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Quando cheguei na casa de Eric, ele simplesmente jogava e socava as roupas dentro da mala de viagem, sem nenhuma parcimônia.
- Jesus, Eric! Arruma isso direito! - eu digo, colocando as suas roupas para fora e as dobrando antes de colocá-las de volta na mala.
Ele revirou os olhos enquanto continuava a jogar coisas na mala despreocupadamente.
- Pra onde vamos mesmo? - ele perguntou, a impaciência dominando sua voz.
- Bem, meu primo de terceiro grau tem uma casa de campo, então eu simplesmente me ofereci pra ficar nela durante o final de semana.
- Você não tem vergonha na cara?
Usando um dos braços, deito-o na cama.
- Não, não tenho! Que outra oportunidade eu tenho de ficar assim sozinho com você?
- Não está cansado dessas perversões? - mesmo falando isso, os lábios de Eric se erguiam num pequeno sorriso desafiador.
- Quer que eu conte novamente como foi a minha primeira vez com uma garota mais velha naquela festa qualquer da escola? Ela era alta e tinha seios grandes e macios...
- Ahhhhhhhhhhh! - Eric se debate na cama, com as mãos protegendo seus ouvidos.
Dou alguns tapas na sua bunda antes de me levantar.
- Vamos, termine de arrumar suas coisas logo. Vou esperar no carro.
Eric ficou encarregado das músicas e da comida, então durante aquela viagem de duas horas, nós fomos escutando Radiohead e comendo sanduíche de atum.
Quando chegamos no local ficou claro pra mim que esse meu primo tinha bom gosto pra caralho. O chalé que ficava na beira de um lago, tinha um estilo retrô bucólico, toda construída em madeira e tijolos vermelhos, rodeado por árvores e plantas.
- Nat, você viu aquele esquilo? Eu juro que vi um esquilo! - de repente Eric estava correndo entre as árvores parecendo uma criança que nunca tinha visto a natureza.
Coloquei nossas malas no canto do quarto e me joguei naquela cama grande e macia, observando o teto, finalmente sentindo que poderia relaxar um pouco do estresse do trabalho e dos estudos.
Enquanto Eric está ocupado fazendo sei lá o que, eu decido dar uma volta, e só aquele ar puro e o silêncio me fazem sentir infinitamente melhor, com as energias renovadas. Quando finalmente volto para o chalé, percebo que Eric espera por mim no jardim com algo em suas mãos. Ele estava segurando uma mangueira?
- Olha só o que eu achei... - ele diz com seu sorriso perverso.
- Nem pense nisso! - eu digo, colocando as mãos pra frente, como se isso sequer pudesse impedi-lo!
Já é tarde demais porque sou atacado ferozmente por aquele jato de água fria. Quando sinto que mais nenhuma parte de mim está seca, eu corro até ele e me abaixo, fazendo sua barriga se encaixar no meu ombro, então o carrego assim, como se ele fosse um mero saco de areia.
- Ei! Me solta!!!
- Não vou soltar... você vai pagar por isso!
Ele se debate e me atinge com seus golpes, mas sigo firme, carregando-o por todo o jardim.
Quando finalmente o coloco no chão, pego a mangueira e aponto em sua direção. Ele espera por alguns segundos antes de correr.
Ficamos assim perseguindo um ao outro por um longo tempo. Naqueles dias particularmente frios de começo de inverno, era para estarmos congelando, mas de alguma forma eu me sentia aquecido... Quando finalmente começo a ficar exausto daquela brincadeira, apenas puxo Eric pelas calças e ele cai na grama molhada. Aos poucos me coloco em cima dele, então ajeito seu cabelo todo pra trás e observo aquele rosto perfeito me fitar com sua respiração arquejante tocando e aquecendo a minha pele enquanto me aproximo dele. Quando estou prestes a beijá-lo, eu ouço:
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Romantik"Eu não era do tipo de cara que acreditava que algo pudesse durar para sempre. Existiu um tempo em que eu achei que não podia gostar de alguém tanto assim. A maior parte do tempo eu estava apenas.... existindo. Mas às vezes encontramos pessoas em no...
