Hora de nos despedirmos de Nova York. Ao chegarmos na casa de Elena, Théo veio correndo até nós. Ela havia enchido o moleque de presentes, deu praticamente todos os brinquedos antigos que ela mantinha em casa e que eram de Lukas, pois fora ela quem criou o neto após a morte dos pais. Mas essa é uma outra história que eu conto outra hora. Ele por sua vez não foi contra essas doações, parece que todo mundo que conhece o Théo, se apaixona.
Almoçamos os 5 na casa dela antes de viajar. Lukas nos levou até o aeroporto e prometeu que em breve iria com sua avó nos visitar. Por mais que ainda sentisse uma pitada de ciúmes por conta do jeito que meu novo chefe me olhava, Gustavo havia começado a gostar dele também.
A viagem foi muito tranquila, mas a cada minuto mais próximo de Lilith eu sentia que alguma coisa iria acontecer. Meu peito estava apertado, uma sensação ruim tomava conta de mim.
- Oque foi Gabriel? Aconteceu alguma coisa? Você ficou quieto. - Gustavo perguntou segurando a minha mão.
Respondi que era só uma dor de cabeça, mas minha intuição nunca falhava.
Ao chegarmos a primeira coisa que vi foi a viatura da policia em frente à casa de Gustavo.
- Sr. Gustavo Brown? O Senhor está preso por sequestro. Nos acompanhe por favor. - O policial disse enquanto descíamos do carro.
Théo que nesse momento estava no meu colo, começou a chorar gritando pelo pai. Em seguida vejo Claudia com o braço engessado e acompanhada por Fábio vindo em nossa direção.
- Você sequestrou o meu filho Gustavo. E isso é crime sabia? A guarda dele é minha. - ela batia no peito enquanto falava - Como você viaja com meu filho sem a minha permissão?
- Ele é meu filho também sabia? Você vai se arrepender de fazer isso comigo Claudia. Foi a sua mãe quem me disse pra eu ficar uns dias com ele. - Gustavo disse enquanto era levado pra viatura.
- Fábio, tira meu filho do colo desse cara agora! - Ela disse enquanto seus olhos queimavam em minha direção.
Fábio então com um braço puxou Théo do meu colo, e com o outro me empurrou com tanta força que me jogou no chão. Lana que vinha com Laura em minha direção correu para atacá-lo. Mas eu não podia deixar, afinal Théo estava em seu colo, e com um chamado meu ela parou e veio em minha direção.
Eu estava sem forças. Ver o homem que eu amava dentro de uma viatura e seu filho chorando, me deixou sem chão. Gustavo gritava dentro do carro como um animal enjaulado.
- Eu tentei te avisar. Mas não consegui falar com você a tempo. - Laura disse me abraçando, enquanto Lana enfiava o focinho entre minhas pernas pedindo carinho.
Eu não conseguia dizer nada.
Passado algum tempo, consegui me recompor e fui até a delegacia ver oque poderia fazer pra tirar ele de lá.
Graças ao advogado que me acompanhou, fora estipulada uma fiança pra que ele pudesse sair. Mas ele não poderia chegar perto do filho até a audiência de custódia que seria marcada.
Eu estava desolado. Por minha causa o homem que eu amava não poderia mais ver o filho. Minha cabeça estava girando.
Já no fim da noite a ordem judicial chegou a delegacia e eu pude pagar a fiança pra tirar ele de lá.
- Me perdoa Gustavo. Isso tudo é culpa minha.
- Não fala nada. Só me abraça! - Gustavo disse e ao me abraçar começou a chorar incessantemente.
Levei ele pra minha casa e cuidei dele até que dormiu.
Na manhã seguinte, as notícias não eram as melhores. Primeiro que a acusação de sequestro era muito pesada, e segundo que por ser uma cidade muito pequena, o juiz poderia se deixar influenciar na hora do julgamento.
Quanto a acusação de sequestro, Claudia foi obrigada a tirar por causa de sua mãe. Ela foi até a delegacia explicar que tudo não passava de um mal entendido e que foi ela quem permitiu que Gustavo viajasse com o filho, e depois obrigou que Claudia tirasse a acusação.
E por mais louca que ela fosse, ela não foi capaz de passar por cima da ordem de sua mãe.
Infelizmente, ainda precisaríamos esperar pela audiência de custódia para podermos ficar com Théo livremente.
Meu telefone tocou enquanto eu preparava o almoço. Era Lukas que em seguida passou o telefone pra Elena que queria saber como foi a viagem e como estava Théo.
- Aconteceu alguma coisa que você não quer me dizer Gabriel? Sua voz está diferente. - Ela perguntou num tom quase maternal.
Ao saber de tudo oque tinha acontecido ela ficou louca, dizendo que mandaria o melhor advogado da editora pra tomar conta do caso. Mas Gustavo não quis aceitar e preferiu deixar nas mãos do advogado da família.
Passamos a maior parte do tempo em silêncio. Lana ficou o tempo todo ao lado de Gustavo, ela sentia que ele precisava de carinho.
- Gabriel? - Gustavo quebrou o silêncio enquanto eu lavava as louças.
- Oi meu amor, tudo bem?
- Você vai ficar chateado se eu for dormir em casa? - Ele disse olhando para o chão.
Eu queria ficar ao lado dele, mas não me opus a sua decisão.
Ele levantou, pegou suas coisas e já ia saindo quando eu perguntei se ele não ia ao menos me dar um beijo.
- Desculpa! - Ele me deu um beijo rápido e saiu.
Eu não queria ver ele saindo daquele jeito, mas não falei mais nada. Meu coração estava gelado, gelado de medo. Não sabia oque ele estava pensando. Talvez quisesse terminar comigo, talvez tivesse se dado conta de que tudo aquilo era porque ele se apaixonou por mim.
O resto do dia foi de reflexão. Pensei muito em tudo oque tinha acontecido.
Em como nossos dias em Nova York haviam sido maravilhosos. Pensei no quanto eu gostava de Gustavo, em como eu amava o filho dele. Os dois não podiam ficar separados de forma alguma.
Caso Gustavo quisesse terminar tudo comigo, eu entenderia perfeitamente, e por conta disso, passei os dias seguintes sem puxar assunto com ele, que por sua vez também não falava comigo nada além do necessário.
As mensagens de bom dia estavam diminuindo. Já não fazíamos mais nossas caminhadas matinais. Beijos? Quase nunca, só quando conseguíamos nos ver, ele vivia na casa de Claudia pra poder ver o filho, já que ela só deixava eles se veem assim.
E eu não podia reclamar, afinal a culpa dele não poder ver o filho, era minha e de mais ninguém!
VOCÊ ESTÁ LENDO
Até o fim...
RomanceFomos ensinados a acreditar que o amor é como os contos de fadas que víamos ou líamos quando éramos crianças. Mas no mundo real isso é bem diferente. Às vezes precisamos passar por alguns contratempos até conseguirmos chegar ao tão esperado "Felizes...
