25 - Vou sentir saudades do banquinho

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Acordei cedo, me arrumei e desci para o café. Tinha uma pontinha de esperança que o Taylor fosse tomar café comigo, como ele fez antes, mas isso não aconteceu. Apesar da pontinha de frustração, eu entendi. Hoje será o grande show que eles vieram fazer. Talvez ele ainda esteja dormindo, para descansar bem, não?
Tomei meu café sem pressa, ainda meio sem acreditar em tudo o que tinha acontecido noite passada. Estranho como as coisas podem mudar assim, não? Eu beijei Taylor Hanson.
Dei uma volta pela piscina, passei pelo parquinho e sentei no mesmo banco. Queria poder sentar aqui sempre e relembrar cada segundo que eu passei aqui. Esse banco bem que poderia ser numa praça perto da minha casa e não num hotel na capital... esse é "nosso banco". Tudo tinha acontecido aqui, nas duas vezes em que nos encontramos de verdade. Aqui ele abriu o coração dele pra mim.
Suspirei.
O que aconteceria agora? Eu sei que ele disse que daria um jeito, mas céus, eu sou uma garota brasileira e ele, um cantor americano famoso! A Disney precisaria intervir para que isso terminasse num "felizes para sempre"!
A frustração começou a crescer dentro do peito. Eu tenho que ser realista... as probabilidades disso continuar bem são mínimas. Deveria ter ouvido o conselho da minha mãe: "não se envolva demais e nem se iluda!".
Levantei e fui andar mais um pouco... dei a volta em toda a "área de lazer" e voltei pro parquinho. O balanço parecia legal e de lá dá pra ver "o banco", então eu fui matar a saudade da infância. Um pouco de vento no rosto pode fazer bem também. Talvez eu anime e entre na piscina, pq é um desperdício eu não ter usado a piscina do hotel uma única vez!
Desci do balanço e decidi ir para o quarto colocar meu biquíni. Só sairíamos à tarde, então a manhã é minha, já que eles deviam estar descansando ou fazendo sei lá o que...
Quando eu sai do elevador, Taylor estava na porta do meu quarto. Meu coração gelou. A expressão no rosto dele não era boa... ele tinha chorado?
- Taylor... - foi quase uma pergunta. Nem eu sei oq que foi, só senti o nome dele deslizando.
Ele me olhou com os olhos pesados, não disse nada, só me abraçou. E eu demorei um pouco para retribuir o abraço... eu demorei pra entender, mas no fundo, eu sabia. Meu chão abriu e minhas pernas amoleceram. Eu passei meus dedos pelos cabelos dele e chorei.
- Vai ficar tudo bem - eu disse, me afastando e secando as lágrimas.
- Que merda! Que merda! - ele dizia enquanto negava com a cabeça. - de que adianta ser famoso nessas horas?! P#&&@ nenhuma!
- Vai ficar tudo bem... a gente sabia que poderia dar errado não sabia?
- Essa nunca foi uma opção... nunca! - disse ele com a voz firme.
- Vamos entrar, ok? Não queremos ninguém falando disso por ai. Vai ser pior... - disse, abrindo a porta do quarto e entrando. - Vem... só um pouco, até vc se acalmar.
Ele concordou e entrou, se jogando na cama.
Me sentei na cabeceira e ele deitou no meu colo.
- Agora me conte, oq aconteceu? - disse, arrumando o cabelo dele.
- Eu ainda não sei como vou ficar sem você... - suspirou - conversei com meu pai hoje de manhã... ele disse que já imaginava que eu estaria apaixonado por vc e disse tb que achava que vc sentia o mesmo, muito antes de vc saber.
- Sério? - perguntei surpresa.
- Sério... mas ele me disse tb que é impossível agora...
- PQ?!
- Pq ainda temos quase um ano de tour pra terminar, vc precisa ficar com sua família, pq não temos idade pra decidir nada ainda... Droga! Vc só tem 15 anos! Eu sei que não é culpa sua, entende? Mas isso aqui no Brasil diz muito! Vc não pode fazer nada sem seus pais... nós procuramos... ano que vem vc pode ter uma autorização de emancipação, pode ser adulta aos 16, mas aos 15, é impossível.
- Mesmo se eu falar com a minha mãe...
- Você não pode... vc não tem meios legais para ficar sem sua família em outro país... para vc ir para um intercâmbio, vc precisa de vários documentos... inglês fluente ou quase... precisa estudar lá, ter endereço fixo lá... isso tudo demora e eu ficaria sem você da mesma forma...
*Aqueles olhos azuis...* suspirei.
- Taylor, como seus irmãos fazem?
- Fazem oq?
- Namoram! Vc não disse que eles tem namoradas? Kate e sei lá o nome da outra?
- Nikki... a namorada do Ike é a Nikki.
- Nikki? Não era aquela menina... que tem o nome parecido com a ex do Zac? Aquela da banda não sei oq... (eu realmente não lembrava, pq eu só tinha decorado a vida do Zac...)
- Ah, não... eles eram só amigos msm, a mídia que se empolgou pq o Zac estava namorando, então.. bem...
- Nikki, ok. Como eles namoram? Elas não estão aqui, estão? - disse voltando o foco.
- Não... elas estudam... estão em casa. Mas é nos EUA...
- Olha, eu sei... mas eles tb vão ficar o tour inteiro sem elas, não vão?
- Vão, mas... eles estão juntos há um tempo e Ike está só saindo... é diferente...
- Taylor, olha... eu sei que não é o ideal, vc está acostumado a viajar com a sua família e eles tb não estão aqui pq vc está com um irmão doente, não é?
- Quem te disse?
- Seu pai... conversamos outro dia. Ele disse que os menores só ficaram em casa pq sua mãe estava cuidando de um deles, mas que era pra ela estar com vcs tb.
- Sim... normalmente eles aproveitam nossas turnês para conhecerem a cultura de outros países... home school, sabe?
- Sei... então. Esse ano nós podemos fazer como o Ike e o Zac... podemos nos falar pela internet e por telefone... vc me liga qnd der um intervalo e eu te espero na internet depois, ok? Logo eu vou ter 16 e até lá a gente vê como fica...
- Tá vendo? Vc não quer me esperar... - disse ele levantando do meu colo e sentando na cama - vai aparecer um cara legal, que te dá atenção e vc vai embora...
- Hã?! Olha só quem fala! Tem meninas chovendo de balde na sua horta, Taylor! Tem meninas lindas! Meninas que falam inglês muito melhor do que eu!
- Mas nenhuma delas é você... *aqueles olhos...* então não me interessa.
- Você está mesmo falando sério?
- Como nunca falei em toda a minha vida...
*Eu realmente posso acreditar nisso?*
Ele acariciou meu rosto e estávamos nos beijando quando alguém bateu na porta. *droga!*
- Já vai! - gritei. - você fica aqui no canto, ok? Não queremos escândalos... - falei baixo, olhando pra ele, enquanto me levantava para abrir a porta.

Weird - E foi assim (COMPLETA)Onde histórias criam vida. Descubra agora