1 semana

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Assim que chegamos Carrye foi para o seu quarto e ficou lá, instalei minha mãe no quarto de hóspedes e a apresentei a casa e os empregados, era a primeira vez que vinha aqui. A casa estava impecável, brilhando como uma joia, arejada, passei pelo corredor com nossas pinturas, os vasos de plantas, olhei a frente para a porta dos fundos que dava ao quintal e vi a grama verde escura, parei em frente a porta de Carrye e bati, ela não me respondeu.
- Carrye, é a mamãe, posso entrar? - A porta se abriu e la estava ela se segurando na maçaneta com os pés descalços.
- Tudo bem? - Perguntei e ela acenou com a cabeça.
- Por que não vai brincar com Simon? - Acenou negativamente e foi até sua mesinha e se sentou, entrei no quarto e caminhei me sentando a beira da cama.
- Você quer conversar comigo? - Ela não me respondeu e pegou uma folha para desenhar, fiquei com dó da minha menina e a analisei. No momento ela se recusava a falar e eu respeitava isso, entendia que tem momentos que não queremos conversar, todavia eu estaria ali caso ela precisasse a qualquer momento. Fiquei sentada caso ela quisesse conversar, porém meus pensamentos flutuaram para longe como o vento. Primeiro analisei sobre o que poderia ter acontecido a ela e a hipótese que martelava em minha mente como uma terrível tempestade era o abuso, talvez ela tivesse sido abusada e estava receosa de me contar, mas como eu iria saber a verdade? Minha forma de procedimento seria mostrar conforto e segurança, para que ela se sentisse a vontade. Agora minha maior preocupação era quem? Jhonathan? Ele era quem mais estava próximo dela nos últimos dias, mas eu me negava a acreditar que ele pudesse ter a ferido.
Analisei meu casamento desde os primeiros dias quando assinei o sobrenome, eu e Dylan não éramos um casal que seguia os padrões da nossa sociedade, nós mulheres somos criadas para serem submissas aos homens, que devemos ser aquelas moças virgens esperando pelo casamento, esperando pelo marido com sua refeição pronta para que ele se alimentasse bem porque trabalhava fora e nos continuarmos a limpar mecanicamente por somente ser uma dona do lar, onde o homem ele é o dono de nossa vida, liberdade, escolhas, prazeres, amigos e etc. É aceitável que um homem bata ou traia sua esposa, dizem que é porque ele é homem e é esperado esse comportamento, por isso Greta e a senhora Lewistown ficam caladas, o homem também prática o ato do sexo somente pensando em seu prazer e parando somente quando se sente satisfeito, negando qualquer desejo de sua esposa. Contanto minha realidade com Dylan era outra, ele pensava em mim e no meu bem, fazia o possível -coisa que não era visto com frequência- para me agradar, eu acredito que somos um pouco rebeldes que não nos ajustamos aos padrões impostos, pensamos que o casamento é uma parceira e não somente um sobrenome ao qual eu me submetia a assinar Lewistown e lhe dar filhos se ele em troca me proporcionasse uma vida boa. Ele se surpreenderá de conseguir encontrar uma mulher como a mim, eu mesma não conhecia outra que tivesse a coragem de enfrentar um grupo de homens, eu já mostrei meu valor e ele soube reconhecer, minha inteligência era no mesmo patamar que a dele e de outros senhores que se achavam importantes, ou até mesmo maior. Eu como ja fiz varias vezes me fiz de boa esposa, que segue o padrão na frente de outros para zelar pela masculinidade que Dylan deveria ter ao controlar sua esposa. Eu ainda tinha esperança que tudo mudasse algum dia, que nós mulheres pudéssemos sair na rua, escolher nossas roupas, porque somente homens devem usar calças se são tão confortáveis, que não fossemos separados por classes, um mundo onde tanto aquele pobre camponês quanto aquele que nascerá em berço de família rica pudessem ter as mesmas condições. Todavia não era assim.
A porta rangeu abrindo-se e a copeira pediu licença.
- Senhora Lewistown desculpe-me por interrompe-lá, mas o senhor White está aqui.
- Tudo bem, diga que já vou.
- Com licença. - E saiu, olhei para Carrye que continuava a desenhar, depois me levantei e segui para a sala onde o senhor White, um velho baixo, gordo, de dentes amarelos pelo fumo e careca esperava-me em pé olhando ao redor.
- Senhor White que prazer te-lo em minha casa.
- Senhora Lewistown. - Ele fez uma reverência me cumprimentando.
- O que devo a sua visita?
- Eu gostaria de falar com seu marido.
- No momento ele não se encontra na cidade, mas eu estou cuidando de qualquer eventualidade, se o senhor precisar estou a disposição. - Ele deu um sorriso de escárnio.
- Você cuidando da fazenda?
- Sim senhor.
- Dylan perdeu o juízo?
- Eu exijo respeito em minha casa, se não esta satisfeito retire-se por favor. - Ele me olhou com um olhar que eu não soube interpretar, mas achei que pudesse ser sobre como eu ousava dirigir-me assim a ele.
- A senhora sabe ler? - Eu ainda me admirava por essas coisas acontecerem, os homens que frequentavam minha casa achavam que eu era uma escrava, que servia somente para servir e não sabia nada além de cozinhar, passar e limpar.
- Eu acredito que até melhor que o senhor.
- Senhora está perdendo as estribeiras de se dirigir a mim assim.
- O senhor vem a minha casa e ainda me ofende, acha que tem direito de reclamar?
- Se você está mesmo cuidando da fazenda quanto é a proposta que eu faço sobre as cabeças de gado?
- 30.000,00 libras.
- Claro, a senhora pode me informar quanto Dylan voltará?
- Em um mês ou dois.
- Então eu esperarei por ele.
- Porém o senhor não tem um mês, deve fechar negócio o mais rápido possível.
- Só tratarei de negócios com o homem da casa.
- Então considere negócios cancelados.
- A senhora está cometendo um erro.
- Se o senhor já acabou, por favor retire-se. - Ele pegou sua maleta que estava pousada no chão.
- Prazer em vê-la. - Disse me dando um aperto de mão.
- Eu o acompanho até a porta. - O dirigi a saída onde uma charrete o esperava, ele foi embora e eu voltei para dentro e vi minha mãe parada atrás do sofá.
- Oi.
- Oi.
- Como a senhora está?
- Bem, seu pai iria adorar estar aqui.
- Realmente.
- O que houve com Carrye? - Andei até o sofá e sentei-me, minha mãe andou e sentou-se ao meu lado.
- Eu não sei.
- Então por que viemos embora?
- Eu notei que ela andava estranha nos últimos dias e comentei com Dylan a respeito, e ele falou com ela.
- O que ele disse?
- Eu estava no quarto, então eles chegaram e Carrye estava chorando, perguntei o que tinha acontecido e ela negou-se a falar, somente se levantou e foi até o quarto e pegou de baixo da cama um vestido rasgado com sangue.
- Talvez ela tivesse machucado-se.
- Não mãe, perguntei quem tinha feito aquilo e ela disse foi Ele, mas eu não sei quem.
- Freya querida, tenho certeza que não aconteceu nada de mais.
- Não importa, não devíamos ter saído daqui.
- Mas você abandonou tudo, seu marido.
- Carrye é meu tudo. Sei que Dylan poderia fazer o que quisesse por eu ter saído daquele jeito, mas ele me compreende e sabe que ela tinha que voltar pra casa.
- Freya, o que você acha que aconteceu? - Ela falou pausadamente.
- Não quero imaginar nada a respeito disso, agora estamos em casa e ela vai voltar a sua rotina, Simon seu amigo vai vir vê-lá, as aulas vão distrai-la.
- E o que você vai fazer da sua vida?
- Como? - Sua pergunta eu não entendi.
- Dois filhos, um marido, uma casa, duas fazendas...
- Ah, mãe, você sabe que se depender dos homens, eles que regem tudo, vou cuidar dos meus filhos, mas ao mesmo tempo posso trabalhar, mesmo que ninguém saiba porque se não o trabalho de uma mulher é inútil.
- Freya você não apreendeu mesmo, depois de todos esses anos ainda insisti em querer tomar atitudes que não cabem a uma mulher.
- Não irei permitir que alguém rotule minhas atitudes, papai me ensinou isso, ele queria que eu fosse o que quisesse, ensinou-me a ter persistência.
- Sei, mas eu disse, mostrei, lhe ensinei como devia agir, falar, cozinhar, costurar, passar, veja se Greta não se saiu perfeita. - Não entendi muito bem, mas acho que ela quis dizer que Greta a enchia de orgulho e eu não.
- Eu sou feliz ao meu modo e isso é o importante, a senhora devia ficar contente por mim conseguir ser quem eu realmente quero ser. - Ela falava cada palavra olhando em meus olhos, e eu encarei as suas órbitas castanhas escuras e enxerguei sua alma.
- Eu fico feliz Freya, mas eu temo por você, aquele homem que estava aqui sei que ele era importante pois Dylan conversou comigo sobre tudo que envolvia seu mundo, você não teme e esse é o problema, o medo é o melhor amigo da gente, sem ele estaríamos mortos, ele que nos mantém alertas. Sei que ele controla quase todas as produções de Houston e você o desafiou, me preocupo com seus filhos, você está pensando no bem dessa criança? Desde que passou por aquele trauma não repousou nenhuma vez.
- Mãe, aprecio seus anseios, mas não se preocupe comigo. - Depois de todos esses anos, agora que ela começará a abrir os olhos e ver que tinha outra filha além de Greta.
- Por que agora está se preocupando comigo? Sempre preferiu Greta. - Ele segurou em minhas mãos.
- Não diga isso, pensei em você Freya todos os dias, pensando na sua saúde, no seu bem, tinha medo que você estivesse mentindo pelas cartas, em Cambridge tínhamos uma realidade diferente e achei que Dylan não fosse um marido a sua altura. E eu nunca preferi uma filha mais que a outra, peço perdão se dei a entender, mas eu ajudava mais Greta pois ela era mais frágil, você Freya sempre foi uma mulher forte, nunca precisou de mim.
- Não sabe quantas vezes me deitei pensando que era uma filha renegada.
- Desculpe-me querida, mas essa não era minha intenção.
- Tudo bem, agora faz parte do passado, não tenho como voltar. - Levantei-me e soltei sua mão, ela encarou-me sentada.
- Freya, eu gostaria de pedir para que você me contasse tudo que lhe aflige daqui em diante.
- Tudo bem, eu preciso ir ao escritório escrever uma carta se me der licença.
- Claro, desculpe ocupar o seu tempo.
- Com licença. - Levantei-me e segui para o escritório e pensei tudo no que minha mãe me disse, agora eu entendia porque ela agia daquela maneira comigo, mas isso não muda o fato de eu ter passado metade da minha vida achando que ela não me amasse.

Freya & JohnathanHistórias para pegar e não largar. Descubra agora