Hoje era o dia, todos na casa acordaram cedo, dormimos na casa dos Lewistown para que ninguém se atrasasse, estava uma euforia pela casa, pessoas corriam, alguns berravam, Greta estava no quarto com algumas mulheres, Johnathan estava no escritório com seu pai, o meu, Dylan, e alguns amigos. Eu estava no quarto sentada me olhado na penteadeira, me encarei e tentei colocar um sorriso no rosto, mas ele se desfez, meu vestido que fora escolhido estava sobre a cama, eu precisava contar para alguém o que estava sentindo, não iria conseguir sentar-me na igreja e sorrir como se estivesse realmente feliz. Me levantei e sai do quarto, esbarrei em algumas pessoas que levavam a prataria, fui em direção ao escritório e bati a porta.
- Entre. - Ouvia-se um murmúrio de vozes, que cessou quando viram que era mulher.
- Querida, como vai? - Os homens estavam com copos na mão, alguns fumavam, Johnathan estava em pé sobre um banco de braços abertos enquanto o costureiro ajustava sua roupa.
- Não se acanhem rapazes, vejo que estão se divertindo. - Sorri para eles.
- A senhorita não deveria estar com sua irmã? - Perguntou um dos homens.
- Deveria, mas preciso falar com Dylan.
- Algum problema? - Ele se manifestou em meio a multidão.
- Não, só preciso falar com você. Será que os senhores me permitem que eu o roube por alguns minutos?
- Preciso do meu padrinho em cinco minutos. - Disse Johnathan.
- Claro senhor Lewistown, ele estará de volta mais rápido do que perceba.
- Eu já volto rapazes. - Disse ele pondo seu copo sobre a mesa.
- Obrigada. - Peguei em sua mão e saímos para o corredor.
- Tudo bem?
- Não, quero falar com você em lugar mais reservado. - Ele nada falou, só deixou que eu o levasse de volta ao meu quarto, tranquei a porta e ele ficou ali parado no meio.
- Está se sentindo bem?
- Não, eu preciso lhe contar uma coisa, mas não sei como.
- Tudo bem.
- Você lembra que eu lhe disse que estava apaixonada, certo?
- Sim.
- E se eu lhe contar quem é prometa que não vai me deixar?
- Prometo.
- Obrigada, eu amo ele, mas ele é comprometido agora, e eu quero esquece-lo para ser feliz ao seu lado.
- Quem é?
- Eu prometo que vou esquecer ele.
- Tudo bem, Freya. Pode dizer.
- Johnathan, estou apaixonada por Johnathan. - Ele não disse nada, não reagiu, não demonstrou expressão.
- E o que quer que eu faça?
- Nada, eu só precisava desabafar e achei justo que você soubesse.
- E o que aconteceu?
- Namorávamos a alguns anos escondidos, mas eu descobri que Greta havia sido prometida a ele e me afastei, juro que nunca houve nada, ele nunca me tocou.
- E o que você quer de mim?
- Quero que isso não nos afete, quero esquecer Johnathan.
- Tudo bem Freya, eu não posso julga-lá, você é uma mulher desejável, Johnathan é homem de desejos e não tínhamos nada.
- Obrigada, Dylan.
- Eu estarei com você sempre que precisar, inclusive agora. - Ele se aproximou e me abraçou.
- Obrigada por entender. - Falei com o rosto no seu paletó.
- Estarei aqui daqui em diante para ser tudo o que precisar, seu amigo, marido, confidente. - Ele segurou meu rosto em suas mãos.
- Achei que você não entenderia.
- Quero que demos certo.
- Eu também.
- Foi nobre sua atitude, e estou orgulhoso de você deixar sua irmã se casar com o homem que ama.
- Obrigada, muito obrigada. - Ele se aproximou mais e me beijou levemente, e eu gostei.
- Preciso lhe contar algo agora que desabafou comigo.
- Pode dizer.
- Freya, estou começando a sentir algo por você.
- Tudo bem, em breve eu corresponderei esse amor. - Me sentei na cama e ele foi até mim, nos abraçamos e ficamos um tempo deitados, Dylan olhou para o lado e falou:
- Esse é o seu vestido?
- Sim.
- Você pretende tirar a atenção da noiva?
- Não. - Sorri, era bom poder contar com alguém.
- Freya. - Bateram a porta.
- Sim? - Olhei nos olhos de Dylan e mamãe falou.
- Você não vai ver sua irmã?
- Sim, já vou.
- Não demore. - Ela não falou mais nada então deduzi que já estivesse ido.
- Acho que já se passaram cinco minutos.
- Realmente, vou voltar. - Ele se levantou e me ajudou ir até a porta e a destrancou, segurei seu rosto em minhas mãos e o beijei novamente.
- Obrigada. - E saímos para o corredor, ele foi para a direita e eu para esquerda até o cômodo onde elas se preparavam, bati a porta, e adentrei. Achei que o escritório estava uma bagunça, mas aqui estava pior, o vestido estava sobre uma cadeira, um biombo a esquerda, Greta sentada em frente a uma penteadeira, mamãe ao seu lado em pé, mulheres que eu não conhecia, reconheci amigas de Greta, havia roupas pelo chão.
- Pensei que não ia vir apoiar sua irmã.
- Estava ocupada. - Ela virou-se para mim.
- Por que não está pronta?
- Já vou me arrumar.
- Espero que esteja apresentável.
- O que deu em você? Está tão arrogante.
- Freya!
- Não grita comigo, nem casou e já se sente superior.
- Pensa que esta falando com quem?
- Está se achando superior?
- Meninas! - Mamãe interveio.
- Por favor, saia.
- Me desculpe irmã, estou nervosa. - Fui até ela e a beijei na cabeça.
- Tudo bem. - Disse se virando novamente ao espelho.
- Você está ficando linda.
- Obrigada.
- Eu vou me arrumar. - Voltei ao meu quarto e tranquei a porta, tomei um banho. Os quartos de visitas eram espaçosos, uma cama de casal, estantes, cômodas, biombo, lavabo, decoração rústica. Assim que acabei fui até o vestido que fora escolhido pela costureira, era longo, rosa, com espartilho, de mangas compridas com bordado. Vesti ele e quase perdi o fôlego, estava um pouco apertado, calcei o sapato, e fui para a penteadeira onde desembaracei meus cabelos, meu penteado fiz por conta própria, uma trança em cima da cabeça em forma de tiara, para finalizar coloquei um diadema de pérolas, me levantei e me encarei no espelho, eu estava linda. Voltei a salão das mulheres e Greta estava quase pronta, estava com seu vestido, penteados feito, só faltava colocar o véu. Era tradição que a noiva usasse um para espantar mau olhado e inveja.
- Você está maravilhosa. - Eu disse com lágrimas nos olhos.
- Obrigada, você também está linda. - Ela parecia uma princesa, seu vestido justo na parte superior e frouxo em baixo, na cintura uma faixa branca de seda, acima era de gola alta, com algumas pérolas, seu vestido era totalmente rendado. Sua maquiagem estava perfeita, um batom vermelho claro, sua sombra marrom. O cabelo estava em um coque alto, a única joia que usava era os brincos. Greta já era uma mulher linda, sua pele branca, cabelos e olhos castanhos escuros realçaram-se. Deseja eu poder ter a beleza dela. O casamento de Greta seria cum manum a mulher passava da autoridade do seu pai para a do marido. Assim que ela se casasse perderia todos os direitos do patrimônio e Johnathan assumiria. Não éramos como antigamente, nossa sociedade evoluirá muito, por exemplo sobre os pais da noiva terem que pagar o casamento já não acontecia mais, e o mais importante era que já acabara a ideia de que somente o homem era permitido trair e ser aceitável.
- Quanto tempo até o casamento começar? - Mamãe estava quieta quase chorando, ela também estava linda.
- Uma hora. - Respondeu uma mulher.
- Vou sair e deixar você mais a vontade. - Mandei um beijo para ela.
- Obrigada. - Sai dali para a igreja, não era longe, os Lewistown haviam construído desde que eu começará a ir, era uma igreja pequena, os bancos de madeiras enfileirados uns atrás dos outros, o tapete vermelho que levava ao altar, o assoalho suspeitava que nunca havia sido trocado, flores enfeitavam os bancos, as janelas coloridas iluminavam o local. Andei até a frente e me sentei, fiquei ali sozinha com meus pensamentos e rezei. Rezei por Greta, que fosse feliz, rezei por mim para que o esquecesse e aprende-se a a amar Dylan, rezei por Johnathan para que me esquecesse e amasse minha irmã. Fiquei um tempo sentada olhando pro nada até que um tempo depois pessoas começaram a chegar, deduzi que estava para começar, Johnathan chegou e se dirigiu a frente, ele estava lindo, seu pai e sua mãe o seguiram, minha mãe foi para o lado direito dele, papai não entrou por que ele levaria Greta ao altar. Dylan chegou e sentou-se ao meu lado entrelaçando nossos dedos. Uma música tocou e todos levantaram-se, uma pequena dama de honra entrou jogando flores de uma cesta no chão, segunda a tradição ela servia pra despistar os espíritos maus, depois Greta entrou com meu pai ao seu lado, ela estava com véu, e redondamente linda, eles caminharam até o altar onde meu pai a entregou a Johnathan e foi para o lado de minha mãe. Greta sorriu para Johnathan e se ajoelharam perante o padre, e todos sentamos.
- Noivos caríssimos, viestes à casa da Igreja para que o vosso propósito de contrair Matrimônio seja firmado com o sagrado selo de Deus, perante o ministro da Igreja e na presença da comunidade cristã. Cristo vai abençoar o vosso amor conjugal.
Ele, que já vos consagrou pelo santo Batismo, vai agora dotar-vos e fortalecer-vos com a graça especial de um novo Sacramento para poderdes assumir o dever de mútua e perpétua fidelidade e as demais obrigações do Matrimônio. Diante da Igreja, vou, pois, interrogar-vos sobre as vossas disposições.
Johnathan Lewistown e Greta Banker, viestes aqui para celebrar o vosso Matrimônio. É de vossa livre vontade e de todo o coração que pretendeis fazê-lo? - Perguntou o padre de braços abertos enquanto segurava um bíblia.
- Sim. - Greta respondeu, mas Johnathan exitou olhando para mim, desviei o olhar e abracei Dylan para mostrar que eu já não o queria.
- Sim. - Por fim respondeu voltando a atenção para frente.
- Vós que seguis o caminho do Matrimônio, estais decididos a amar-vos e a respeitar-vos, ao longo de toda a vossa vida?
- Estou, sim. - Responderam em uníssono. As mães choravam.
- Estais dispostos a receber amorosamente os filhos como dom de Deus e a educá-los segundo a lei de Cristo e da sua Igreja?
- Estou, sim. - Disseram.
Consentimento.
Os noivos uniram as mãos direitas e se olharam nos olhos.
- Eu Johnathan Lewistown, recebo-te por minha esposa a ti Greta Banker,
e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida. - A dama de honra se aproximou e eles pegaram as alianças, ele colocou a aliança na mão de Greta e pois um beijo em cima.
- Eu Greta Banker, recebo-te por meu esposo a ti Johnathan Lewistown, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida. - Ela colou a aliança na mão dele e pois um beijo. Eu afundei a cabeça na roupa de Dylan e ele me abraçou apertado.
Aceitação do consentimento
- Confirme o Senhor, benignamente,
o consentimento que manifestastes perante a sua Igreja, e Se digne enriquecer-vos com a sua bênção.
Não separe o homem o que Deus uniu.
O sacerdote convida os presentes ao louvor de Deus
- Bendigamos ao Senhor.
- Graças a Deus. - Disseram todos ali presentes e assim eles estavam casados, eles deram as mãos e se beijaram, agora era permitido em frente ao outros exibirem seus sentimentos.
Eles olharam para frente e receberam uma salva de palmas, enquanto seis testemunhas ficaram, mamãe e papai, senhor e senhora Lewistown, Dylan e eu, os outros foram para a saída esperar, assinamos um papel, eu abracei Greta fortemente e ela chorou em meu ombro. Dylan cumprimentava Johnathan, papai depois o cumprimentou, o senhor Lewistown veio abraçar Greta e dizer que ela era muito bem vinda na família. Após assinarmos e nos cumprimentar o padre saiu pela porta lateral, eu e os outros saímos na frente e nos deparamos com duas fileiras de cada lado da porta, nos dividimos um pouco para cada lado e nos entregaram arroz, Johnathan e Greta vieram vindo e jogaram o arroz, dizem que trás sorte ao casal e fertilidade.
***
A festa após a cerimônia foi maravilhosa uma grande mesa estava disposta com todo o tipo de comida e bebida, tocaram música e as pessoas dançavam, a hora da valsa dos noivos chegou e eles dançaram lindamente, Greta estava feliz e Johnathan também, mas achei que seu sorriso não era espontâneo. Quando tudo acabou, voltei para minha casa com meus pais e Dylan, Greta ficou com seu marido e foi para casa dela. A festa durará bastante, depois de muito já descansarmos e trocarmos de roupas, fizemos o jantar onde Dylan sentou-se a mesa conosco.
- Foi lindo o casamento.
- Realmente minha menina estava uma mulher maravilhosa. - Papai a elogiou.
- Acho que nunca vi Johnathan tão feliz. - Mamãe falou sem saber.
- Espero que nosso casamento seja assim repleto de alegrias. - Eu disse pegando sua mão sobre a mesa, não é que eu amasse, mas estava me esforçando.
- Tenho certeza que sim. - Ele a apertou.
- Dylan temos algumas dúvidas sobre seu casamento com Freya. - Disse mamãe e fiquei curiosa.
- Como o que senhora?
- Quando vocês se casarem Freya vai embora?
- Sim, eu preciso cuidar da minha fazenda e não tem como morarmos aqui.
- E viram nos ver?
- Claro, a senhora não se preocupe, não afastarei de vocês, e podem ir nos visitar quando quiserem, eu mando alguém vir busca-los.
- Obrigado querido, nossa maior preocupação era que ela se afastasse.
- Não se preocupe mamãe.
- Com isso não precisam se preocupar.
- E quando vão embora?
- Ainda não conversei com Freya sobre isso, não quero arranca-lá do seu mundo de uma hora pra outra.
- Podíamos ir uma semana depois de casarmos, que tal? - Propus a ele.
- Parece ótimo.
- Sentirei tanta falta de minhas meninas.
- Mamãe não se estresse com essas coisas, estaremos aqui.
- Tudo bem, querida. - Comemos nossa refeição e eu limpei a louça, depois fui para o lavabo e tomei banho, a água gelada caiu sobre meu corpo me fazendo estremecer, depois de limpa voltei para dentro e tranquei a porta. Me deparei com mamãe ainda de pé.
- Dylan irá dormir aqui hoje, decidimos que seria melhor dar privacidade aos noivos.
- Por mim tudo bem. - Disse andando andando até eles, mamãe havia colocado um travesseiro e uma coberta no sofá.
- Espero não incomoda-los.
- Não tem problema, querido. Eu irei me deitar, boa noite.
- Boa noite, mamãe.
- Boa noite, senhora Banker. - Ela se virou e se foi, Dylan tirou seu casaco, sua botina, seu outro casaco e ficou com uma camisa fina. E foi ao sofá onde se ajeitou. Fui até ele andando parei em sua frente.
- Tudo bem?
- Acho que sim. - Me deitei no sofá com ele, era um pouco apertado, mas demos um jeito, deitei com minha cabeça em seu braço e brinquei com sua camisa enquanto o olhava.
- Você acha que um dia poderá me amar? - Perguntou.
- Sim. - Coloquei minha mão por dentro da sua camisa e acariciei seu peito.
- Freya, não. - Ele disse segurando minha mão.
- Por favor. - Beijei seu queixo.
- Não, Freya. - Ele recuou a cabeça para trás.
- Eu preciso ser amada.
- Não desse jeito, você só está assim porque está magoada.
- Não Dylan, preciso do seu carinho.
- Freya, eu quero te dar todo o carinho que merece, mas não assim.
- Tem razão, me desculpe.
- Tudo bem, estarei aqui. - Ele me abraçou e fiquei com a cabeça em seu peito. Ele dormiu, mas eu não consegui, analisei seu rosto, e ele era um homem bonito. Agora a esta hora Johnathan já deve ter possuído minha irmã e feito dela sua mulher. Eu quero esquece-lo e Dylan irá me ajudar.
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Freya & Johnathan
RomantikUm amor entre dois jovens que não podem assumir o relacionamento, sofrem barreiras para se afastarem. Freya uma jovem determinada está apaixonada por Johnathan Lewistown, dono da fazenda vizinha. Freya moça simples de família pequena esconde seus...
