Em uma corda bamba pendemos, segurando de um lado a razão e do outro os sentimentos, mas se um falar mais alto que o outro despencam para o abismo, o sentimentos inoportunos geralmente se manifestam com maior poder ludibriando nossa visão do certo.
Eu decidi dar lugar a razão, poderia ter escolhido por amor, mas adormeci esse sentimento até que aos poucos ele foi despertado por Dylan Lewistown, o homem que mesmo sabendo que eu amava outro não desistiu de mim, insistiu em me conquistar e conseguiu por mais difícil que tenha sido. Agora que voltei ao meu mundo, a minha realidade, ao passado, os problemas que nele jaziam voltaram a tona, Jhonatahn diz que ainda depois desses 6 anos me ama, mas quando conversamos ele parece ter aceitado Dylan ao meu lado, que ele era o melhor para mim.
Minha fazenda é minha principal meta, conquista-lá de volta, eu faria lances já que dinheiro não me faltava, eu iria construir uma nova casa, plantar macieiras, centeio, talvez começasse com a plantação de uva e outras coisas que tinha em mente.
Após fazer um passeio eu estava sentada no escritório, ganhamos a permissão para frequentar o local, sentada sobre o divã tinha um livro aberto apoiado nas pernas, sentada perto da janela recebia claridade e uma brisa suficientemente agradável, bebi do chá de melissa que me proporcionava dormir bem, reduzir a ansiedade e o estresse, eles trouxeram o relaxamento e a qualidade do sono, me proporcionando a merecida tranquilidade na gestação, eu vinha conversando com pessoas do passado, colegas da igreja, amigos do meu pai que se casaram, recebi o convite de desfrutar uma tarde na casa dos Johnson's, Samea colega minha que havia participado do meu casamento era noiva de um antigo amigo de Dylan e nos convidou para tomar chá, aceitei seu convite e iriamos no sábado.
Carrye minha garotinha estava em algum lugar brincando, era difícil acha-lá já que vivia explorando o local, sempre achava uma coisa nova e conhecia alguém, à noite me relatava tudo entusiasmada, eu escutava porquê acreditava que todos merecem um pouco de atenção e se sentir importantes, somente uma vez ela reclamará de sentir falta de casa e do amigo Simon, queria alguém para poder brincar e eu não tinha a disposição que ela necessitava. Então cumprindo seu papel de tio perfeitamente Johnathan dava toda a atenção que ela precisava, desde se sentar em uma toalha no jardim e tomar chá imaginário com amigos imaginários a contar histórias e ensina-lá a tocar piano, ela se apegou a ele com tanta facilidade que me surpreenderá, a amizade que ela sentia por ele era tão grande quanto a por Simon, e eu confiava nele para proteger e cuidar dela. Minha mãe animou-se com nossa chegada, tagarelava o tempo todo e principalmente perguntava sobre o filho em meu ventre, agora ela parecia mais contente com a vida e não se importava de se sentar com um estranho e conversar, depois de anos trabalhando arduamente finalmente conseguiu um pouco de descanso ao se mudar para cá ja que eles tinham empregados para tudo. Greta eu não sabia bem o que estava se passando por aquela cabeça, fiquei preocupada que talvez se sentisse substituída, porque antes ela era a única da casa, agora eu cheguei com uma filha e um a caminho que tomaram as atenções. Mas ela sempre se mostrava atenciosa e prestativa a ajudar.
A senhora Asheley vagava para lá e para cá sem rumo pela casa procurando alguma coisa para fazer, às vezes mandava preparar um vestido novo a Carrye, mas na maioria ia com Greta em eventos sociais.
O senhor Clarkston no mesmo dia em que me derrubou, durante a noite depois do jantar veio me pedir desculpas lamentando pelo acontecido justificando que estava alterado e eu com minha tranquilidade neguei seu pedido e disse que colocará a vida do neto em risco era imperdoável.
- Boa tarde, querida. - Dylan entrou e andou até mim, seus cabelos ondulados estavam molhados e ele estava com cheiro de sabão, me beijou depois se sentou na mesa principal e começou a trabalhar em alguns papéis.
- O que esta fazendo? - Perguntei interessada fechando o livro, ele olhou para mim e repousou a caneta que segurava, Dylan quando falava com alguém gostava de manter contato visual direto.
- Meu tio pediu para que eu organizasse e calcula-se todas as suas dívidas e verifica-se como ele deve gastar seu dinheiro. Depois analisar suas vendas e ver se os resultados estão batendo com o que ele tem recebido.
- Posso ajudar?
- Não sera necessário, mas obrigado. - Disse voltando ao papeis e fazendo anotações.
- Dylan, como eu disse eu quero a minha fazenda de volta... - Ele me interrompeu.
- Sei disso, conversei com Johnathan.
- Conversaram? - Não sabia que se falavam por livre espontânea vontade.
- Por que a surpresa? - Perguntou ele rindo. - Sei me comportar.
- Não é isso, só não sabia que mantinham diálogo.
- Não é porque queremos, chegamos a conclusão que você é nossa prioridade e decidimos dar uma trégua e nos ajudar a conquistar o que você deseja. Mesmo eu sabendo que ele esta apaixonado por você prometi manter segredo para zelar por sua irmã.
- Obrigada. - Sorri orgulhosa dele, ele não me respondeu e continuou a fazer seu trabalho.
- Mãee. - Carrye entrou no escritório correndo cansada e suada, seus cabelos amarrados em coque alto grudava no pescoço devido o suor.
- Oi.
- Eu trouxe isso para você. - Ela me deu uma margarida que escondia atrás das costas.
- É a flor mais linda que ja vi. - Ela sorriu feliz, apesar de ser um presente simples era dado por minha filha.
- Obrigada, tio Jhonathan também achou. - Dylan que estava estava concentrado parou e falou:
- Carrye... - Ela virou nos calcanhares e andou até a mesa e brincou com um lápis que estava ali.
- Sim, papai.
- Você estava com seu tio?
- Sim.
- Você gosta dele?
- Sim, brincamos bastante. - Isso significava que ela realmente gostava dele pois ela só brincava com poucas pessoas, por isso tinha amigos imaginários.
- E foi ele quem mandou você trazer essa flor?
- Sim, estávamos brincando perto das flores e eu peguei uma e ele disse que mamãe iria gostar.
- Tudo bem.
- O que vocês estavam fazendo? - Perguntou nos analisando.
- Lendo. - Respondi levantando o livro a mostra.
- Trabalhando. - Respondeu Dylan.
- Eu vou brincar mais um pouco. - Disse ela andando de costas até a porta e depois partiu correndo pelo o corredor deixando o som dos seus sapatos para trás.
- Temos que ficar de olho nesses dois. - Disse ele.
- Ele não vai machuca-la. - Não quis acreditar que ele achava que Johnathan poderia fazer mal a Carrye.
- Não me refiro a esse tipo, Carrye é uma menina inocente e pode ser manipulada e posta contra nós.
- Johnathan não seria capaz de fazer uma coisa assim.
- Freya, seu amor cega você. - Apesar de estarmos casados Dylan ainda era inseguro, me levantei e ele me interrompeu:
- Onde vai?
- Onde eu quiser. - Sai para o corredor e passei pelas salas encontrando empregados pelo caminho, na cozinha achei Greta e a convidei para respirar um pouco de ar puro e ela aceitou. Descemos as escadas e andamos em direção a cidade vagarosamente, ficamos em silêncio durante uns minutos até que ela quebrou.
- Como você está? - Sorri.
- Bem, estou feliz de estar de volta. E você?
- Contente por estar aqui.
- Que bom, pensei que poderíamos fazer algumas coisas juntas.
- Claro, quero poder aproveitar sua breve estadia.
- Podíamos ir ao teatro.
- Eu iria adorar.
- Sabe, senti muito sua falta. - Não conversávamos como irmãs a algum tempo.
- Eu também, por mais que discutíamos você faz falta.
- Mas agora estou aqui para recuperar o tempo perdido, ajuda-la no que precisar e outras coisas.
- Obrigada.
- Como está seu casamento?
- Como disse pelas cartas não foi o que pensei, nem todo o dinheiro que Jhonathan possuía me satisfazia.
- Possuía?
- Sim, eles mantém a aparência, mas já não possuem tanto dinheiro como antes.
- O que aconteceu?
- Não sei bem, não faço questão. Mas tem algo com empréstimos e jogos.
- Quer que eu fale com ele?
- Não se incomode.
- E como vai suas amigas?
- Bem, a maioria se mudou. Eu gostaria de me mudar, quero mais que a vida do campo, quero a cidade grande.
- Um dia quem sabe você não conheça o mundo.
- Provável que não, mas me conformei com isso e outras coisas.
- Como o que?
- Que já não posso ter filhos.
- Não desista ainda, irmã.
- Sei que não era pra ser, tenho sorte de ainda estar casada. Sei que o imundo do Clarkston disse para Jhonathan me mandar embora e arranjar uma esposa que possa lhe dar um filho.
- Irmã, não desista. Se ele ainda não a mandou é porque a ama.
- Freya, eu já sei de tudo. Não precisa tentar amenizar. - Meus olhos arregalaram, como poderia saber?
- Tudo mesmo?
- Sim, sei que ele nunca me amou essa é a verdade. - E relaxei aliviada.
- Não, você é admirável.
- Freya, sejamos sincera. Jhonathan nunca me olhou como Dylan olha para você.
- Como?
- Com brilho nos olhos, quando Dylan fala de você é com uma ternura e orgulho, se alguém toca em seu nome ele sorri e se perde em devaneios.
- Realmente ele é um marido muito bom.
- Não é isso, ele é um homem que te ama e sente desejo, uma coisa que meu marido não sente por mim.
- Greta, Jhonathan pode estar confuso ele era imaturo e despreocupado, talvez tenha sido muita informação.
- Mas que durou 6 anos?
- Sinto muito.
- Freya, na vida a gente tem que entender que um nasce pra sofrer enquanto o outro ri. E você irmã por mais que esteja passando por esse momento nasceu para sorrir.
- Eu te amo, Greta. Pode confiar em mim para o que precisar.
- Obrigada. - Andamos mais um pouco devagar, ao chegarmos na praça onde ficavam as quitandas andávamos de uma em uma vendo os produtos, Greta que trouxera dinheiro comprou alguns itens, nos sentamos em um banco para descansar e Greta me comprou uma fruta. Passamos o resto da tarde sentadas conversando, estava um clima agradável entre nós que me deixou feliz e pude notar que a ela também, voltamos para casa e ela me agradeceu por ter passado com tempo com ela. Me preparei para dar um banho em Carrye, separei sua roupa e a empregada preparou a água, quando ela terminou eu a despi tirando as fitas do seu vestido, a coloquei dentro da banheira e a lavei com sabão de coco. Suas unhas e pés estavam pretos, seu cabelo estava com terra, a lavei com uma bucha e a esfreguei bem, me sentei em um banco que tinha ali e a observei brincar com a água. Seus rostinho redondo, seus olhos castanhos, bochechas rosadas.
- Vamos saindo. - Peguei a toalha que estava pendurada e a enrolei levando-a para o quarto, lá a sequei e a vesti com uma camisola de seda rosa. Deitei ela na cama e a cobri com os cobertores para que não pegasse friagem.
- Mamãe vai tomar um banho e já vem. - Peguei algumas peças de roupa e fui ao banheiro me lavar, utilizei da mesma água que Carrye, tomei um banho rápido lavando o corpo e cabelos. Me sequei e me vesti com um camisola branca de linho, coloquei nossas roupas sujas em um cesto para que depois fossem lavadas, sai do banheiro e fui ao quarto onde Carrye ainda estava deitada, abri as janelas e as cortinas e luz entrava por elas, desliguei a luz do quarto e fui para cama onde me deitei e me cobri, Carrye se aproximou mais e acariciava minha barriga.
- Como foi seu dia? - Antes de dormir eu sempre reservava um tempo para ouvir o que aconteceu com ela, por mais que as crianças não se preocupem com nada elas tem problemas. Ouvi seu discurso longo do quanto foi divertido e legal, fiquei contente por vê-lá feliz, depois de acabar ficamos ali deitadas abraçadas até pegarmos no sono.
***
Acordei espremida na cama, Dylan havia se juntado a nós. E Carrye estava largada de lado de braços abertos, ocupando quase todo o espaço. Me levantei e fui me arrumar no banheiro onde coloquei uma saia longa azul clara e uma camisa branca, penteie os cabelos em um coque alto, e lavei o rosto, assim que fiquei pronta passei por eles e sai encostando a porta, o corredor estava calmo, só ouvi um leve ruído quando cheguei a cozinha e vi a copeira preparando o café da manhã, me sentei na mesa da cozinha e me servi de mamão, sempre pela manhã eu preferia me alimentar de frutas, ja Dylan e Carrye gostavam de comer pães, bolos e doces, comi observando a copeira-chefe da casa organizar as coisas para que mais tarde os outros comessem, assim que acabei me levantei e andei até o escritório e me sentei na cadeira da mesa central, peguei um papel, caneta e comecei a por minhas idéias.
Analisei quanto eu poderia gastar com a compra, era suficiente e ele não negaria, mas esse não era meu único obstáculo, a maior parte ja fora vendida e eu não sabia para quem e quanto me custaria tentar pega-la de volta.
1° Contratar mão-de-obra;
2° Reconstruir a casa;
3° Remobilar;
4° Investir nas plantações;
• Devolver a fertilidade do solo;
• Escolher o produto;
• Cuidar;
5° Comprar animais;
• Ovelhas;
• Bois/Vacas;
• Galinhas.
Para o começo pensei ser o suficiente, depois quando surgisse novas idéias eu as acrescentaria na lista, eu só queria trazer vida aquele lugar, eu não sabia o que fazer quando trouxesse de volta a produtividade, pensei em dar a Greta, a minha mãe e até deixar para Carrye. Mas minha mãe nem Greta saberiam administrar, já Carrye demoraria muito até poder tomar decisões, então resolvi ficar comigo até chegar o momento de passar para alguém.
Ouvi vozes femininas e reconheci Asheley e Greta rindo, andei até o som e elas estavam sentadas a mesa.
- Bom dia. - As cumprimentei.
- Bom dia. - Disserem me cumprimentando de volta.
- Senhora Asheley, o seu marido já levantou? - Perguntei interessada.
- Sim, deve estar se preparando para sair. - Disse colocando açúcar no café e voltando a falar com Greta. Me levantei rapidamente e fui para a rua onde estava um pouco frio e nublado, desci a escadaria e fui ao lado da casa onde ele esperava seu serviçal preparar as rédeas.
- Senhor Lewistown. - Chamei e ele se virou.
- Bom dia, Freya.
- O senhor teria um minuto para falar comigo? - Apesar das nossas desavenças eu procurava ser cordial.
- Não. - Disse ele seco.
- É do seu interesse.
- Diga logo.
- Tenho uma oferta sobre o restante da fazenda.
- Não está a venda...
- Sei que está. - O interrompi.
- Não está a venda para você, não para outros.
- O senhor poderia me dar um minuto da sua atenção, é uma proposta irrecusável.
- Venho em cinco minutos. - Falou para o empregado e começou a se dirigir para dentro. - Vamos ao meu escritório. - O segui silenciosa, mas sorrindo por dentro, passamos pela mesa e elas nos encararam acompanhando até nos perder de vista, entramos no escritório e ele fechou a porta.
- Qual sua proposta?
- $ 60.000,00 libras. - Ele ponderou por um tempo andando de um lado para o outro e parou dando sua resposta:
- Não.
- Já é bem mais do que elas valem, terá sorte se achar um comprador melhor que a mim.
- Não será um problema.
- O senhor tem algum problema com minha pessoa? Por que dificulta tanto as coisas.
- Se a oferta melhorar, poderemos conversar mais calmamente.
- $ 70.000,00 libras. - Propus.
- Ainda não é o suficiente.
- Mas, aquelas terras não estão valendo tudo isso. Quanto você quer?
- 100.000,00 libras. - Falou calmamente e quase me engasguei ao ouvir.
- Isso é um absurdo.
- Se não quiser ja sabe minha resposta. - Disse sentando na sua mesa e cruzando os braços.
- Elas nem são sua propriedade, pertencem a Jhonathan.
- Jhonatahn é um rapaz tolo, não sabe nada da vida, acha que o amor é prioridade.
- Talvez ele não esteja errado.
- Por que será que você concorda com ele? - Me perguntou levantando a sobrancelha como se soubesse de algo.
- Penso que se minha filha quiser casar com um homem simples eu permitirei desde que ela o ame.
- Por sua filha? Claro, só pensei que por você ter sido uma noiva jovem não estivesse apaixonada.
- O senhor está querendo dizer algo?
- Não.
- Então podemos voltar o foco?
- Claro.
- Obrigada.
- Eu tenho uma proposta.
- Qual?
Passamos o resto da manhã discutindo, propostas vieram e se foram, mas o senhor Lewistown me propôs uma condição e eu disse que ia pensar a respeito, porém as terras só passariam para o meu nome quando eu concluísse sua condição e eu estava tentada a ceder.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Freya & Johnathan
RomanceUm amor entre dois jovens que não podem assumir o relacionamento, sofrem barreiras para se afastarem. Freya uma jovem determinada está apaixonada por Johnathan Lewistown, dono da fazenda vizinha. Freya moça simples de família pequena esconde seus...
