendo.
- Johnathan, ela foi prometida a você.
- Sabes que meu amor é seu!
- Não torne tudo mais difícil, não me procure.
- Você está disposta a deixar-me?
- Sim, Greta é minha prioridade e vê-lá feliz é o que mais quero.
- E quando a minha felicidade?
- Você vai aprender a amá-la.
- Sem vosmecê não será possível.
- ELA O AMA.
- Não sou responsável por isso, sei que minha família não aceitaria nosso matrimônio, mas Greta?
- Por que não? Ela é minha irmã.
- Freya, por obséquio.
- Pare Johnathan isso é o melhor.
- O melhor para quem?
- Adeus, daqui em diante não seremos nada mais que conhecidos.
- Um momento...
Ele em seu traje verde marchou até mim e cessou, pondo sua mão gélida em minha nuca e colocando sua testa a minha, sua barba roçou em meu queixo, seus olhos castanhos me fitaram.
- Quando te vi amei-te já muito antes, tornei achar-te quando te encontrei. Nasci para ti antes de haver o mundo.
- Não adianta bajular-me!
- Eu me recuso afastar-me de vosmecê.
- Creio que não tenha escolha.
Largo-me de seus braços e começo a caminhar a tempo de ouvi-lo.
- Não te esquecerei minha amada. - Virei-me bruscamente e vociferei.
- Eu já comecei a esquecer-te!
Voltei rumo a minha moradia sem olhar para trás, para não precisar encarar aqueles olhos. Eu estava aflita, como poderia olhar para ele depois disso tudo? O que minha irmã iria cogitar sobre mim caso soubesse?
Ao adentrar em minha casa, encontrei minha mãe descascando batatas de uma vasilha sentada em uma cadeira baixa.
- Onde está Greta?
- No poço.
Passei por ela e fui a porta dos fundos, onde vi minha irmã desajeitada tentando puxar o balde para cima, ela me vê e chama por mim.
- Freya me ajude.
- Tudo bem deixa que eu faço isso. - Dou um sorriso amável e ela solta a corda e ouço o balde cair no fundo do poço novamente, começo a puxar o primeiro.
- Creio que eu esteja prometida. -Clama ela para mim eufórica, e eu a encaro enquanto termino de puxar o balde e troco por outro.
- Porque achas isso?
- Ouvi mamãe e papai conversarem.
- É compreensível já que você é a filha mais velha e esteja na sua hora.
- Verdade, estou tão animada.
- Você sabe quem é?
- Sei.
- E então?
- Não poderia ser uma pessoa melhor, eu sempre tive uma empatia em relação a Johnathan.
- Você já o amava?
- Sim. - E meu sorriso se desfaz enquanto puxo o segundo balde para fora.
- Isso então é muito oportuno.
- Nem tanto sei que ele já ama outra.
- Como?
- Uma vez conversei com ele...
- Sozinha? - Uma moça em hipótese nenhuma poderia ser vista a sós com um homem que não fosse seu marido, por isso eu me encontrava escondida com ele, não faria bem a reputação.
- Sim, mas foi depois da igreja, não aconteceu nada.
- E o que houve?
- Eu me expus a ele, dizendo sobre meus sentimentos.
- E o que ele disse?
- Que não poderia me amar pois seu coração já era domado por uma megera. - Sorri, pois ele me chama assim por não querer nos assumir. - Puxei o terceiro balde e minha irmã disse que já era o suficiente, a ajudei levá-los para dentro.
- Greta acho que você deveria saber que... - Pensei sobre o que eu iria dizer.
- O que?
- Que eu estou feliz por você. - Não era isso que eu queria falar, mas era a coisa certa a se dizer.
- Obrigada.
- Freya? - Era minha mãe me chamando, dei as costas para Greta e fui para a sala onde ela continuava a descascar batatas.
- Mamãe?
- Seu pai quer que você vá alimentar as ovelhas.
- Sim senhora, licença.
Me retirei da sala e voltei a porta dos fundos, passei pelo poço e fui em direção celeiro, ao chegar abri a pesada porta e peguei um balde, enchi com um pouco de sal, ração, e peguei dois molhes de feno e fui caminhando para a casinha delas, ao chegar coloquei o feno no fundo do grande recipiente e depois despejei o balde, me virei e comecei a trocar a água, enquanto isso as ovelhas vinham se achegando. Em nossa família criávamos lã, trigo e depois vendíamos, nossa casa era quase um sítio, tínhamos galinhas, ovelhas, peixes no pequeno lago feito pelo meu pai e algumas macieiras.
Não éramos ricos, pelo contrário pelo menos mais da metade do que produzíamos era vendido para pagarmos a casa, sei que meu pai quer que casamos logo para que possamos ir embora e ele não ter mais que se preocupar em colocar comida na mesa, mas enquanto isso não a um dia em que ele pare de trabalhar, mesmo que adoeça ele se levanta antes do sol raiar. Assim que termino minha tarefa volto para dentro, minha mãe preparava o jantar, minha irmã sentada na sala em uma cadeira de frente para a janela bordava, peguei um livro e me sentei para ler, porém meus pensamentos estavam longe e sempre que terminava uma frase tinha que recomeça-la.
- O que estás belas moças fazem tão desanimadas? - Meu pai tirava sua botina na porta, olhei para além dele e vi o céu escuro, havia escurecido e eu nem perceberá, papai passou por Greta e a beijou na testa, depois veio a mim e me beijou também.
- Papai o senhor estará ocupado amanhã?
- Sim querida, e a propósito quero que você Freya me ajude a concertar a cerca que as ovelhas quebraram amanhã bem cedo.
- Sim senhor. - Notava-se que ele estava cansado.
- Irei me lavar para o jantar, ajudem a mãe de vocês.
- Sim senhor. - Dissemos em uníssono enquanto ele saia para a direita viramos para a esquerda e colocamos a mesa.
- Freya não está bonita hoje, mamãe?
- Eu?
- Está sim. - Concordou ela.
- Estou normal.
- Parece mais feliz. - Eu estava ao contrário de feliz.
Meu pai chegou alguns minutos depois com sua roupa rasgada, e cabelos molhados, sentou-se primeiro e depois sentamos, ele se serviu primeiro também pois era ele quem nos dava o alimento. Comemos em silêncio, o jantar era composto de peixe e alguns legumes cozidos, não tínhamos luxúria, para nós aquilo já era um banquete.
Quando acabamos minha irmã preparou-se para banhar-se, foi ao poço e encheu o balde para si e saiu para o lavatório, enquanto eu limpava a cozinha. Minutos depois ela voltou e passou por mim com sua camisola me desejando boa noite, assim que acabei peguei um balde para mim e fui ao poço, era difícil encher a noite, eu não conseguia ver direito, então tinha que sentir quando o balde estava pesado, quando senti puxei, fui ao lavatório que ficava do lado de fora da casa e me despi, banhei com uma caneca e esfreguei-me, meus pés estavam encardidos, quando terminei me seguei e vesti minha camisola voltei para a casa e tranquei a porta, entrei no nosso quarto e minha irmã já dormia, dividíamos a mesma cama, me deitei na cama de bruços e refleti, meus pensamentos estavam alvoroçados por tudo o que vinha acontecendo, minha mãe que havia me contado que Greta estava prometida. Meus olhos cansaram-se depois de muito tempo tentando dormir e finalmente cederam.
****
- Freya levanta. - Meu pai batia a porta.
- Já vou indo.
- Ande logo. - Eu não fui logo e dormi mais cinco minutos e ele voltou.
- Freya você disse que me ajudaria concertar a cerca.
- Sim senhor estou indo.
- Vai logo antes que ele volte. - Minha irmã disse sonolenta ainda, me levantei da cama preguiçosamente e troquei de roupa, penteei o cabelo em um coque, quando eu ia saindo do quarto meu pai vinha me chamar.
- Já levantei.
- Tome seu café e me espere na cerca.
- Sim senhor.
Na cozinha minha mãe já havia levantado, ela levantava-se junto com o meu pai, me recusei a tomar café e peguei somente uma maçã e fui até a cerca, meu pai estava lá com alguns pregos e madeiras.
- Achei que tivesse sido um pequeno estrago. - Havia pelo menos dez metros de cerca quebrada.
- Vamos logo.
Retirei as tábuas que não tinham solução, depois ajudei meu pai aos poucos colocar novas, faltavam pelo menos oito metros ainda.
- Senhor Banker, senhorita. - Johnathan estava do outro lado da cerca montado em seu cavalo.
- Johnathan. - Meu pai o cumprimentou.
- Vejo que precisa de ajuda.
- Não será necessário, eu estou ajudando. - Eu disse para ele.
- Mas você é uma mulher e provavelmente eu serei mais capacitado para ajudar. - Disse ele descendo do cavalo.
- Creio que não, já que eu estou acostumada a trabalhar e você a receber o que deseja pronto.
- Freya. - Meu pai me repreendeu. - Peça Desculpas.
- Me desculpe senhor Lewistown. - Era estranho nos tratarmos como desconhecidos, eu teria que me acostumar.
- Pode me chamar de Johnathan.
- Não senhor. - Ele pulou a cerca para o lado de dentro.
- Vamos terminar.
- Você sabe como fazer ou quer que eu lhe ensine?
- A falta de fé que a senhorita tem em mim me deixa muito cativado em terminar.
- Mas será que o senhor tem capacidade para uma coisa tão frívola?
- Sim senhorita. - Meu pai nos ajudava e conversava com Johnathan ao mesmo tempo.
- Como anda a colheita da sua família Johnathan?
- Muito bem senhor, teremos um ano farto. E a de vosmecê?
- Bem, talvez nem tanto quanto a sua já que quem trabalha somos três mulheres e não temos empregados. - Eu quero fazer ele me odiar, ficar ojerizado.
- Freya mais uma você vai para casa.
- Tudo bem, vejo que o senhor criou uma mulher de duas próprias ideologias.
- Desculpe-me Johnathan, Freya consegue ser inconveniente muitas vezes.
- Só porque eu digo o que penso? Acho que já que ele está tão incomodado não deveria vir aqui.
- Freya chega, entre agora.
Larguei a tábua que segurava e marchei para dentro, o que eles estavam esperando para contar logo? Porque não falavam para eles? Adentrei para dentro e minha mãe cantarolava baixinho, quando me viu parou.
- Já terminaram com a cerca?
- Não, o inconveniente do senhor Lewistown está ajudando.
- Não fale assim dele.
- Como?
- Você terá que trata-lo bem agora que sua irmã irá se casar com ele.
- Porque ele não pediu ainda?
- Será daqui dois dias, ele pediu um tempo para que pudesse se organizar.
- Entendo. - Eu entendia bem.

Freya & JohnathanHistórias para pegar e não largar. Descubra agora