Decidida a se declarar ao seu grande amor, Marinette descobre o quão duro é amar. E é nesse meio de descobertas, que uma semelhança inconcebível entre ela e seu gatinho vem à tona: ambos foram rejeitados por suas paixões, agora platônicas.
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Senti-me feliz em ver a emoção e o carinho no tom de voz da Mari, ao falar a respeito de Chat Noir. Confesso que fiquei um pouco indiferente, no fundo, queria que ela falasse daquela forma de mim, sem ser do meu alter ego...
E é estranho que, em poucos dias, a ver sorrir me dava uma felicidade enorme. Talvez eu nunca tivesse pensado nela dessa forma, porque antes, ela era apenas Marinette, a minha colega de classe, a mais distante de mim no nosso grupo.
E de repente, ela passou a ser a Marinette, a menina que eu, supostamente, estou começando a me apaixonar.
Enquanto ela falava do beijo, ou do quase, eu tive vontade de agarra-la e beija-la ali mesmo. Terminar o que deixei incompleto no dia anterior. Mas tive que me conter, o que foi muito difícil.
O pior foi quase colocar tudo por água abaixo, por minha culpa, por ser impulsivo e ter dito aquelas coisas na hora de ir embora. Ela ficou me encarando, me fuzilando com os olhos, como se estivesse magoada de verdade. E eu tonto, só conseguia pedir desculpas, ao invés de falar todo aquele discurso que eu tinha decorado para falar para ela:
"Marinette, eu te amo. E descobri isso agora, me perdoa. Eu estava cego de amor por outra pessoa, e nem percebi que eu tinha minha alma gêmea a dois palmos de distância. Sei que o que fiz foi errado, e admito, mas me dá uma chance?".
O que me restava agora era esperar.
Mas outra pessoa poderia vê-la.
Transformei-me em Chat Noir, pulei de prédio em prédio. Com uma sensação de liberdade. Sei que era errado ficar usando os Miraculous para aquilo, mas naquele momento, eu estava pouco ligando para minhas obrigações de herói, eu só queria ver ela. Sentir seu cheiro doce e abraça-la.
Cheguei rápido, queria muito me encontrar com ela o mais rápido possível. Mas a luz estava apagada, de novo, e eu senti uma leve decepção. Fiquei sentado no telhado de outra casa perdido nos meus próprios devaneios.
O que eu estava esperando? Que ela estivesse ali, de prontidão, esperando um gatinho idiota?
Todavia, a porta do banheiro dela abriu, a luz do quarto se acendeu, e por uma das brechas da cortina eu a vi, ela estava só com as roupas de baixo, eu sei que era ridículo ficar olhando para ela daquela forma, mas eu não consegui me conter. Se antes eu já achava linda, depois de ver cada curvinha daquele corpo, me apaixonei ainda mais. Senti minhas bochechas corarem ao perceber que eu ainda estava olhando ela só de calcinha. E decidi me virar para outro lado, porque achei que estava invadindo algo dela. Mas minha cabeça voltou a pensar nela, naquele corpo, e na minha vontade enorme de beija-la.
Droga!
Porque eu não conseguia parar de pensar nela assim?
Decidi chegar mais perto, quando ela já estava de pijama, me certificando que ela não tinha reparado em mim, antes.