Decidida a se declarar ao seu grande amor, Marinette descobre o quão duro é amar. E é nesse meio de descobertas, que uma semelhança inconcebível entre ela e seu gatinho vem à tona: ambos foram rejeitados por suas paixões, agora platônicas.
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Foi tudo muito rápido.
Quando cheguei a minha casa, mais cedo, depois da escola, encontrei meu pai conversando no telefone. Ele estava agitado, e mal me viu chegar. Pensei em ir para meu quarto, mas quando o ouvi dizer meu nome, voltei três passos.
Não fazia mal querer ouvir seu nome em uma conversa, fazia?
—É claro que ele vai estar na sessão e Adrien também. Você sabe que ele é muito importante para as fotos.
Ergui uma sobrancelha, tentando entender aonde aquele papo chegaria.
—Você sabe que não tive escolha, se ele saísse o empenho da empresa cairia. Ele é o queridinho dos fotógrafos, principalmente depois de todo aquele bafafá.
Então ele havia me convidado para morar com ele só por interesse?
—Sim, sim, eu sei. Mas essa é minha proposta final.
Não consegui ouvir o resto, não entrava na minha cabeça que meu pai havia feito aquilo.
Fui para meu quarto, planejando trocar de roupa e pegar algumas coisas. Eu não queria ficar nem mais um segundo naquela casa.
Hesitei em deixar minha bolsa no quarto, mas a levei comigo, com algumas roupas e um dinheiro dentro, por emergência, e sai de casa.
Eu precisava tomar um ar.
Eu era um objeto para meu pai. Ele só me quis de volta por causa das sessões!
—Eu sabia... Merda, como pude confiar nele?
Agora, tudo fazia sentido...
Caminhei até a casa da Mari, em busca de consolo, mas ela não estava.
A senhora Dupain-Cheng, disse que a filha havia ido ao shopping. Relaxei ao pensar na hipótese dela ter levado a Manon para passear. Mas quando perguntei se ela tinha acompanhado a Marinette, a Sabine apenas fez uma cara de desentendida e respondeu que não, fazendo meu coração parar.
Eram dois golpes numa tarde só.
Onde ela estaria?
Fui até o shopping procura-la, mas me arrependi assim que vi aquele descarado do Luka a beijando.
Tudo começou a girar. E eu só conseguia andar para trás.
Eu tinha acabado de perder meu chão. Tudo tinha sido uma mentira, nesse tempo todo.
Meu pai me usava para ganhar dinheiro, minha namorada me traia...
Ótimo.
Foi tudo muito rápido.
Quando vi, já estava estirado no chão, com uma dor enorme na perna.
E com uma vontade maior de morrer.
Desejei profundamente para que, naquela hora, eu pudesse partir de uma vez por todas.
Mas o mundo parecia estar contra mim, até nessas pequenas horas. E, ao invés de encontrar o céu, como desejei, eu acordei em um quarto branco, diferente.
Tinha um som insuportável vindo da minha direita, algo que fazia um bip irritante. Por isso, constatei que ali, não era o céu.
Droga.
—Ele acordou! –Marinette, que estava sentada na poltrona ao lado da minha cama, gritou e saiu pela porta.
A voz dela ainda estava distante. E eu via tudo borrado.
E tinha outra coisa.
Não sabia o motivo, mas estava com raiva dela. E, por alguns segundos, meu coração doeu mais do que minha perna.
—Adrien? –Uma moça de branco perguntou, com a voz calma entrando no quarto .
Não consegui responder, eu estava meio grogue e minha voz simplesmente não saia.
—Ele está meio sonolento por causa da medicação. Vai demorar um pouco para raciocinar algumas coisas. –A moça informou, quando viu que eu não responderia nada.
—Ele vai melhorar doutora? –Meu pai surgiu, com uma cara inchada de choro misturada com um pouco de sono.
Ela assentiu.
—Ele, por sorte, não teve nada de grave. Apenas uma leve contusão no pé esquerdo. Não teve nem uma luxação, o que é um milagre. Se ele não estivesse com a mochila, cheia de roupas, que amorteceu a queda poderia ter sido algo muito mais grave. Amanhã mesmo já pode ter alta.
E então, como um passe de mágica, tudo voltou na minha cabeça. A queda, meu pai falando no telefone, e Marinette beijando Luka.
Olhei para ela com uma raiva enorme se formando dentro de mim. Ela me encarava com um olhar de pena. E isso me fez ficar mais bravo ainda.
Por que ela tinha que ter feito aquilo?
O que Luka tinha que eu não tenho?
E por que ela teve que estragar tudo que havíamos construído?
—Sai... –Falei baixinho olhando para ela.
—O que você disse Adrien? –Ela perguntou se aproximando da cama.
Ela estava de brincadeira com a minha cara? Por que tinha que ter me traído, justo com o Luka?
—Eu quero que você saia daqui. –Pedi nervoso.
Ela me olhou assustada, com os olhos cheios de lágrimas.
—Adrien, não grite com a moça. Ela passou a noite toda ao seu lado - Meu pai pediu.
—Eu não estou nem aí, só quero que ELA SAIA! –Gritei.
Meu pai estava prestes a gritar novamente, mas Marinette apenas assentiu com a cabeça e, derrotada, saiu da sala. Levando embora, tantos sonhos e planos que havíamos construído juntos.
————————- Notas da autora:
3K! Uau, obrigada. Fiquei tão feliz, que estou até sem palavras... Não me canso de dizer como vocês são incríveis.
Faltam só dois capítulos para Rejeitados chegar ao fim. Sim, falta pouquinho. Maaaaaas, ainda tem um prólogo e, claro, um capítulo extra <3