Parto complicado

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Senti a água escorrer pelas minhas pernas e a observei empoçar no chão, o desespero se abateu contra mim e andei de volta vagarosamente até o meu quarto e andei até a cama.
- Dylan. - Chamei e ele virou-se de lado.
- Dylan! - Bati em seu braço e ele abriu os olhos me encarando.
- Freya, tudo bem?
- Não, o bebê está nascendo. - Vi seus olhos se arregalarem quase saindo das órbitas e pular da cama, Dylan acendeu a luz e me deitou.
- Vou chamar o capataz para que vá pegar a parteira.
- Tudo bem.
- Eu te amo, Freya. Irá dar tudo certo. - Ele repousou um beijo em minha cabeça e saiu correndo. Fiquei ali acariciando minha barriga enquanto a dor aumentava e me fazia querer dormir.
- Freya. - Minha mãe que estava vestida com um robe bordo entrou no quarto desesperada e veio até mim.
- Oi mãe.
- Tudo bem, querida. Tudo bem. - Ela repetia constantemente, eu sabia que iria dar tudo certo, meus instintos diziam issso, mas eles não, já sabiam que eu quase não conseguirá suportar dar a luz a Carrye. Meus olhos pesaram e quando eu piscava demorava alguns segundos para reabri-los novamente..
- Freya. - Dylan estava de volta ao quarto sobre a cama ao meu lado e segurava minha mão.
- Oi. - Falei com a voz embargada.
- Olhe para mim. - Ele alisou meu rosto e abri os olhos e encarei aquela face assustada.
- A parteira está a caminho, fique acordada. - Eu observava ele falar comigo como se estivesse falando com uma criança.
- Freya, qual sexo você acha que nosso bebê terá?
- Menina... - Ele sorriu.
- Mais uma garotinha, Kathryn ou Marilyn? - Eu não respondi e fechei os olhos querendo dormir, mas ele me chamou.
- Freya acordada. - Sabíamos que eu não podia dormir, por que eu tinha que ter tanto trabalho para dar a luz? Da primeira vez também perdi as forças e a dor havia sido insuportável.
- Querida, por que não nos conta como acha que será o seu bebê. - Minha mãe falou para que eu me mantivesse ativa.
- Uma menina... parecida com Carrye... - Falei e eles prestavam a atenção nas minhas palavras.
- E o que mais?
- Ela terá os meus olhos e cabelos de Dylan.
- Será uma menina muito bonita. - Senti uma pontada extremamente forte e me contorci na cama. Dylan se levantou e começou a andar de um lado para o outro, minha mãe roía as unhas uma coisa que ela não fazia, e eu só queria dormir.
- Por que eles estão demorando? - Disse Dylan ja impaciente.
- Acalmasse querido, esta chovendo muito. - Minha mãe o aconselha e ele me encarou deitada, andou até a janela e tentou ver algo no breu. Sobre a cama os lençóis estavam sujos de sangue e água, gemi de dor e ele olhou para mim.
- Dylan... - Chamei e ele quase correu até mim.
- Sim.
- Alguém terá que fazer o parto. - Ele se levantou e fitou minha mãe.
- Ela está certa. - Minha mãe disse levantando as mangas.
- Tudo bem, a senhora sabe fazer isso?
- Não, mas já tive duas filhas.
- Ok.
- Preciso de lenços limpos, água e tesoura.
- Ok, já volto. - Ele partiu correndo.
- Tudo bem, querida.
- Onde está a Carrye? - Perguntei preocupada.
- Deve estar dormindo. - Fiquei ali, me segurando de dor e aproveitei para deixar minha mente vagar. Me vi em um campo de centeio talvez fosse o meu e estava feliz, andei por todo o campo sem cansar, observei os pássaros voarem em bando para longe. Dylan voltou minutos depois com uma copeira, colocaram as coisas na cômoda.
- Tudo bem, vamos lá. - Minha mãe se aproximou de mim com uma tesoura e parou.
- Dylan você tem que sair.
- Mas...
- Você não pode ficar. - Ele saiu relutante e minha mãe andou até mim novamente e rasgou minha camisola. E ela pediu que eu abrisse as pernas.
- Vamos Freya, faça força. - Os homens não podiam presenciar os partos, quando havia um significava que as coisas não iam bem. Eu juntei toda a energia que tinha e fiz força.
- Vamos Freya, você quer ou não quer esse bebê?
- Quero! - Gritei com os dentes serrados, a copeira molhou um pano na bacia de água e colocou sobre a minha testa. Fiquei fazendo força por quase uma hora até que a parteira chegou.
- Olá Freya. - Ela me cumprimentou tomando o lugar da minha mãe.
- Oii, senhora Stuarts - Era uma mulher jovem beirando os 50 anos, ela fizera o parto de Carrye.
- Preparada para o seu segundo filho?
- Sim.
- Pois bem vamos la. Força. - Fiz força quase esgotada por tentar durante uma hora e nada, a parteira me incentivava e eu gritava de dor e nada acontecia. Por que meu bebê não queria nascer?
- Vamos Freya sei que é capaz.
- Eu não consigo. - Falei desistindo.
- Não querida, vamos, tente mais um pouco.
- Não consigo. - Disse fechando os olhos.
- Freya, olhos abertos. - Minha mãe molhou meu rosto.
- Por favor. - Olhei para baixo e vi a cama ensopada de sangue. Fiz mais força que eu não sabia que tinha ainda.
- Marta. - A parteira chamou minha mãe.
- Sim?
- Mande o marido entrar. - Arregalei os olhos e comecei a chorar, por que Dylan tinha que entrar? Minha mãe andou até a porta e falou com ele do lado de fora que entrou assustado.
- Dylan...
- Esta tudo bem? - Perguntou ele a parteira.
- Não, ela não vai conseguir.
- O que vamos fazer?
- Levamos ela ao hospital e tentamos la, ficamos aqui ou chamamos o padre.
- Talvez devêssem...
- Vamos ficar. - Falei levantando a cabeça do travesseiro.
- Meu amor você não vai conseguir. - Disse ele passando a mão pelo meu rosto.
- Vou sim. De novo. - Fiz força e nada.
- Tudo bem, você! - Ela apontou para Dylan.
- Sim.
- Empurre a barriga dela para baixo.
- OK. - Dylan se debruçou sobre mim e empurrou minha barriga.
- Força. - Dylan empurrava minha barriga com força e isso estava me machucando, fiz força.
- Vamos querida. - Disse a parteira sorrindo.
***

Perspectiva Diferente

Eu estava debruçado sobre ela empurrando sua barriga enquanto segurava as lágrimas para me fingir de forte, olhei seu rosto e vi a força que estava fazendo, sua testa suada e a quentura que emanava do seu corpo. Suas pernas sujas de sangue e a cama.
- Vamos querida. - Disse a parteira sorrindo.
- O que foi? - Perguntei preocupado.
- Estou vendo a cabeça.
- Freya. - Olhei para ela novamente e estava de olhos fechados.
- Freya! - Ela os abriu vagarosamente e ficou me encarando sem piscar.
- Meu amor você está conseguindo. - Falei sorrindo.
- Empurre mais. - Prensei mais a barriga já que Freya não fazia mais força. E ouvi o choro. Então parei.
- Um lençol por favor e a tesoura. - A copeira pegou e entregou a parteira que depois de um minuto se levantou com um bebê nos braços. A senhora Banker pulava de alegria. Andei até ela e peguei no colo o meu bebê, vi seus olhos da cor dos meus e os cabelos iguais o da mãe, então me permiti chorar e virei-me para Freya.
- Parabéns querida, é um menino. - Ela não sorriu, não piscou, não demonstrou reação alguma.
- Freya, querida. - Chamei por ela enquanto embalava nosso filho nos braços. - Seus olhos estavam abertos e desfocados.
- Freya. - Sua mãe andou até ela e a chamou.
- Meu amor, por favor olhe nosso filho. - Entreguei o bebê para a copeira que o embalava enquanto chorava. Andei até Freya e me ajoelhei ao lado da cama ficando na altura do seu rosto.
- Senhora Banker por favor vá cuidar do meu filho. - Pedi sem tirar os olhos dela.
- Tudo bem. - Ela pegou o bebê do colo da copeira e as duas saíram para o corredor até que já não pude ouvir o choro.
- Freya. - A chamei chorando, olhei para a parteira e perguntei se ela havia morrido.

Freya & JohnathanHistórias para pegar e não largar. Descubra agora