Reta Final

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Acordei dolorida, minhas costas doíam por ter dormido no chão.
- Dylan, acorde. - Chamei para que ele se vestisse antes que alguém chegasse e nos visse daquela maneira. Me levantei nua e puxei meu vestido que Dylan estava deitado em cima, com força puxei e me vesti, ele enrolou alguns minutos depois se levantou e se vestiu.
- Estou dolorido. - Ele falou estralando as costas.
- Bom dia.
- Bom dia, querida. - Ele andou até mim e me beijou na testa.
- Vamos para casa?
- Vamos. - Andamos em direção a fazenda Lewistown e na metade do caminho cruzamos com homens que estavam indo trabalhar na construção. E sorrimos.
Adentramos na casa e no corredor a caminho do nosso quarto esbarramos em Johnathan.
- Bom dia. - Disse nos analisando.
- Bom dia, Johnathan.
- Dormiram fora?
- Não, acordamos cedo para um passeio.
- Não ouvi vocês chegarem.
- Realmente, quando chegamos já estavam dormindo.
- Com licença, primo, mas precisamos nos recolher. - Falou Dylan segurando no meu ombro e me empurrando em direção ao quarto.
- Irei tomar um banho. - Tirei o pingente que ele me deu e coloquei sobre o criado mudo.
- Dylan, você por favor peça para que mandem buscar Carrye.
- Claro. - Andei até o banheiro e me lavei.
Após sair vi que Dylan já não estava mais no quarto, me vesti com um vestido salmão e coloquei o pingente novamente, fui em direção ao quarto de Charles para poder ficar um tempo com ele, mas estava vazio, procurei na cozinha não estava lá, vi Johnathan no escritório e fui em sua direção.
- Johnathan. - Ele estava na janela e se virou.
- Sim.
- Você viu Charles?
- Sim, estou vendo ele daqui. - Falou virando as costas e olhando para a rua, andei até ele e coloquei a cabeça para fora da janela e vi Greta sentada em uma cadeira sob um árvore com Charles no colo.
- Obrigada. - Falei virando as costas.
- Espere. - Disse ele e eu parei.
- Sim. - Ele nada disse só ficou parado me olhando.
-Johnathan, está tudo bem? - Ele acenou com a cabeça afirmativamente, mas não me convenceu.
- Pode me contar. - Caminhei até ele e coloquei a mão em seu braço.
- Estou bem. - Falou com a voz embargada, encarei seus olhos e os vi cheio de lágrimas contidas.
- O que houve?
- Nada que você tenha que se preocupar, você não queria ver Charles?
- Sim, mas estou preocupada com você.
- Estou bem, Freya. - Analisei aquele rosto que ja me trouxera tanta felicidade.
- Estou aqui sempre que precisar. - Falei e ele me deu um sorriso amarelo.
- Preciso de um abraço. - Disse colocando a mão em meu ombro e escorregado ela até segurar em minha mão.
- Não acho que seja prudente.
- Não é nada de mais. - Saímos da frente da janela para caso Greta olhasse não nos visse.
- Tudo bem. - Ele se aproximou de mim vagarosamente e passou seus braços fortes pela minha cintura enquanto eu abracei seu pescoço, ele repousou sua cabeça em meu ombro e exalou profundamente fazendo com que me arrepia-se.
- O que está lhe afligindo? - Perguntei acariciando seus cabelos.
- Estou bem, só preciso de um ombro amigo.
- Pode confiar em mim, Johnathan.
- Sei que posso, mas a coisas que nem mesmo eu entendo. - Eu não ia soltar ele e nem pretendia, mas foi ele quem me soltou. Me encarou e sorriu.
- Obrigado.
- Pelo o quê?
- Por me esclarecer.
- Mas eu não disse nada.
- Eu sei, mesmo assim, obrigado.
- De nada, eu acho. - Ele se aproximou e me beijou na bochecha e saiu da sala me deixando ali confusa pelo que havia acabado de acontecer. Balancei a cabeça me livrando dos últimos minutos e fui em direção ao jardim.
- Greta. - Coloquei a mão em seu ombro e baixei para lhe dar um beijo na bochecha.
- Bom dia, Freya.
- Posso segura-lo? - Perguntei.
- Claro. - Ela se levantou da cadeira e me entregou Charles para que eu me sentasse.
- Parece feliz. - Comentou sorrindo.
- Estou. - Acariciei o meu bebê e observei sua face.
- Como foi ontem?
- Bem, passeamos pelo mercado e ele me deu este colar, depois fomos a ópera, mas Dylan achou que fosse um teatro, em seguida fomos jantar. - Greta se encostou na árvore e sentou-se no chão.
- E dormiram onde, pois não ouvi vocês chegarem?
- Na nossa casa. - Ela riu.
- Vocês dormiram no chão?
- Sim, e a propósito obrigada por cuidar de Charles para mim.
- Foi um prazer, talvez eu fosse uma boa mãe.
- Tenho certeza que sim. - Olhei para a janela e vi que Johnathan havia voltado, mas estava de costas, e pensei: você seria um ótimo pai.
- Se nós viéssemos morar aqui você se incomodaria?
- Não, por que vocês vão? - Por que quando você diz uma coisa as pessoas têm que contestar?
- Não sei, se você não se importar.
- Não tem porque, adoraria ter você e as crianças por perto.
- Dylan concordou que nos mudássemos.
- Então não vejo problema.
- Eu não gostaria de ficar perto de Johnathan.
- Você ja esqueceu ele, não é?
- Sim.
- E eu estou disposta a ignorar tudo e recomeçarmos um novo capítulo.
- Obrigada, irmã.

***

- Carrye não pode correr dentro de casa e tome cuidado. - Ela me ignorou e partiu correndo pelo corredor.
- Freya, acalme-se. - Dylan passou os braços por mim e me apertou em um abraço.
- Estou calma, só quero que fique tudo como sempre quis.
- Eu sei querida, se precisar de mim estarei aqui. - Me afastei e fui até a porta onde os homens entravam com os móveis para nossa casa finalmente concluída. Eu repeti as mesmas frases durante o dia.
- Senhor! Senhor cuidado com isso!
- Ai não, mais para cá.
- Está torto.
- Tome cuidado.
- Por favor, leve isso para o escritório.
- Carrye, pare de correr!
- Freya, meu amor, por favor você está parecendo uma louca. - Dylan voltou novamente e me puxou pelos braços.
- Dylan, eu preciso organizar as coisas.
- Não, não precisa. Venha sua mãe esta chamando todos.
- Para que?
- Ela quer lhe contar algo. - Ele me tomou pelas mãos e me levou para fora da casa.
- Carrye, querida, venha aqui. - Ela veio correndo e se juntou a nós.
- Vamos morar pra sempre aqui? - Ela perguntou.
- Sim, querida. - Caminhos rumo a fazenda Lewistown.
- Onde vamos?
- Sua vó está nos chamando.
- Cadê o Charles? - Perguntou pelo irmão.
- Tia Greta está com ele.
- E.. - Se permitisse Carrye falaria durante horas e horas.
- Deu de perguntas, mocinha. - Caminhamos juntos conversando e rindo o tempo todo, Carrye corria na frente, Dylan tagarelava sobre negócios e família, e eu simplesmente concordava.
Quando chegamos Carrye passou correndo pela porta e a encontramos sentada no sofá com todos reunidos.
- Uau. - Exclamei surpresa.
- Reunião de família? - Perguntou Dylan.
- Mamãe tem algo a contar. - Greta falou com Charles no colo e com Johnathan atrás de si, a senhora Ashley estava sorridente na poltrona.
- Freya, seu pai ja se foi a algum tempo e eu... - Ela enrolou e Dylan tomou a frente.
- Sua mãe quer dizer que ela tem o direito de se apaixonar novamente.
- Eu sei, não discordo.
- Euireimecasarnovamente. - Ela falou rápido e as palavras pareceram engatadas umas as outras.
- Verdade? - Falei sorrindo.
- Sim.
- Estou tão feliz. - Andei até ela e a abracei, olhei ao redor e vi todos me encarando.
- Tem algo a mais?
- Não, é que achamos que você não reagiria bem. - Comentou Johnathan enquanto alisava os braços de Greta.
- Estou contente, só preciso saber quem é?
- Billy Fletcher. - Busquei na memória até encontrar o rosto de quem pertencia aquele nome.
- O homem que trabalha no celeiro?
- Sim.
- Ele não é casado?
- Viúvo.
- Tudo bem, se você está feliz eu fico feliz.
- Obrigada querida.

Freya & JohnathanHistórias para pegar e não largar. Descubra agora