Capítulo 17 - Laís

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    Quando o Oliver me disse o que Byanca fez eu não tive reação. Ela estava fazendo jogo, e o que me preocupava era se ela estava mesmo grávida.
     Porém, isso não era minha maior preocupação. Não que eu não esteja ligando, desde a semana passada eu e o Oliver conversamos e tentamos achar uma forma de podermos ficar juntos sem ameaçar a vida de seu filho.
    No entando, ontem recebi uma ligação da clínica que fiz meus exames. A recepcionista me ligou 12:00 em ponto. Ela falou que meu exame de sangue tinha dado uma alteração e que seria necessário voltarmos para fazer um exame mais cuidadoso. Pelo que eu entendi vou ter que entrar naquelas paradas que parece um tubo. Ela garantio que não era nada demais, porém era bom se previnir.
     Minha mãe ficou falando um monte.
      - Aposto que você tá com diabete! - Ela acusa.
       - Aff mãe, não viaja! - Olho para ela fazendo cara de raiva - Não é nada demais.
     - Eu espero que não - ela abaixa o tom de voz, mas logo começa a berrar novamente - Você tá proibida de comer brigadeiro, de comprar doces e qualquer coisa que tenha açúcar!
     - Nossa, a senhora tá paranoica hoje, viu ?
       Ela me dá uma olhada, fazendo-me encolher. Sério, era desnecessário toda essa preocupação. O que poderia ser de tão grave assim ?
      Quando chegamos na clínica, as enfermeiras me levaram para uma sala. Troquei de roupa, e elas me levaram para outra sala, onde eu sentei em uma cama e ela começou a entrar em um tubo.
     - Fique quieta, faça o mínimo de movimentos que você conseguir. - O médico diz.
     Ele saio e eu não vi, nem ouvir mais nada. Ficar lá era como está dentro de um caixão feixado e viva. É sufocante e apavorante, não que eu já tenha estado em um para saber.
     Passei quatro horas dentro da máquina. Me senti no útero de minha mãe novamente. Nunca fiquei tanto tempo sem me mexer, nem falar, nem comer. Mano, tô morta de fome!
      Quando finalmente os médicos me liberaram eu e mimha mãe fomos para casa. Ela estava estranha, não brigou comigo, não reclamou por eu ter ligado o som, nem nada. Tenho uma leve impressão que os médicos falaram algo para minha mãe que a deixou incomodada.
     - Posso saber o que fez enquanto eu estava dentro daquele cubo ? - Pergunto a minha mãe.
     - Nada - ela apenas diz.
     - E por que tá tão calada assim ?
      - É umas coisas que eu e seu pai estamos tentando resolver, e isso tá me deixando preocupada.
      - Humm - digo, olho para fora do carro - O que isso significa ?
     - O que ?
     - Esse exame.
     - Não se preocupe Laís, se for alguma coisa séria vamos resolver, o que eu acho que não seja.
     - É, mas se for isso vai com certeza mudar minha vida de cabeça para baixo.
     -Como eu disse, vamos resolver.
      Eu e minha mãe não falamos mais nada. Quando chegamos em casa eu fui direto para meu quarto e liguei pra Carisse e Ana.
     - Eu realmente não sei o que o exame vai dar - explico a elas - Acho que não é algo sério.
     - Não sei não - Ana suspira - Esse é  um tipo de exame mais complexo, meu pai é médico Laís, e ele certa vez me explicou que normalmente quando você é mandada a fazer um exame desses é pra tentar indentificar uma doença mais séria e seu nível.
     - Ana, não deixe Laís nervosa - Clarisse a repreendi - Papai disse também que pode ser apenas engano, algumas de nossos células são, digamos assim, alteradas depois de certo tempo, fazendo assim com que nosso corpo reaja de uma forma diferente, mas não quer dizer que seja algo sério.
     - Bem, sendo ou não, eu não vou consegui dormir - digo suspirando.
     - Aposto que é por causa do Livinho - Clarisse brinca.
     - E a vaca da Byanca, eu realmente não conseguir acreditar nela. -Falo.
      -Eu também não - Clarisse responde - Só acho que você não devia ficar preocupada com isso, afinal é um problema do Livinho. Quem manda ele namorar com qualquer vaca.
     - Aah então eu sou uma vaca ? - Pergunto me fazendo de ofendida.
      - Foi exatamente isso que ela quis te chamar - Ana diz rindo - Clarisse te acha uma vaca.
      - Sim, mas ela não é qualquer vaca - Clarisse se explica - Além disso, devemos levar em consideração que Laís saciou o Livinho, o que essa Byanca não fez. Pois se tivesse feito, ele não teria levado nossa amiga para a cama.
     - Para começar, eu que o levei pra cama - a corrijo - E depois,qualquer homem jamais rejeitaria uma noitada com a Laís Menezes.
     - Nem se acha - Ana e Clarisse diz em uníssono.
     - Aff amigas, estou morrendo de saudade do Oliver - digo.
     - Vai lá falar com ele ora - Ana diz.
     - Eu mesmo não - falo - Não quero que ele pense que sou chata. E quem tem que vim falar comigo é ele.
       - Miga deixa de ser orgulhosa - Ana diz.
       - E fria - compreta Clarisse
       - Quem é quente é fogo, eu sou fria mesmo - sussurro sem emoção - Se eu não fosse assim já teria quebrado meu coração várias e várias vezes.
     - Acho que às vezes precisamos ceder um pouco. - Clarisse suspira.
 
                      ***

        Três meses depois...

  Eu não devia está me sentindo assim. Tudo vai dá certo, não tem por que se preoculpar. Vai dá tudo certo...
     Meus olhos se feixaram e eu me perdi na escuridão. Antes de chegar no hospital minha mãe passou horas e horas me abraçando. Ela tentava me consolar, falava que tudo ia ficar bem. Mas eu sabia que não ia, os médicos deixaram bem claro isso.
     - Está me dizendo que minha filha vai morrer ? - Minha mãe berrou para o Dr. Antônio.
      - Sinto muito, mas o câncer dela está avançado demais. O máximo que podemos fazer é prolongar alguns dias de vida. Vamos fazer a quimo, vamos tentar o máximo agredi-lo, mas...
     O Dr. Antônio suspira. Ele não tinha culpa! Minha mãe começa a chorar desesperada. Eu a abraço e digo coisas confortáveis perto de seu ouvido.
     - Ei, eu que vou morrer não tou nesse desespero - digo rindo sem humor.
     - Por favor, diz que a minha menina tem uma chance... - Mainha implora.
      O médico a olha, era evidendente que ele não tinha o que falar. A pior coisa na vida é você ser um médico e ter que dar a notícia pra uma mãe que seu filho vai morrer. Tipo, eu tô de boa, todo mundo morre, a morte é inevitável.
    Depois que acordei não via nada, além de um quarto claro, suspirei, tentando na verdade. Ouvir passos vindo até mim.
    - Você está bem ? - Ouço uma voz perguntar.
     - Estou - digo com dificuldade.
     - Eu fiquei com tanto medo de te perder - a voz fala praticamente chorando.
    - Ninguém vai se livrar de mim tão fácil - dou um meio sorriso.
      Foco meus olhos na pessoa ao meu lado. Era o Oliver!
      - Por que não me disse o que estava acontecendo ? - Ele pergunta.
      Sua mão pega a minha e eu a aperto. Era tão bom sentir seu calor depois de três longos meses.
      - Desculpe - respondo - Não queria te dá mais trabalho.
      - Laís você tá com câncer - Livinho explode - Qual foi a parte que você não entendeu de que eu largarei tudo pra ficar com você ? Eu por acaso não fui claro o bastante ? Será preciso eu ter que provar ? Eu te amo caralho, aceita isso.
       - Eu já aceitei...
       - Não parece!
       - Por favor, me perdoe - imploro - Sabe o que é você está morrendo ? Meu câncer tá tão avançado que a quimo não tá fazendo diferença nenhuma.
     - Eu sei, o Dr. Antônio me explicou - Oliver diz - Mas talvez a medula que sua mãe deu dê pra ajudar as células a se reproduzirem novamente.
      - Até minhas células são preguiçosas - dou um sorriso. Livinho acaricia meu cabelo.
     - Pois é, Clarisse que é tão forte está um caos. Ela tá sofrendo muito!
      - Eu imagino, aquela ali é mais mole que gelatina.
      - Ana e Laila tentam consolar sua mãe, mas ela também tá horrível. 
       - Eu estava com tanta saudade de você Oliver.
       - Pois não foi o que pareceu.
       - Ei, cada segundo do meus dias foram sufocantes para mim. Mas tente entender o meu lado, eu não quero ninguém sofrendo por mim. Não quero explodir e atingir todos a minha volta.
      - Não seja boba, você não é uma bomba! Muito menos é você que escolhe quem vai machucar ou não. Isso cabe a cada um de nós! E se é pra perder você, que seja então de um jeito que eu jamais esquecerei.
      - Estou lutando, estou usando todas as minhas forças para vencer esse câncer. Mas ele é maior que eu, simplesmente não consigo mais, sinto minhas forças indo embora a cada dia.
      Sinto às lágrimas descerem. A dias que queria chorar, mas não tinha coragem. Não podia demonstrar fraqueza entre meus amigos e familiares.
     - Eu sei meu amor, todos nós sabemos - Livinho me beija na testa, segura minha mão com força e diz: - Eu Prometo te amar para sempre, até eu não respirar mais.
      - Prometo te amar até meus últimos dias.

    

Crazy Life - Mc LivinhoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora