Capítulo 3
"Agora nos conhecemos."
"No final das contas amar é simples:encontrar alguém que realmente se importe"
Bruna Vieira
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Boa leitura!
Aiden
Abro os olhos e me vejo em uma sala com paredes brancas, lençóis azuis, piso de azulejo branco...não consigo ver muita coisa pois as luzes estão apagadas, sinto algo pinicando no meu braço, quando olho, percebo que é um soro, ou quase isso. Ao meu redor, várias máquinas me cercam, todas ligadas a tubos que ligavam a mim. Nunca estive em um hospital antes, pelo menos não assim. Sempre imaginei de outra forma, talvez rodeado de enfermeiras, médicos, medicamentos. Bom, não é tão diferente disso, mas eu não imaginava esse cheiro de metal, sangue e luvas de doutor no ar.
Queria me lembrar do que aconteceu, queria me lembrar..... Tento tirar de dentro da minha mente algo que me leve à última vez que estive com os olhos abertos, mas só ouço uma voz, uma voz fria e arrogante, mas também, superior.
"Estamos aqui, agora é a hora, você saberá o que fazer"
Sinto uma forte dor de cabeça depois disso. "Você saberá o que fazer"? Por favor mostrem as câmeras essa pegadinha não esta legal não. Se tem uma coisa que eu não sei, é o que fazer e acho que não vou descobrir tão cedo...
Me deito e decido dormir, acho que se dormir, irei acordar na realidade. Mesmo tendo acabado de acordar.
Sangue, corpos ao chão, um céu avermelhado, vermelho sangue. Uma risada, uma risada fria, prepotente e voraz. Gritos, choros..
Levanto-me rápido, chego a ficar tonto. Deus o que foi isso? O que isso quer dizer? Ponho as duas mãos no meu cabelo. Estou exausto parece até que corri uma maratona.
Respiro fundo uma...duas...três vezes. Percebo então que está de dia, as luzes antes apagadas, agora ligadas, o silêncio da calada noite, agora substituído por conversas abafadas e rodas de macas arrastando-se pelos corredores. Espero até uma enfermeira entrar com uma bandeja do que eu julgo ser meu café da manhã e uma prancheta. Ela põe o café da manhã em cima a mesinha que havia e a coloca em cima da minha cama.Pega a prancheta e começa a anotar o resultado das máquinas até que eu decido quebrar o silêncio.
-O que aconteceu comigo?- pergunto ainda observando meu café da manhã, um pão com alguma coisa dentro, gelatina e suco. ECA.
-Ainda não sabemos senhor Wild, mas a resposta mais provável seria uma convulsão. Mais cinco jovens tiveram o mesmo problema, breve estarão no mesmo quarto assim fica mais fácil de sabermos o que realmente aconteceu.- ela diz e se retira, sem ao menos dizer Bom dia.
Estranho, mais cinco jovens? O que está acontecendo? Tento esquecer pois logo meus pais entram no quarto e começam a me abraçar, e conversar.
A primeira que noto foi a minha irmã, a Mary. Ela tinha ido fazer intercâmbio na Grécia e estava por lá, estranhei a sua vinda.
-Mary o que faz aqui?- pergunto surpreso.
-Surpresa maninho! Você acha que eu, sua irmã querida ia ficar lá na Grécia sabendo que o meu maninho está nesse estado?- ela fala apontando para os aparelhos à minha volta.
Dou risada e a puxo para um abraço, senti falta dela. Mary me fez entender minhas namoradas e me ajudou em muitos encontros. Ela também é muito inteligente, o que me rendeu notas boas também. Mary tem olhos azuis, cabelo marrom e pele pálida. Namorou no máximo duas vezes, digamos que ela transborda inteligência, fazendo os garotos se irritarem. Mas ela não liga muito para isso.
Ainda me lembro de um dia de verão quando Mary tinha acabado de chegar da praia anunciando que estava namorando, ela sofreu muito, mas não pelo namoro, por mim, que a irritei.
[...]
-Alguma namorada nova?- pergunta Mary assim que a minha mãe e meu pai saem da sala para acertar umas coisas com a enfermeira.
-Não, não namoro a dois meses, só fico.Digamos que depois que você foi embora o antigo Aiden voltou, mas acho que amadureci demais para voltar a ser ele, até tentei, mas não deu.- digo.
-Hum. Ainda bem, o antigo Aiden me dava nojo.- ela diz e nós dois rimos.-Mas enfim, o que você acha que aconteceu com você?
-Não sei Mary, não sei....
[...]
Meus pais haviam saído a algum tempo e minha irmã também, pois o horário de visitas havia acabado, em meio a tantas conversas me esqueci de perguntar á quanto tempo estava desacordado, mas acho que não foi muito. Espero.
Em alguns minutos, que pareciam horas sem ter nada para fazer, a enfermeira entra com a mesma prancheta e uma bandeja, dessa vez com o almoço. Ela fez o mesmo procedimento e me entregou a bandeja, dessa vez com arroz, feijão e purê. Parece a comida da escola.
-A quanto tempo estive desacordado?- pergunto quando ela vira as costas.
-Três dias.-ela diz e sai.
Três dias? Como? Me lembro então da última coisa que vi. Vidro. Vibro quebrando bem ao meu lado. Olho meus braços e pernas e não vejo nada, nem um arranhão. Como?
-Isso ta estranho.- digo para mim.
Sinto meu corpo dormente, então decido dormir, acho que nunca tive tanto sono na vida. Céus.
Acordo e as luzes estão apagadas, será que dormi tanto assim? Me sento na cama e percebo que tenho menos aparelhos em volta de mim e que estou em uma sala diferente. Olho para os lados e vejo mais camas. Não sei quantas, está escuro demais. Até que eu ouço uma voz.
-Como você consegue dormir tanto?- viro em direção a voz com os meus olhos já se adaptando a luz. Era uma voz angelical, calma e que estava ao mesmo tempo desesperada. Era uma garota.
-Nem eu sei. Senti sono e dormi, não tem nada melhor para fazer mesmo.- digo dando de ombros.
- Depois que eu me lembrei do que aconteceu, eu não consigo mais dormir.
-Se você ficar pensando, lógico que não vai dormir.-digo.
-OK. A propósito sou Tessa, Tessa Hings.-ela diz.
-Acho que já vi você na escola.- digo me lembrando de uma garota, ex-lider de torcida.
- Sim, a traída por Josh Bush e Ex líder de torcida, eu mesma.- ela diz irônica mas triste.
-Aiden Wild. Capitão do time de futebol americano.- digo.
-Sei. O que as garotas Babam.
Dou risada e ela também. Sua risada era bonita e me fez ser eu mesmo.Sem máscaras.
As luzes do corredor são ligadas e a do quarto também. Consigo ver mais cinco camas além da minha, ao meu lado, esta Tessa. Olho para ela que faz o mesmo comigo.
-Agora nos conhecemos.- diz e sorri, o sorriso mais lindo que já vi na vida.
*
Espero que tenham gostado!
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Infectados
Ciencia FicciónPara a ciência, tudo tem uma solução, por mais difícil que seja, mas e se ao invés de uma solução, encontrassem outra forma de vida? Uma mutação genética que seria capaz de disponibilizar habilidades incríveis ao ser humano. E se essa mutação desse...
