Monstros existem e estão dentro de nós

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- Mamãe. - Abri os olhos e Carrye estava na minha frente. E falando!
- Mamãe.
- Oi querida. - Me sentei na cama e acendi o abajur para vê-lá melhor, ela estava descalço com um urso e chorando.
- Tem um monstro no meu quarto.
- Querida foi só um sonho, esta tudo bem.
- Mamãe... tem um monstro no meu quarto. - Ela chorava e arquejava, o desespero que sentia se emanava dela.
- Esta tudo bem? - Dylan que estava deitado perguntou com os olhos franzidos.
- Papai...
- Sim querida? - Ele perguntou sorrindo ao ouvir a voz dela.
- Tem um monstro no meu quarto.
- Foi só um pesadelo.
- Ele estava lá.
- Tudo bem, vamos ver. - Ele se levantou, calçou os chinelos e a pegou no colo.
- Mamãe, vem por favor.
- Tudo bem. - Me levantei ainda sonolenta e vesti o robe, seguimos para o quarto de Carrye onde abri a porta e entramos.
- Está vendo? Não tem ninguém.
- Tinha sim. Ele se escondeu. - Dylan me entregou ela e foi até a cama, e olhou em baixo.
- Não tem nada aqui. - Andou até o armário e o abriu.
- Aqui também não. - Foi a janela e forçou para cima vendo se estava bem trancada.
- Viu? Não tem ninguém.
- Tinha sim, ele estava aqui. - Ela andou até a mesinha e pegou alguns papéis.
- O que é isso?
- O monstro. - Sussurrou. Peguei a folha e vi vários bonecos.
- Quem são esses?
- Mamãe, papai, tia Greta, tio Jhonathan, vovó Lewistown e vovó Banker...
- E esse? - Perguntei olhando o boneco que sobrará.
- O monstro. - Sussurrou, não parecia um monstro, mas sim uma pessoa.
- Carrye... - Dyaln tomou a folha de mim e a encarou.
- Onde está o vovô? - Ela não respondeu.
- Carrye, vovô é o monstro?
- Sim. - Assustada perguntei:
- O monstro a machucou?
- Sim. - Agora as coisas estavam fazendo sentido e eu não estava gostando do rumo.
- Meu amor, o que o monstro fez?
- Ele me machucou.
- O que ele fez?
- Não posso contar... ele disse para mim não contar.
- Não tem problema meu amor, ninguém vai dizer a ele.
- Ele me bateu... - Meu peito arquejou, e o ar me faltou, Dylan passou os braços atrás de mim antes de minhas pernas amolecerem. A pior coisa que alguém poderia me fazer era maltratar meus filhos, podiam fazer qualquer coisa menos minhas crianças.
- O que mais ele fez? - Dyaln que me segurava perguntou.
- Ele tirou minha roupa... - Ela nos encarava assustada ponderando sobre o que mais deveria falar.
- Carrye. - Cai de joelhos enquanto a abraçava chorando.
- Mamãe não deixa o monstro me machucar de novo. - Ela pediu e eu jamais negaria isso.
- Tudo bem querida, mamãe ta aqui.
- Freya... - Dylan andou de um lado para o outro e vi o transtorno que estava sentindo, ele jogou a penteadeira contra o chão e começou a chuta-la enquanto xingava.
- Papai, papai. - Carrye que estava ali no chão agarrada a mim chamou por ele.
- Papai pare. - Ele parou, olhou para ela ali no chão e caminhou até nós. Se sentou e a abraçou.
- Me perdoa, me perdoa. - Ele pediu várias vezes e observei quando suas lágrimas vieram, ele embalou o corpo de Carrye enquanto acariciava sua face pedindo desculpas.
- Eu te amo, papai. - Disse ela enquanto colocava o rosto contra o peito dele.
- Papai vai te proteger.
Dylan ficou ali segurando o pequeno corpo até ela dormir e se levantou, seguiu para o nosso quarto e a colocou sobre a cama. Nos sentamos e em nenhum momento parei de chorar.
- Me perdoa, Freya, por favor. Me perdoa. - Ele deitou a cabeça no meu colo e chorou.
- Tu.. tudo bem, você não tem culpa.
- Tenho sim, eu deveria proteger ela, nossa garotinha. Pensei que a protegeria de todos os maus do mundo, mas esqueci que ele pudesse estar dentro da nossa casa. Maldito homem, maldita família, como pode fazer isso com minha menina? Freya eu prometo que ele jamais tocará nela novamente. - Ele se levantou, pegou uma cadeira e foi até o armário.
- O que esta fazendo? - Em pé sobre a cadeira ele tateava o armário, quando desceu e se virou segurava uma arma que até então eu não sabia que possuía.
- Dylan!
- Freya, esta tudo bem. - Ele retirou o pijama e colocou outra roupa, vestiu calça, botas e sobretudo.
- Pare!
- Meu amor, ele jamais tocará na nossa menina novamente. - Dylan colocou a arma sob a calça na cintura e correu para fora do quarto. Olhei para Carrye que dormia e fui atrás dele, o encontrei no celeiro enquanto preparava um cavalo.
- Dylan, não! - Puxei seu braço para impedir de colocar a cela.
- Freya, eu te amo e prometo proteger você e nossos filhos. - Ele terminou com o cavalo e o levou para fora. O segui e pedi para que não fosse.
- Por favor, preciso de você agora. - Ele se aproximou mais e me beijou.
- Eu te amo, Freya. - Subiu no cavalo e cavalgou para longe.
- Dylan... Dylan... - Berrei por ele enquanto o via se afastar. A chuva furiosamente despencou.

***

Sentada no quarto sobre o divã observava ela dormir, estava coberta, no lado da cama onde Dylan se deitava, o abajur ligado e eu chorando. Agora sabia a verdade e queria negar que ele pudesse ter sido tão cruel, pedi desculpas a Deus por te acusado Johnathan injustamente.
Dylan estava indo de encontro a sua família para sair das barreiras, do laço e nos colocando como prioridade, vi que seu gesto era nobre pois enfrentaria seu tio por nossa filha. Eu sabia o quanto deve ter doido, Clarkston era quase como um pai para ele e machucou sua filha. Agora ele faria justiça com suas próprias mãos.

Freya & JohnathanHistórias para pegar e não largar. Descubra agora