Acordei e minha mente encheu com momentos de antes de eu apagar, a primeira coisa que fiz foi olhar para a minha barriga... Ela estava grande ainda, então sorri, pensei que perderia meu filho, acaricie minha barriga e agradeci por ter dado tudo certo. Eu estava coberta, com uma roupa limpa, a porta estava fechada, mas a janela aberta fazia entrar um pouco de vento. Me levantei com dificuldade e meus pés descalços caminharam para o corredor, andei até a sala e não encontrei ninguém, fui a cozinha e também estava vazia, ao passar pelo escritório vi Johnathan olhando pela janela.
- Onde estão todos? - Ele se virou e me encarou.
- Você não pode estar de pé.
- Estou bem, onde está todo mundo?
- Você precisa se deitar. Dylan saiu com meu pai, e as mulheres foram dar uma volta. - Ele me guiou de volta ao quarto e me ajudou a deitar.
- Está tudo bem com o meu filho?
- Está, a parteira conseguiu parar o sangramento e disse que foi sua secundina que havia se deslocado, ela orientou que você não se levante até o bebê nascer.
- O importante é que ele esteja bem.
- Sinto muito, Freya. - Ele se sentou na cama.
- Tudo bem, você não tem culpa.
- Fiquei com medo de perder você.
- Eu não ia me entregar a morte tão facilmente.
- E você está bem?
- Estou.
- Tem algo que eu possa fazer por você?
- Já que perguntou eu queria uma coisa...
- Por você qualquer coisa.
- Quero a fazenda de volta ou o que sobrou dela. - Ele exitou.
- Freya...
- Johnathan, por favor. Preciso reconstruir aquilo que meu pai mais amava.
- Eu não tenho controle.
- Por favor.
- Posso tentar.
- Eu ficaria muito grata.
- Por você eu tento.
- Obrigada. - Sorri.
- Eu te amo, Freya. - E o sorriso se desfez.
- Não, Johnathan.
- Eu a amo ainda, mesmo depois desses anos não consegui esquecer você. Sei que é errado, mas é amor.
- Johnathan eu quero que você não se aproxime de mim durante o tempo em que eu ficar aqui.
- Não posso, já fiquei 6 anos longe.
- Então não será tão difícil ficar dois meses.
- Mas antes eu não podia toca-lá.
- E ainda não pode.
- Mas...
- Esqueça, quero que tudo seja bom para que Carrye possa aproveitar, por que se tudo correr bem talvez possamos vir mais vezes.
- Tudo bem, eu vou respeitar sua vontade.
- Obrigada.
- E do que ela mais gosta? - Quem sabe eu e ele não pudêssemos ser bons amigos.
- Você vai gostar dela, ela é fascinante. Gosta de tocar piano.
- Talvez eu possa ensiná-lá um pouco.
- Quem sabe, verá que ela aprende muito rápido. E também ela gosta de fazer amizades, de ler histórias.
- É uma menina muito bonita.
- Realmente, e carinhosa precisa ver.
- Será que ela vai gostar de mim? - Eles nunca se viram antes, hoje havia sido a primeira vez, Johnathan só a conhecia por fotos e pelas coisas que minha mãe contava.
- Tenho certeza que sim.
- Seria muito bom.
Passamos um tempo falando sobre Carrye, ele realmente parecia estar se importando, depois falamos sobre meu pai e Johnathan me contou como foi o último ano dele, que estava cansado e doente.
Minha mãe chegou com Carrye para me ver e perguntar se o bebê estava bem, respondi que sim e ela saiu para fazer outras coisas, Carrye ficou parada na soleira da porta.
- Venha cá, querida. - Ela veio até mim encarando Johnathan.
- Tudo bem?
- Está sim. Quero que conheça alguém, esse é o Johnathan seu tio, marido da tia Greta.
- Oi. - Disse ela para ele.
- Oi, que olhos bonitos você tem. - Ela olhou para mim com vergonha.
- Como se diz?
- Obrigada.
- Eu soube que você gosta de tocar piano, é verdade?
- Sim, senhor. - Ela estava um pouco tímida ainda.
- Eu posso te ensinar.
- Você sabe tocar?
- Sei, estou um pouco enferrujado.
- Legal.
- E do que mais você gosta?
- Doces, a tia Marta fazia uma comida muito boa. Não é mamãe?
- É sim.
- Por que você não tem filhos?
- Carrye! - A repreendi.
- Tudo bem, eu e sua tia não conseguimos ainda.
- Você sabia que eu vou ter um irmão?
- Sim, estou animado para que ele nasça logo.
- Eu também, quero um irmão pra brincar.
- Enquanto ele não nasce eu posso ser seu amigo, que tal?
- OK. - Eu os observava, ela com certeza iria gostar dele.
- Com licença. - Uma copeira bateu a porta.
- Sim? - Perguntou Johnathan.
- O café está servido.
- Obrigado por avisar. - E ela saiu.
- Vamos? - Perguntou Johnathan a nós.
- Simm. - Disse Carrye animada.
- Claro. - Jhonatahn me ajudou a me levantar, e olhei pela janela e vi que o sol estava forte.
- Que horas são?
- Talvez umas 4h da tarde.
- Pensei que eu tivesse ficado desacordada por pouco tempo.
- Não, quase 9 horas.
Ele estava ali tão próximo de mim, me segurando em seus braços.
Nós seguimos para a sala de jantar onde Carrye que havia corrido na frente estava ajoelhada em cima da cadeira beslincando o bolo de chocolate. A senhora Asheley colocava uma xícara de café para Carrye, minha mãe passava manteiga em uma torrada para ela, eu já estava prevendo que as duas iam mima-lá, me sentei na cadeira do meio e fiquei do lado de Johnathan e Carrye, minha mãe e Asheley na nossa frente.
- Boa tarde, Freya.
- Boa tarde, senhora Lewistown.
- Como está o bebê?
- Bem. - Jhonatahn havia sido o único que perguntou se eu estava bem, me sentei e comecei a me servir.
- Dylan foi a onde?
- Ele foi conversar com Clark sobre o que aconteceu.
- Carrye? - Chamei ela.
- Sim. - E parou de comer e me olhou.
- Onde vocês foram passear?
- Vovó me levou para ver a antiga casa de vocês, depois fomos tomar chá.
- Parece que se divertiu.
- Bastante. - E voltou a comer.
- A fazenda está a venda ainda? - Perguntei me dirigindo a elas.
- Sim, um pouco ainda sobrou.
- Eu como já estava comentando com Dylan e Johnathan pretendo comprar a fazenda de volta.
- Não querida, ele não venderia para você.
- Ele não precisa saber que sou eu que estou comprando, e posso muito bem administrá-la, em Houston administrei a fazenda e digo que fiz um ótimo trabalho.
- Não duvido disso, mas você não pode fazer nenhum esforço no momento.
- Eu estou bem, o bebê está bem, não a nada de errado.
- Mas devemos evitar questões surpresas.
- Tudo bem.
- Eu pensei em aos poucos comprar o campo e devolver a produtividade daquelas terras, quero tornar de volta aquilo que um dia ja foi.
- Seu pai ficaria feliz.
Terminamos nosso café e a mesa foi retirada, Carrye correu para o quintal nos fundos da casa e minha mãe foi atrás.
- Johnathan.
- Sim?
- Me leve a fazenda, por favor.
- Claro. - Me levantei da mesa e me despedi da senhora Asheley e fomos para a rua onde ele me colocou na charrete e foi a frente dirigindo.
Olhei para fora pela janela e observei a paisagem passar, minutos depois a charrete parou.
- As coisas mudaram um pouco. - Disse ele abrindo a porta.
- Ok. - Ele me ajudou a descer e olhei ao redor. Não vi nada que me recordasse o que aquele lugar já fora, o que me prendeu a atenção foi uma choupana caindo aos pedaços.
- Essa é a minha casa? - Perguntei incrédula ao vê-lá destruída pelo tempo.
- Infelizmente. - Andei até a varanda e o assoalho rangeu sob o meu peso, a porta estralou quando a abri, dentro um cheiro podre me tomou e procurei ao redor e vi um rato morto, as paredes estavam encaruchadas, os móveis que sobrará e as janelas cobertas por panos rasgados quebrados, tudo estava caindo aos pedaços.
- O que aconteceu?
- Nada, a casa foi abandonada e o tempo a castigou. - Eu andei até a janela e puxei o pano para que entrasse um pouco de claridade, poeira voou no recinto e eu espirrei.
Larguei o pano sobre a velha cadeira de Greta que estava jogada no canto do cômodo e andei para a cozinha, lá a poeira havia tomado conta, teias de aranha iam de panelas a outras penduradas, Johnathan andava atrás de mim, fui a porta dos fundos e a forcei para que abrisse, esperei ver a sombra das grandes macieiras, mas não havia nenhuma de pé, o celeiro também já não tinha mais, somente a estrutura.
- Cadê o celeiro? - Perguntei me virando.
- Do poço para lá já não são mais suas terras, antes que pergunte também não tem mais ovelhas.
- Por que permitiu que isso acontecesse?
- Não tive escolha.
- Aposto que poderia ter mudado o rumo de algumas delas.
- Freya, se eu tivesse o controle das coisas nada seria como é.
- Mas você já sabe como vai conseguir me dar as terras?
- Ainda não, terei que convencer meu pai.
- Se for preciso eu as compro, dinheiro não é problema.
- Não quero que você tenha que compra-las, você sempre amou cada pedaço disso tudo, foi injusto você perde-las só porque não era a primogênita.
- Mas temos que nos acostumar com as injustiças da vida. - Andei alguns passos a frente e rodopiei.
- Por que ficou tanto tempo longe de mim? - Ele tocou no assunto em que estive evitando, parado atrás de mim com as mãos pendendo ao lado do corpo, pensei que talvez devesse a ele alguma explicação.
- Porque eu o amava demais para ficar, precisava partir para ser feliz. - Eu fitei o horizonte a frente sem querer encara-lo.
- E pensou em mim?
- Todos os dias. - Essa era a verdade.
- Foi recíproco, pois saiba que todos os dias esperei ver você chegar.
- Lamento fazê-lo esperar por uma coisa que nunca ia acontecer.
- Tudo bem, Freya. Você é aquela pessoa que vale amar mesmo não sendo correspondido.
- Eu o amo Johnathan Lewistown. - Falei me virando e ele sorriu. - O amo como um amigo, meu melhor amigo.
- Eu não quero sua amizade.
- Mas é tudo o que terá. Nos amamos quando adolescentes bobos e jovens sem noção das consequências.
- Meu amor não era tão pouco para se acabar assim.
- Me desculpe pelo desgosto que lhe causei, mas me apaixonei por Dylan.
- Mas negue para mim Freya, olhando nos meus olhos.
- Você me prometeu que não iria insistir.
- Algumas promessas devem ser quebradas.
- Jhonatahn eu te amo, é claro que amo, seria hipocrisia se dissesse o contrário, mas o que tenho é consideração por nossa amizade, carinho pelos momentos que tivemos.
- Queria que tivéssemos um futuro.
- E temos, não sabe o quanto sou feliz, Dylan me surpreendeu sendo um ótimo marido.
- Freya. Freya. Tantas coisas aconteceram enquanto esteve fora, coisas que não me orgulho, mas prometo lhe contar.
- Você diz coisas que não entendo.
- Eu prometo que para Carrye serei o melhor tio, para Dylan o velho primo e para você o que quiser.
- Eu amo Dylan e jamais estarei disposta a trai-lo.
- Não estou pedindo para ser infiel.
- O que quer? Pra mim você já esta morto.
- Nada. - De um minuto para o outro parece ter desistido do que pretendia.
- Me diz todas as coisas sem nenhum objetivo?
- Freya meu maior objetivo na vida é vê-lá feliz, amor é você ver a pessoa que gosta feliz, mesmo ao lado de outro e estar feliz por isso. - Jhonatahn eu o amava sim, mas amava Dylan, amava minha irmã, amava a mim e por isso preferi esquecer tudo o que tivemos e consegui, hoje posso dizer que sou feliz, mas não da angústia que esse homem sofre.
- E eu te amo o suficiente para saber que o melhor é você ficar ao lado de Dylan. - Ele me deu as costas e disse sobre o ombro que me esperaria na charrete e que a conversa que tivemos não mudaria nada sobre sermos amigos, sozinha andei pelo local até cansar.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Freya & Johnathan
RomanceUm amor entre dois jovens que não podem assumir o relacionamento, sofrem barreiras para se afastarem. Freya uma jovem determinada está apaixonada por Johnathan Lewistown, dono da fazenda vizinha. Freya moça simples de família pequena esconde seus...
