- Bom dia, querida. - Mamãe estava me encarando.
- Bom dia, mamãe.
- Johnathan chegou, acho melhor você ir se arrumar.
- Tudo bem. - Fui para o lavabo e tomei banho rapidamente, vesti um vestido azul de mangas compridas que a senhora Ashley havia me dado, penteei meus cabelos e amarrei um pedaço para que não caísse nos olhos, vesti minha bota e fui até a cozinha e peguei uma maçã. Andei até a sala onde Johnathan estava sentado conversando com minha mãe, ele estava muito bonito, com um casaco cor de creme, calças pretas, seus cabelos castanhos jogados para o lado.
- Bom dia, senhorita.
- Bom dia, senhor Lewistown.
- Então você vai me levar ao meu futuro marido?
- Sim, senhorita.
- Boa sorte. - Mamãe me deu um beijo em minha testa.
- Vamos, senhorita?
- Tchau mamãe.
- Tchau, querida. - Montamos em nossos cavalos e cavalgamos vagarosamente, eu havia vestido minha melhor roupa, e estava ansiosa. Depois de já não ver minha casa Johnathan começou uma conversa.
- Você está muito bonita.
- Obrigada, espero que Dylan goste.
- Você não precisa agradar a ele.
- Claro que sim, vou me casar com ele. - Se se casasse comigo, eu ficaria feliz do jeito que é.
- Mas não vou, e meu noivo vai ser Dylan.
- Eu a amo Freya, não posso vê-lá se entregar a outro.
- E eu posso ver você se casar com minha irmã e negar meu futuro?
- Se fugirmos poderíamos viver juntos, eu poderia lhe dar filhos que tanto quer.
- Dylan também me dará filhos, e não quero mais falar nesse assunto.
- Só quero que saiba que a amo, não importa quanto tempo passe, você será aquela que me fez conhecer o amor.
- Johnathan você tem que parar com isso. - Ele parou seu cavalo, e eu fui com meu e parei ao seu lado.
- Com o que?
- De fazer essas coisas, dizer que me ama não é mais aceitável.
- Como devo proceder?
- Me esquecer, sei que é difícil, pois eu mesmo não o esqueci, mas vamos ter que colaborar.
- Não me esqueceu?
- Não. - Ele tomou minha mão e apoiou em seu peito.
- Freya, minha querida, nada do que me pediu ontem posso fazer.
- Eu te amo Johnathan, mas desejo não amar.
- Não resista, negar um amor é como envenenar a alma.
- Pare, por favor, quero esquecer o que houve entre a gente, você deve esquecer.
- Eu te amo, minha vida não seria a mesma sem você.
- Prometa que vai tentar.
- Não posso.
- Por mim, pelo o que tivemos.
- Freya, não me peça isso.
- Por favor.
- Eu vou tentar esquecer o que tivemos.
- Obrigada, espero que cumpra sua palavra.
- Posso ganhar um último beijo de adeus?
- O último, aquele que selará nossa despedida. - Ele desceu do seu cavalo e foi até o meu e me ajudou a descer segurando em minha cintura. Aquela manhã estava linda, o sol quente aquecia as árvores molhadas pelo orvalho, os pássaros cantavam.
- O gosto de seus lábios ficaram guardados em minha memória. - Eu encarei aquele rosto maravilhoso, seu cabelo castanho jogado de lado estava encantadoramente sedutor, sua barba comprida fazia cócegas. Ele me tomou nos braços, colocou uma mão em meu pescoço, outra segurava minha cintura, fechei os olhos, ele inalou meu perfume e roçou em meu pescoço, seus lábios encostaram levemente sobre os meus e senti um arrepio. Seu beijo estava desesperado, forte, intensivo, me beijou dignamente como um último beijo. Segurei em seus braços fortes, seus corpo estava quente. Ele não ia me soltar tão cedo, então fui a primeira a se afastar, abri meus olhos e vi que Johnathan derramava uma lágrima.
- Não chore, não mereço suas lágrimas. - Enxuguei com minhas mãos e ele beijou a palma.
- Sentirei sua falta.
- Vamos indo. - Não queria prolongar aquele momento, subi no meu cavalo e cavalguei na frente, ele logo me alcançou. Depois de alguns minutos descemos em frente a sua residência.
- Você quer entrar ou quer que eu mande ele vir aqui? - Ele me questionou.
- Prefiro ficar. - Sem dizer mais nada ele entrou, eu fiquei ali nervosa sem saber o que fazer, pensei em pegar o cavalo, correr para casa e me esconder atrás do celeiro, mas fiquei, andei de um lado para o outro até que minutos depois Johnathan voltou, e não foi sozinho, um homem de cabelos cacheados, olhos escuros, de um sobretudo cinza, e chapéu.
- Senhorita Banker esse é Dylan Lewistown.
- Prazer em conhecê-lo. - Eu estendi a mão para cumprimenta-lo e ele a beijou, um cavalheiro.
- A senhorita possui uma beleza encantadora. - Eu não podia negar que ele era bonito, fiquei ruborizada.
- Obrigada.
- Você verá que Freya é uma mulher hipnotizante. - Johnathan estava parado ao meu lado nos analisando.
- Posso notar.
- De onde o senhor vem?
- Pode me chamar de Dylan.
- De onde você vem, Dylan?
- Houston. - Era um pouco longe, 2.580 km de Cambridge, se minha família precisasse de mim? Eu levaria um dia e meio.
- Por que quer casar comigo? - Dylan ficou sem reação, não esperava que uma dama fosse tão direta.
- Dylan não se preocupe, verá que Freya vai direto ao ponto. - Johnathan tentava ajudar.
- Motivos não me faltam, eu preciso de um esposa, de herdeiros, de alguém para amar.
- O senhor trabalha em sua terra?
- Não, só administro.
- Freya acha que um homem perde o seu valor ao mandar outro fazer sua obrigação.
- E não perde?
- Parece que você a conhece bem.
- Nem tanto quanto queria, nos conhecemos quando crianças.
- Quase esqueci, Johnathan será o marido de minha irmã. - Fiz questão de dizer aquilo com um sorriso na face.
- Que maravilha primo, não sabia que estava noivo. Meus parabéns.
- Obrigado.
- Vamos dar uma volta, para nos conhecermos melhor?
- Adoraria.
- Senhor Lewistown pode cuidar do meu cavalo? - Perguntei a Johnathan entregando as rédeas.
- Sim, mas creio que não seja apropriado a senhorita andar sozinha com um homem que acabou de conhecer.
- Não se preocupe, em breve será meu marido. - Dylan estendeu seu braço a mim e eu entrelacei com o meu e caminhamos. Ele era um homem bonito, mas eu quero saber mais, quem ele é? O que faz? O que pretende? Minhas perguntas martelavam em minha mente. Andamos para leste da casa de Johnathan onde havia um pequeno riacho, nos sentamos em algumas pedras próximas.
- Com que o senhor trabalha?
- Sou dono de uma fazenda, tão próspera quanto essa.
- E iremos nos mudar quando nos casarmos?
- Sim, você vira comigo para nossa casa em Houston. - Por que eu tinha que mudar minha vida e ele continuaria com a dele?
- E o casamento onde acontecerá?
- Aqui mesmo em Cambridge, pensei que seria melhor por sua família.
- Obrigada.
- Disponha.
- Quantos anos o senhor tem?
- 25 anos, sei que sou velho para uma moça como você.
- Nem pense nisso, somente tenho 21, não há uma diferença grande.
- A senhorita, gosta do que? - Pensei em responder Johnathan.
- Cuidar da fazenda é uma coisa que me agrada e me deixa destraida.
- Vera que vai gostar de sua nova casa, temos um espaço enorme para lazer e animais com qual poderá se ocupar.
- Bem, talvez seja uma coisa boa.
- Sei que tudo é repentino, mas serei um marido devoto.
- Tenho certeza, por que se não, eu posso ser uma esposa não tão agradável de se ter por perto.
- Você é bem intimidante.
- Desculpe é auto-proteção, não faço por mal, mas é uma maneira de afastar as pessoas.
- Não poderá me afastar.
- Sei, mas não quero me magoar.
- Você é muito bonita.
- Obrigada.
- Adoraria ter um retrato seu em um parede.
- O senhor pinta?
- Sim, tenho muitas qualidade que a senhorita acabara descobrindo.
- O que faz em seu tempo livre, além de pintar?
- Escrevo poemas, caço, leio.
- Poderia recitar um poema para mim?
- Claro.
- Em seus olhos me vi;
Tão bela quando sorri;
Em sua alma me refleti;
E meu amor a ti senti. Não sou muito bom.
- Eu adorei.
- A senhorita faz o que com seus dias?
- Trabalho na fazenda, faço as pessoas me odiarem.
- Como?
- Algumas pessoas não gostam das coisas que falo.
- Aprecio sua maneira.
- Obrigada, algumas pessoas não gostam de ouvir a verdade.
- E você consegue ouvir?
- Claro, nessa vida nem sempre vamos conseguir agradar a todos.
- Você está feliz em se casar comigo?
- Não sei bem, tudo que mais quero é um homem que me ame.
- Eu posso amá-la.
- Sei disso, mas a pergunta é se eu irei retribuir esse amor.
- Por que? Seu coração já está enfeitiçado?
- Sim, mas não quero que esteja.
- Desculpe-me a pergunta, mas a senhorita é virgem ainda?
- Senhor Lewistown assim me ofende, claro que sou. - Eu era por que queria, Johnathan varias vezes tentou, mas eu sempre recuava.
- Desculpe-me eu precisava saber.
- Tudo bem, homens têm a necessidade de se casarem com mulheres virgens, e isso eu nunca entendi.
- É uma questão de orgulho.
- Senhor, quando eu me casar como ficará nossa situação?
- Senhorita, será um casamento, teremos que fazer coisas de casados. - Ele ficou encabulado.
- Não falo do coito, digo depois, o que vai acontecer comigo? Me fará uma mulher da sociedade? Mais uma empregada?
- Querida, você será o que quiser, uma mulher com seu potencial não tem barreiras para o seus sonhos. - Gostei, não pretendia tirar minha liberdade.
- E se eu poderei tomar atitudes de homens?
- Claro, só por que você é do sexo feminino não significa que você não poderá sair para festas. - Uau estava casando com um homem liberal.
- Obrigada.
- E a propósito pretendo que você estude para poder administrar minha fazenda ao meu lado.
- Claro. - Eu adoraria poder obter mais conhecimento. - O que você está dando a minha família?
- Dei um pedaço de minhas terras que acabou sendo doada a Johnathan, não entendi no começo, mas agora faz sentido já que ele casará com sua irmã, e dinheiro. - Bom saber que eu valia aquilo.
- Senhor Lewistown, mal posso esperar para que casamos.
- Obrigado, senhorita.
- Pode me chamar de Freya.
- Prazer em conhecê-la, Freya. - Nos levantamos e caminhos de volta, Dylan falava sobre sua família e eu ria. Quando estávamos chegando Dylan parou.
- Está tudo bem?
- Sim. - E se ajoelhou enquanto tirava uma caixa do bolso.
- Por favor levante.
- Freya, quer casar comigo?
- Não precisa me pedir, já fomos prometidos.
- Mas eu queria que você pelo menos tivesse todos os direitos que tem, não é só porque estamos casando sem nos conhecermos que não merece.
- Tudo bem.
- Você aceita?
- Aceito. - Ele colocou a bela aliança em meu dedo, me levantou e me rodopiou, quando estava me abaixando, me segurou forte.
- Freya, farei que nunca se arrependa desse momento. - Sem mais nem menos ele me beijou, me assustei, não esperava por aquilo, mas ele era meu noivo. Seu beijo era delicado, carinhoso, frio, meu corpo não sentiu aquele arrepio prazeroso, mas não recuei. Quando nos afastamos eu sorri, e Dylan acenou para a casa, me virei e vi Johnathan entrando.
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Freya & Johnathan
RomanceUm amor entre dois jovens que não podem assumir o relacionamento, sofrem barreiras para se afastarem. Freya uma jovem determinada está apaixonada por Johnathan Lewistown, dono da fazenda vizinha. Freya moça simples de família pequena esconde seus...
