Minha triste vez

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Greta estava feliz, o casamento fora agendado, aquela noite não dormiu de tanta felicidade, ela me disse que ele a beijou, fiquei com ciúmes, mas guardei para mim aquele sentimento jamais poderia ser descoberto, quando me levantei na manhã seguinte minha irmã já não estava na cama, fiquei surpresa pois ela era a última a levantar-se.
Me preparei como faço todos os dias, fui a cozinha para tomar café e meu lugar já estava ocupado. Johnathan.
- Bom dia querida.
- Bom dia mamãe, senhor Lewistown.
- Senhorita. - Ajudei a colocar a mesa, pão, leite, café e manteiga, após acabar me dirigi a outro lugar, meu pai chegou minutos depois, cumprimentou Johnathan e se sentou, minha irmã moverá uma cadeira para perto de Johnathan e estavam com as mãos dadas em cima da mesa.
- Sobre o casamento faço questão de assumir todos os gastos.
- Agradecemos sua bondade. - Minha mãe disse aliviada.
- Johnathan e eu pensamos que quando nos casarmos eu vá morar na sua casa, ao invés de comprarmos uma. - Greta com seus sorriso radiante nos contou seus planos para o futuro.
- Isso vai ser bom para você irmã, você poderá se esquecer da vida do campo e somente se preocupar em satisfazer os prazeres sexuais do seu marido.
- Freya, por favor. - Meu pai sempre me repreendia quando eu falava o que pensava.
- Desculpe papai, mas sabemos que ao se casar com um homem de muitas posses, teríamos vários empregados e teríamos que somente servi-los sexualmente para que não procurem uma meretriz.
- Isso não é palavreado para uma moça, querida.
- Desculpe mamãe, isso não se repetirá.
- Você não pode julgar sua irmã por que você também já tem um pretendente. - Ela falou com uma naturalidade que me surpreendeu.
- O quê? - Eles só podiam fazer de propósito, estavam vendendo as filhas e depois contando.
- É um homem de posses, jovem e bonito.
- Quem é?
- Dylan Lewistown. - Só podia ser o destino querendo acabar comigo, não bastasse eu ter que me afastar de Johnathan, agora seria da sua família.
- Meu primo? - Johnathan perguntou.
- Sim querido, ele já estava endereçado em Freya por ela ser uma moça jovem e bonita.
- Creio que ele procure alguém com um rótulo bonito e produtora de herdeiros.
- Dylan não é apropriado. - Johnathan estava com ciúmes.
- Por que?
- Freya pode conseguir uma pessoa mais adequada.
- Quando eu irei conhece-lo? - Fingi um interesse para enciuma-lo.
- Ele ira chegar na semana que vem.
- Eu conheço muita gente e tenho influência posso indicar alguém melhor. - Me virei para ele.
- Senhor Lewistown você ainda não é da família, por favor não opine.
- Tem razão, me desculpe.
- Eu não irei me casar com ele, não o amo.
- Você não tem escolha.
- Assim como Greta?
- Greta aceitou de bom grado.
- Se não aceitasse? Seria emancipada e mandada embora?
- Você não tem escolha e irá se casar com Dylan. - Meu pai disse com o maxilar trincado.
- Não irei, e ninguém irá me forçar.
- Eu mando em você.
- Eu fugiria antes mesmo dele chegar.
- Não se eu tranca - lá.
- Acha que eu sou uma mercadoria de troca? Que por alguns dotes irei melhorar sua vida?
- Menina abusada, fazemos isso pensando no seu melhor.
- Minha felicidade não depende de um casamento.
- Querida respeite seu pai.
- Eu tenho uma pergunta.
- Fale.
- Seu casamento mamãe foi arranjado também?
- Sim.
- Então é por isso que quer destruir nossas vidas?
- Não querida, eu aprendi amar seu pai, e você aprenderá a amar Dylan.
- Eu não teria tanta certeza você pode estar somente grata por ele te tirar da miséria.
- Freya cale a boca! - Meu pai se levantou da mesa. - Se eu achar que você deve se casar você irá, eu mando em você.
- Sim senhor. - Se sentou novamente. - Só acho que...
- Você não acha nada!
- Me desculpe.
- Tudo bem.
- Os senhores tem razão, eu vou me casar.
- Que bom querida que aceitou rápido. - Eu não aceitei e nunca iria aceitar.
- Mas, homem nenhum irá tirar minha liberdade.
- Isso você irá conversar com seu marido.
- Claro, o que acha disso Johnathan? - Me virei e ele engoliu em seco.
- Vosmecê será feliz ao lado de Dylan.
- Tenho certeza que sim.
- Você não amou ninguém? - Seus belos olhos que sempre me fascinaram me olharam.
- Essa pergunta é inapropriada senhor Lewistown.
- Desculpe-me.
- Não tem problema, nunca amei ninguém, nenhum homem conseguiu fazer meu coração bater mais forte.
- A senhorita deve ser muito criteriosa.
- Freya é uma mulher incrível.
- Não é que eu seja incrível, as pessoas se tornaram menos interessantes e perspicazes.
- Pena que é um pouco arisca.
- Não posso agradar a todos.
- Infelizmente.
- Tenho certeza que minha irmã será feliz assim como eu serei ao lado do homem que amo. - Ah querida irmã se soubesse que você está casando com o homem dos meus sonhos.
- Que assim seja, assim como você ao lado de Johnathan desejo ter meus próprios filhos onde eles iram somente se casar por amor.
- Você fala isso agora, quando ver seus filhos desejando algo que não pode dar, irá querer ter se casado com o homem mais rico que passou em sua frente.
- Mesmo assim, eu venderia minha alma caso fosse preciso para vê-los felizes.
- Johnathan e eu teremos várias crianças, não é mesmo querido? - Ele a beijou na bochecha.
- Sim, meu amor. - O que era aquilo? Estavam noivos a menos de 24 horas, fiquei ojerizada.
- E quando iram se casar?
- Por mim casaríamos o mais rápido possível, mas Johnathan quer tudo perfeito.
- Não está querendo ganhar tempo, não é?
- Não, claro que não. Se fosse isso não teria pedido a mão de Greta.
- Por que decidiu tão repentinamente? - Já está na hora de eu me casar, e Greta é muito bonita.
- OK. - Comemos tranquilamente, nossos nervos haviam se acalmado, após acabar, cada um tomou seu rumo, Johnathan foi a sua fazenda pedir para sua mãe preparar os detalhes, Greta foi com mamãe a costureira para fazer o vestido, papai pedi para que fosse se deitar já que estava se sentindo indisposto.
Primeiro fui cuidar das ovelhas, coloquei a ração, feno, água, lavei o curral delas, depois tratei dos peixes no pequeno lago, e voltei ao celeiro onde peguei uma cesta, cordas, uma foice, e vesti um chapéu. Fui até o campo de centeio, para colher, comecei aquela tarefa árdua, o sol quente esquentava minha cabeça, conforme eu fazia alguns molhes amarrava e os colocavam em um monte. O campo era grande, o nosso era maior em centeio, meu pai não me deixaria colher sozinha, e eu não poderia deixar ele fazer tudo sozinho, então fui escondida colher, ele não sabia e devia estar preocupado pois estava na hora. Trabalhei sem parar, cortei um pedaço do meu vestido sem querer, mas continuei, vi que já devia ter passado o horário do almoço, e não fui embora, continuei, eu queria fazer uma surpresa, minhas mãos calejadas, trabalhavam rapidamente depois de eu ter pegado o jeito. Uma brisa refrescante bateu, e abri os braços, quando acabou voltei ao trabalho, meus braços doíam, mas continuei, quando vi que estava escurecendo, voltei ao celeiro e peguei um lampião, acendi e voltei, eu estava quase acabando, não podia parar, coloquei no chão e continuei, após acabar, imaginei que já fosse tarde pois olhei para o céu e só vi a lua cheia e estrelas, recolhi a foice e coloquei a cesta, fiz uma pila enorme de centeio, olhei para o campo e não havia sobrado um único galho, retirei meu chapéu e joguei na cesta, me sentei um pouco para descansar, e acabei adormecendo ao relento.
***
- Freya, acorde. - Abri meus olhos e vi Johnathan me encarando.
- O que foi? - Eu estava com sono e cansada, fechei novamente.
- O que está fazendo aqui fora? - Abri meus olhos e vi que para além do seu rosto vi o céu ao invés do teto do meu quarto.
- Eu estava trabalhando. - Ele olhou ao redor, depois para a pilha.
- Você fez tudo sozinha?
- Sim.
- Vamos para dentro. - Ele me ajudou a levantar segurou minhas mãos e reclamei de dor, algumas bolhas haviam estourado. Ao chegar em casa minha mãe me abraçou, Greta e ela estavam em pé, vestidas para dormir.
- Que bom que chegou, onde ela estava? - Perguntou a Johnathan.
- A encontrei dormindo lá no campo, a encontrei por que vi um lampião acesso.
- O que fazia lá?
- Estava recolhendo.
- Oh querida, não faça mais isso.
- Eu vou tomar um banho.
- Tudo bem, boa noite querida.
- Boa noite, mamãe. - Greta e ela foram dormir, Johnathan sentou-se no sofá.
- Onde está meu pai?
- Foi procurar você. - Fui em direção a porta, mas Johnathan me segurou.
- Eu preciso ir atrás dele.
- Não, não precisa. Vá tomar um banho, ele daqui a pouco estará de volta.
- Tudo bem.
Fui ao meu quarto e Greta já dormia, silenciosamente peguei uma camisola e fui para o lavatório, a água estava gelada, esfreguei-me com uma bucha, minha perna estava com um corte, devia ter sido na hora em que cortei o vestido, lavei meu cabelo, minhas costas, esfreguei minhas unhas sujas de terra. Após uns quinze minutos sai e me vesti, voltei para dentro e tranquei a porta do fundos. Quando voltei a sala, Johnathan ainda estava sentado no sofá, em sua frente numa mesa tinha a cesta e o lampião.
- Meu pai chegou?
- Sim, mas já foi dormir.
Peguei em uma gaveta uma caixa com remédios, que tinha um líquido feito de ervas que usávamos em feridas. Me sentei no sofá e Johnathan veio a mim.
- Eu a ajudo. - Ele pegou a cadeira de Greta e sentou em minha frente, estendi as mãos e ele passou a sua por cima. Estavam horríveis, algumas unhas quebradas, a palma da mão vermelha, com algumas bolhas, primeiro lavamos com um líquido verde, depois ele passou vagarosamente um amarelo e enrolou em uma faixa e pois um beijou.
- Obrigada.
- De nada, o que estava fazendo?
- Fui tentar ajudar meu pai, ele estava ruim e quis fazer uma surpresa.
- Deve estar cansada.
- Um pouco. - Disse bocejando.
- Boa noite, Freya.
- Boa noite, Johnathan. - Ele beijou-me na testa e saiu, tranquei a porta e me sentei no sofá que acabei dormindo ali mesmo.

Freya & JohnathanHistórias para pegar e não largar. Descubra agora