Decidida a se declarar ao seu grande amor, Marinette descobre o quão duro é amar. E é nesse meio de descobertas, que uma semelhança inconcebível entre ela e seu gatinho vem à tona: ambos foram rejeitados por suas paixões, agora platônicas.
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Decidi respeitar o pedido de Marinette, mesmo contra a minha vontade. Mas se antes meus dias estavam horríveis, agora estavam cem por cento piores. Nem enquanto eu lutava, conseguia ter o mesmo animo de sempre. Ladybug também parecia em outro universo e não percebeu.
Pela primeira vez agradeci por ser invisível perto dela.
Entretanto, passou-se uma semana, e eu não aguentei mais segurar meus instintos. Dei um queijo para Plagg e fui até a casa da Mari. Se não poderia vê-la como Adrien, Chat Noir podia.
Bati como de costume na porta dela e assim que ela me viu deu um sorriso, abriu a porta e fez uma cara de brava.
—Que bonito heim? Aparece aqui uma vez e depois some! Achei que estivesse bravo comigo!
Mal sabia que ela mesma havia pedido para mim que eu me afastasse...
—Eu? Bravo com você? Nem pense nessa possibilidade. Você não vai mais se livrar de mim!
—No que eu fui me meter? –Ela disse rindo.
Parecia que estava mais feliz e eu sorri por aquilo. De alguma maneira, vê-la assim, mais sorridente, me trazia um sentimento bom.
—E então, o que você fez durante esses dias nessa sua vida de gato noturno? –Ela perguntou falando baixo, vendo que eu estava sem entender, completou– Meus pais estão dormindo, e ficariam loucos se vissem você aqui, sabe como é...
Eu ri e comecei a explicar sobre o que eu havia feito nos últimos dias, assim como ela.
—Eu fui promovida no meu curso online de moda! Se não tivesse o fato de eu ter que encontrar aquele cujo nome não deve ser dito, na empresa dos Agrestes, eu provavelmente consideraria o fato de querer muito trabalhar lá!
Senti-me um pouco desconfortável ao ver ela referir a mim, como Adrien, daquela forma e me arrumei na cadeira, mas depois de perceber que ela estava realmente empolgada com aquilo, dei um sorriso.
—Você está com fome? Eu deixei uns croissants lá em baixo. Posso trazer para você. Quer?
Concordei com a cabeça.
—Eles são tão bons! Eu lembro quando eu vim aqui e comi.
Ela levantou a sobrancelha.
Droga.
Droga.
DROGA.
—Como assim, Chat?
—Er, eu já vim comprar na padaria dos seus pais. –Disfarcei, ocultando o fato de já ter comido em uma das festas de aniversário dela, que fizeram lá no parque. E no dia do concurso de videogame.
—Ah. Não sabia que comprava aqui. –Ela disse surpresa e saiu, e eu dei um suspiro. Se ela descobrisse que eu era o Adrien, eu nunca mais poderia vir aqui e eu estava gostando de poder visita-la.
Eu estava muito confuso, não sabia mais o que estava acontecendo em meu coração. Era novo esse sentimento que estava surgindo em mim pela Marinette. Diferente de Ladybug, que era algo mais seguro, como um friozinho bobo na barriga; Mari era mais adrenalina, era como uma montanha-russa, que fazia meu coração palpitar e meu corpo ter reações estranhas, como um calor intenso, era algo mais forte, como se tivesse necessidade de eu a proteger, de ser sempre seu companheiro. Ultimamente, meus pensamentos eram voltados a ela, e o sentimento gostoso que ela me dava, me fazia ter vontade de ter sempre mais.
Talvez seja carência, ou por sermos tão semelhantes, quer dizer, Mari também foi rejeitada, igual a mim.
No fundo eu me arrependia por eu ter rejeitado ela, por ter sido a culpa de seu sofrimento e por perder aquela chance.
—Voltei – Ela disse colocando uns pratos de croissant na escrivaninha. –Nossa você está com uma cara! O que aprontou?
—Nada. –Falei rápido, colocando em seguida um dos salgados na minha boca.
Comecei encara-la, enquanto ela comia.
—Mari, você daria outra chance para o Adrien? –As palavras saíram sem querer da minha boca. –Quer dizer, se ele pedisse para ficar com ele. Você aceitaria?
—Por que a pergunta? –Ela me olhou com a cara de poucos amigos.
—Preciso saber se tenho concorrência. –Disfarcei e ela me olhou surpresa, depois ruborizou.
—Eu não sei. Ele foi minha primeira paixão. Sabe quantos caras eu disse não, por causa dele? Eu queria que meu primeiro beijo fosse com ele, meu primeiro par no baile, que ele fosse o meu primeiro namorado... Meu primeiro tudo. Mas não sei depois de tudo o que aconteceu, isso me parece tão distante. É como se tudo o que eu tivesse imaginado, fosse triturado numa maquina de rasgar papel.
Eu a observei enquanto ela falava. Pensando em como eu poderia viver feliz perto dela. Em como poderia ter sido diferente. Em como eu poderia beija-la. Quer dizer, acompanha-la.
—Entendo. –Respondi.
—Mas não sei, ele ainda mexe comigo, sabe? Ei, por que eu to falando isso com você?! –Ela disse tapando o rosto com a almofada, depois tacando ela em mim (a almofada, não ela mesma).
Dei uma risada e ela também. De repente encarei a boca rosada dela, e cheguei mais perto. Mais perto. Até que senti nossas respirações uma perto da outra. Eu nunca tinha beijado nenhuma garota. E mal sabia como ou por onde começar. Mas eu tinha certeza que queria que a Mari tivesse o primeiro beijo comigo, embora eu estivesse de Chat Noir. Ela começou a me encarar, estava ofegante, assim como eu. Não queria assusta-la, portanto, coloquei devagar a mecha do seu cabelo atrás da orelha.
—Mari...
Ele ficou quieta, só consegui ouvir sua respiração e nossos corações batendo em ritmo constante. Cheguei bem mais perto, senti o cheiro doce de seu cabelo, fechei meus olhos, e quando eu estava a prestes a descobrir o sabor daquela boca, o telefone dela tocou.
—Er... E-eu beijo, quer dizer, celular, atender. –Ela disse toda atrapalhada.
—Acho melhor, hm, eu ir embora. –Falei um pouco triste pelo telefone ter tocado e atrapalhado nosso momento. Olhei para a tela, curioso, imaginando quem seria que estava ligando tão tarde para ela. Depois fui até a janela, acenei e iria sair. Mas ela me chamou e falou:
—É minha tia.
Dei um sorriso e fui embora.
——————————— Notas da autora:
Pessoal, percebi hoje que o Wattpad havia privado o meu primeiro capítulo da fic e que, por isso, tinha gente que não tava conseguindo acessar. Mas já arrumei e agora ele tá Lindo e DISPONÍVEL para vocês, que não conseguiram, lerem. Me avisem se estiver aparecendo agora pra vocês.
Peço desculpas para quem não havia conseguido ler antes.