Capítulo 9 - Laís

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A pergunta de Eliza veio como um soco em meu estômago. Eu a olhei sem reação, todos me encaravam, menos o Livinho, esse baixou a cabeça e permaneceu assim por um bom tempo. Eu sem saber o que responder olho para minhas amigas que graças a Deus entendem e respondem por mim:
- Eliza minha filha, você conhece a palavra mãe ? - Clarisse pergunta.
- Quer que tem ? - Eliza diz sem entender.
- Apois, Laís tem um mãe, que pelas graças de nossa Santa Ave Maria, tem bom gosto para música. E com certeza não ia deixar a filha dela ir para uma top ressaca ver Lá Fúria e Mc Livinho. Na The Choice ainda vai, né ?! Agora Lá Fúria ?
- Tar, você não podia ir escondido? - Eliza insiste em saber.
Vou te falar. Eliza é o tipo certo de garota que vive questionando os outros, ela não consegue se aquetar até não conseguir o que quer. Ou sejá, tirar a pessoa do sério!
- Você acha que Laís é doida de ir pra Barra escondido da mãe ? - Ana rir e continua: - Todos nós conhecemos tia Dê.
- Verdade, minha tia não é sua mãe Eliza - Laila fala.
Tudo bem. Ela tava pedindo. A mãe da Eliza é alcoólatra e fuma maconha, eu sei disso por que meu primo vende pra ela. E toda vez que Eliza fica dando uma de esperta com a gente sempre evitamos falar da sua mãe, mesmo quando ela fala da nossa. Mas sempre alguém, como Laila acaba soltando alguma indireta.
Eliza se levanta e sai batendo o pé na areia. Mário revira os olhos e bate nas costa do Livinho. - Liga não tá pivete, ela é assim mesmo.
- Por que ela saio chateada ? - Livinho pergunta.
- Por que a mãe dela é alcoólatra e fuma uns beque. - Clarisse responde.
- Aah, mas ninguém falou nada demais. - Livinho tenta argumentar.
- Ela é assim, não pode falar nada da mãe que fica chateada. - Ana suspira.
Damos de ombros e pegamos nossas pranchas.
- Iae, quem tá afim de pegar uma onda ? - Mário pergunta.
- Você tá falando sério ? - Livinho o encara perplexo.
- Sim, e as meninas também vão. Tá pronto pra levar onda na cara ?
- Não é só por que o Livinho é novato aqui que tu vai dá na cara dele não Mário. - Clarisse se joga nele e o pega pelo pescoço.
Os dois se enrolam no chão. Todos nós rimos. E assim foi o resto da tarde, muitas risadas muitas horas de surfe. Muitas trocas de olhares, só observo.

***

À noite todos nós fomos para minha casa. Minha mãe havia feito um churrasco, quer dizer, minha mãe não, meu tio.
- Poxa Laís, por que não falou logo que seu tio ia fazer churrasco ? - Mário resmunga.
- Tar, meu tio me ligou agora.
- Aff, se soubesse antes não ia comer nada só pra guadar espaço no estômago. - Mário fala irritado consigo mesmo.
- Você gosta tando de churrasco assim é ? - Oliver pergunta.
- Velho, eu amo churrasco, porém amo mais o churrasco do tio da Laís. Tu precisa conhecer o cara, mano o bixo é foda demais. - Mário diz balançando a cabeça.
- Bem, vou conhecer hoje. - Oliver responde rindo.
Eu convidei o Livinho para ir a minha casa. Mal podia eu imaginar que o Mc Livinho um dia ia a minha casa para comer o churrasco de meu tio Cléber. Simplesmente nada ver com nada!
Ao chegarmos em casa subimos para a lage, minha mãe não estava, o que é um milagre. - Mainha - a chamo. Mas ninguém me responde.
Dou de ombros e sigo o resto do pessoal até a lage. Meu tio já estava contando história pra o Livinho, e ele é claro, como qualquer outra pessoa diante de titio faz, começou a se deleitar em risadas.
Ao vê-lo rir, parei e comecei achar a sua risada a mais bela que já ouvir. Me lembrei da noite passada e de hoje de manhã, viajei profundamente em meus pensamentos que não o vi chegar perto de mim.
- Laís ? - Livinho me chama.
- Oi, oi. Desculpe! - Eu abaixo a cabeça com vergonha em olha-lo.
- Tudo bem com você ?
- Sim, claro. E com você ?
- Vou bem. - Ele suspira e desvia seus olhos dos meus - Seus amigos são bem legais.
- É, e leais.
- Sério, quando a vi na praia fiquei bastante surpreso.
- Eu também. Quando o Mário disse que era para mim vir a praia que eu ia ter uma surpresa, nunca pensei que fosse ser você. - Pensei que ele falou que era eu.
- Mário gosta de nos deixar curiosas. Ele é o único homem do grupo, seus dias se resumem em criar ou achar coisas para nos surpreender.
- Quanto tempo de amizade?
- Uns, sei lá, a gente se conhce desde a escolinha. Acho que 15 anos!
- Sério ? Todos vocês ?
- Não, só eu, Laila, Ana, Clarisse e Mário. Eliza chegou de Minas a uns três anos atrás.
- Eles namoram ? Digo, Mário e Eliza ?
- Mais ou menos. Eliza, bem como eu posso falar ?! Ela tem um pouco de trauma.
- Trauma de quê ?
- Quando ela vivia com seus pais em Minas ela passou por muita coisa. Sua mãe sempre foi alcoólatra, mas não aquele tipo ruim, ela só gostava de beber todos os dias, o que a fazia ser dependente do álcool. Quando Eliza completou 10 anos o pai dela a estuprou, e ele continou até ela completar os 15 anos. Foi quando a mãe dela descobriu, e elas foram obrigadas a fugir. Ninguém entende por que a mãe dela não o denuciou, e só fez simplesmente fugir. Eliza uma vez disse que seu pai era muito perigoso e que sua mãe tinha muito medo dele fazer algo com ela.
- Nossa, que filha da puta!
- É.
- Ela deve sofrer muito, acredito que seja por isso que ela não se entrega para ele totalmente.
- Pode ser que sim, nós não sabemos. Eliza não é tão vítima assim, tudo bem que ela sofreu muito. Nossa, ser estuprada pelo pai não é fácil, porém não faz ela tão inocente.
- Por que fala isso ?
- Porque eu a conheço, nós a conhecemos. Eliza sabe ser fria e vingativa, sabe manipular e usar as pessoas. Mário gosta muito dela, e não nego que ela não sinta nada por ele. Porém, às vezes temos a sensão que ela usa os sentimemtos dele a seu favor.
- Tipo, para o mal ?
- Tipo para seu benefício.
- Aah. Complicado!
- Pois é.
- Seu tio é mó da hora.
- Tava demorando para você falar dele.
Nós rimos.
- Como não falar ?
- Eu sei, meu tio às vezes é meu consolo.
- Você às vezes é deprimente. - Minhas amigas falam isso. Rimos mais uma vez e não paramos. Logo Clarisse e o resto do pessoal veio ficar com a gente.
- Como é aquela música do Livinho ? - Clarisse pergunta.
- Tar, que música ? - Laila responde.
- Aquela que Robsão fez uma versão em pagode.
- Pepeka do mal - respondo.
- Quer que tem ? - Laila pergunta.
- Como é a letra da música caralho ?
- Láaaaaaa veeeem ela, corrigir o meu bilau, Pepeka do mal não deixa anal, Pepeka do mal não deixa anal, já que não quer dá o cuzinho então desliza no bilau. - Livinho canta.
- MARAVILHOSO! - Laila exclama.
Livinho rir e Clarisse suspira. - Sim, você ainda não falou o motivo de querer saber a letra da música. - Eu a questiono.
- Não, eu queria enteder por que ele fez essa letra, o que o motivou. - Clarisse responde.
- Ah velho, eu tava já um tempo sem fazer música, então resolvir ir fazer uma letra. Aí saiu Pepeka do mal. - Oliver responde.
- E porque "bilau" ? - Clarisse pergunta.
- Por que "bilau" é um sinônimo infantil, o que eu quis mostrar era que ao recusar dá o cuzinho ela estava sendo infantil.
- Vocês homens gostam muito de comer um cuzinho, mas ninguém pensa na dor. - Ana resmunga.
- Isso varia de mulher pra mulher Pow. - Livinho fala.
- Claro, meu irmão aqui só sai. - Clarisse responde. - Cú é pra cagar.
- Nossa Clarisse, todo mundo sabe. Não precisa ficar dizendo isso. - Eu a repreendo.
- Tar, todo mundo aqui caga. - É, cagar é tão bom. - Mário fala.
- Vocês são sem noção - Livinho diz rindo.
- Liga não Oliver, eles quando começam a falar de merda não sabem quando parar. - Eu falo.
- De boa.
Clarisse rir e me da um tapa no ombro.
- Tomar no cú Laís.
- Vamos falar de Xvideos. - Ana diz.
Oliver olha para ela surpreso. - Você assiste Xvideos ?
- Tar, Xivideos, Redtube, e sei lá mais quais, assisto a peste toda. - Ana responde rindo.
Todos nós rimos do Livinho.
- Você acha que só os homens assiste é ? - Laila pergunta.
- Sei lá, Ana tem cara de menina séria, puritana, sabe ?
- Há-há, nunca na vida - Clarisse rir - Essa daí é mais safada do grupo. Já gosta de falar de uma putaria.
- Epa, eu sou pura, tá ?! - Ana discorda com a irmã.
- Altas revelações - Livinho comenta.
- Sabe de nada inocente. - Mário fala.
Passamos boa parte do tempo conversando um monte de coisas. Contamos histórias, compartilhamos segredos e tudo mais. Na hora de ir embora, Livinho veio falar comigo.
- Bem, o dia foi bem legal. - Ele fala.
- Se você fosse ficar mais dias aqui o convidava para ir a um show que nós vamos na Praia do Forte. - Digo baixando minha cabeça.
- E quem disse que eu vou embora agora ? Estou amando esse lugar, amando as pessoas e tudo mais.
- Mas você não tem nenhum show marcado ? - Pergunto supresa, agora olhando nos seus olhos.
- Não, de ter teria, mas pedi para Juninho que agendasse para próxima semana. Minha mãe disse que não é bom eu ficar me desgastando muito nos shows. E é verdade, preciso separar uns dias para mim, outros para família e é claro a namorada.
Quando ele falou namorada meu corpo tremeu. Quando pensei em Byanca, pensei como ela ficaria furiosa se soubesse que o Livinho e eu ficamos. Ela tem cara daquelas garotas que quando o namorado trai elas ficam com o melhor amigo dele só pra se vingar.
- Você tem toda a razão -respondo finalmente.
- O convite ainda está de pé ?
- Mas é claro!
- E quando vai ser ?
- Quarta. Mas nós vamos de manhã cedo, para poder curtir o lugar. Você vai amar Praia do Forte, é muito lindo lá, e mó legal.
- Vamos dormir lá ?
- Assim, nós vamos ficar em uma pousada lá, para poder nos arrumar e tals, mas se caso o pessoal quiser ficar lá, a gente vai ficar, ou se for preciso.
- Ah. Tendi.
- Bem, acho melhor você ir, aqui tava rolando tiroteio esses dias. Não quero que você seja atingindo por uma bala.
- Ok, acho meio difícil isso. Vazo ruim não quebra fácil.
- Fique aí que não!
Nos despedimos e todos foram embora. Entrei em casa e fui toamr banho, fiz minha cama e deitei para dormir. Mas sono que é bom nada, só conseguir dormir 1:00
da manhã.

Crazy Life - Mc LivinhoOnde histórias criam vida. Descubra agora