Decidida a se declarar ao seu grande amor, Marinette descobre o quão duro é amar. E é nesse meio de descobertas, que uma semelhança inconcebível entre ela e seu gatinho vem à tona: ambos foram rejeitados por suas paixões, agora platônicas.
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—Por que não me contou que gostava dela? Ou melhor, por que a rejeitou naquele dia? – Nino me perguntou, enquanto saiamos da sala.
—Por que você não fica calado? –Respondo rindo. Nino me dá um soquinho, e depois insiste novamente pelas minhas respostas. –Eu não sabia que nutria algo por ela antes. Foi só por isso mesmo.
Ele riu, disse que sabia bem o que eu passava.
—Mas agora não tem mais volta, não é? Agora ela está saindo com outro.
Eu me senti vitorioso por dentro. Marinette era minha. Quer dizer, de Chat Noir.
De repente, isso me deixou um pouco enciumado com a situação. Mari estava sim saindo comigo, mas com meu alter ego. Com uma parte miserável de mim.
Era uma guerra, porque, por um lado, eu tinha Chat Noir na vitória e, em outro, um Adrien tentando batalhar.
—Temos um encontro. –Sussurrei para ele.
—O que?! –Ele, sem querer, cuspiu o suco que havia retirado da mochila, e agora bebericava enquanto nos sentávamos nas mesas.
Não era um encontro, digamos. Mas ele não precisava saber disso, não é?
—Um amigo me mostrou os desenhos dela. A garota tem sucesso.
—Sim, mas o que isso tem haver? –Ele questionou, agora dando uma mordida ou outra de seu lanche.
—É que, por causa dos desenhos, Mari vai lá em casa, meu pai quer avaliá-la. Ele ficou interessado nos desenhos. – Digo, contando agora a verdade.
Nino me olhou de soslaio.
—Quer dizer que o senhor vai tentar reconquista-la? Vai enfrentar o Chat Noir? Vão disputar para ver quem vai ficar com ela?
Eu ia?
—Não, Nino, eu...
—Não brother. Fica tranquilo! –Ele disse me abraçando. –Eu te apoio em tudo! Se aquele gato bobão acha que vai tirar a sua menina, ele está enganado, não é?
Tive vontade de gritar que sim. E bem, eu gritei.
Mesmo sabendo que era uma luta.
Uma luta interna.
~ ♡ ~
Bati de levinho na porta da Mari. Ela estava escutando música, na cama, consegui ver só sua cabeça com os headphones, e por isso, acredito que ela não havia escutado.
Olhei para a porta e vi que estava destrancada, por isso a abri devagar. Fui até o divã, e planejei tapar seus olhos, mas então eu vi só de blusa e calcinha.
Droga, Marinette! Por que você precisa ficar assim no seu quarto, com a porta destrancada? E ainda por cima com esse corpo lindo?!
Não consegui tapar a tempo, pois ela se virou pra mim, e viu meu rosto corado. Só então pareceu ter percebido que estava seminua, e começou a me expulsar do quarto.
—Você tá tão... tão gostosa. –Deixei escapar sem querer.
Ela corou mais, e me trancou pra fora.
—Fique ai! –Ela ordenou.
Vi que, rapidamente, ela vestiu um short, e abriu novamente a porta.
—Você é muito safado, sabia?
Dei de ombros, e a abracei. Por hora, nosso relacionamento era isso, apenas abraços... Embora eu quisesse mais, quisesse saber o sabor daquela boca linda e rosinha e...
—O que você está fazendo? –Ela perguntou, não conseguindo conter a risada, e eu percebi o que havia acabado de fazer: estava fazendo biquinho.
Era real, aquela menina me deixava louco.
—Não consigo resistir.
—Ao que? A passar vergonha? –Ela gargalhou. E eu fingi estar indignado.
Depois cheguei mais perto dela, quase colando nossas respirações, e disse, sem cerimônia:
—A beijar você.
E então grudei nossos lábios.
Eu não sabia muito que fazer, era território novo, mas foi algo tão natural que, quando acabou, por causa da nossa falta de ar, eu queria mais.
—Uau. –Falei baixinho.
—Definitivamente, Uau. –Ela disse. –Foi seu primeiro beijo? Você parecia tão experiente!
Concordei envergonhado.
—Que bom! Assim podemos guardar na memória pra sempre, quer dizer, o primeiro beijo sempre fica na cabeça, não é?
—Podemos repetir a dose? –Perguntei depois de um tempo.
Ela disse que sim, e quando cheguei mais perto dela, começou a fazer cócegas em mim.
—Ei! – Gritei. Entretanto lembrei-me dos pais da Mari, eu não podia gritar.
Aliás, como será que ele reagiram quando souberam do ocorrido desses últimos dias?
—O que foi? – Mari interrompeu as cócegas, ao perceber que eu tentava parecer sério, embora fosse difícil me controlar em meio das risadas.
—Como seus pais reagiram?
—Com aquele negócio do site de fofocas? – Ela perguntou e eu assenti com a cabeça. –Ah, me falaram todo aquele repertório sobre namoro, que é pra ter cuidado, etc. E, por fim, que estavam muito felizes.
Eu sorri, e agradeci mentalmente pelos pais dela serem diferentes do meu pai.
—Então nós somos namorados? –Perguntei, e percebi que deixei Mari surpresa.
—Hum, você ainda não me fez o pedido. Então não sei. –Ela disse rindo.
Foi então que percebi que, quanto mais eu ficasse com ela como Chat, menos ficaria como Adrien.
Fingi qualquer desculpa, dei um selinho nela e fui embora.
Deixando duas cabeças confusas: a minha e a dela.
—————————— Notas da autora:
Oi, tudo de boa na lagoa?
Como prometido, cá estou eu. Hoje, como eu havia falado, teremos dois capítulos, diferente do comum, que é um. Tudo isso para repor a falta de postagem de amanhã (véspera do ano novo).
Espero que gostem, até daqui a pouco –no capítulo aqui de baixo!