Chegamos ao bar e ele me apresentou aos amigos. Todos eram bem diferentes e foram muito atenciosos.
Entre eles estava Ricardo. Um rapaz mais ou menos da minha altura. Olhos verdes, moreno e um ar meio latino. Gustavo mal nos apresentou e ele já me ofereceu uma dose de tequila.
- Não, obrigado Ricardo. Tequila me deixa louco e eu acabo não respondendo por mim. – Eu ri recusando a bebida.
- Mas essa não é a ideia? Vamos, toma uma dose comigo. Prometo que se você ficar ruim, eu cuido de você! – Ele disse de uma forma que quase me deixou sem graça.
- Oque é isso Ricardo? Mal conheceu meu amigo e já está assustando o menino? – Gustavo disse sorrindo, mas logo me tirou dali.
O bar era muito legal e tinha um ar meio retrô, e sempre gostei desse tipo de ambiente.
Entre uma bebida e outra o show começou. A banda tocava várias versões de músicas famosas em ritmo de rock, eu estava adorando.
Gustavo ao violão ficava ainda mais bonito que o normal. As luzes do palco privilegiavam aquela beleza toda. Seus olhos brilhavam, e posso apostar que os meus também.
Cheguei a ouvir uma das meninas que assistiam ao show perto de mim, dizer: "Eu quero pegar o cara do violão. Olha como ele não tira os olhos de mim." Tive vontade de socar a cara dela no palco, mas me conformei ao ver ele olhando pra mim e dando aquele sorriso que só ele tinha.
De repente sinto uma mão em meus ombros e ao me virar no susto vejo um rosto conhecido. Era Thiago, um velho amigo da época de escola a quem eu não via há muito tempo.
- Gabriel? Quanto tempo não te vejo. Como você está? – Thiago era um dos poucos amigos que eu fiz na escola. - Li seu livro. Quando sai o próximo?
Foi uma surpresa muito grande encontra-lo ali. Ele foi meu primeiro amor. Mas nada aconteceu entre nós. Era só uma paixãozinha de adolescente. Ele era minha companhia de trabalhos, sentávamos um ao lado do outro e nos intervalos éramos inseparáveis. Mas o amor acabou quando no final do terceiro ano ele começou a namorar uma garota, que é claro, eu odiava.
Conversamos tanto que eu só me dei conta de que a banda tinha parado quando Gustavo veio até nós.
- Gabriel. – Ele chegou me pegando pelo braço.
- Hey Gustavo, esse é o Thiago, meu amigo de escola. – Os dois se cumprimentaram - Nossa, fazia muito tempo que não via ele. Já acabou o show? Estava tão bom.
- Ainda não. Demos só um intervalo. – Ele disse, mas eu senti um tom diferente na sua voz. – Você não quer assistir o show lá de cima? De lá você vê melhor.
Eu então olhei pra Thiago, mas ele percebeu que o convite havia sido só pra mim.
- Vai lá Gabriel, eu estou esperando uns amigos de qualquer jeito. – Thiago falou se despedindo de mim. – A sua banda é muito boa. Gustavo né?
- Obrigado, mas a banda não é minha. Eu só estou fazendo uma participação especial. – Gustavo falou e me levou até o palco segurando a minha mão.
Eu esperaria tudo de Gustavo, menos aquela reação. Ele estava com ciúmes?
Ele me colocou sentado ao lado do palco, no "backstage", bem de frente pra ele. Ricardo logo veio se sentar ao meu lado. De repente ouço os primeiros acordes de "Você pra sempre", música que ele cantou para o Théo lá em casa.
Ele olhou bem nos meus olhos, enquanto tocava.
Se ele tinha feito uma cena de ciúmes, com aquilo ele tinha se redimido. Ele sorriu pra mim fazendo uma cara do tipo "e aí, está gostando?".
Se eu estava gostando? Eu estava apaixonado.
Enquanto eu viajava na música Ricardo meu cutucou - Eu ainda não entendi porque ele queria tanto tocar essa música hoje. Ele mandou a música pra banda no inicio da semana e pediu pra todo mundo ensaiar. Ninguém entendeu por que ele queria tanto tocar uma música de Sandy e Junior – Ricardo entregou o amigo. Então ele não havia sido convidado em cima da hora?
Já passava das quatro da manhã quando o show acabou, e nós decidimos ir embora. Eu estava um pouco bêbado após ter tomado algumas doses de tequila com Ricardo. Sim, ele conseguiu me convencer.
Passamos entre o publico com Gustavo me segurando pelo braço pra que eu não me esborrachasse no chão.
Viemos a viagem de volta calados, eu por medo de vomitar, já Gustavo eu não fazia ideia do por que.
Ao chegar ele me levou direto pra minha casa. Eu estava muito bêbado. Mal entrei e comecei a tirar a roupa, ficando só de cueca pela casa. Gustavo pediu pra eu sentar no sofá enquanto ele me trazia um copo d'agua. Ele estava sendo meio grosso.
- Você ficou com ciúmes de mim? – Eu perguntei
- Não!!! - Ele disse um pouco alto demais - Você está bêbado Gabriel. Bebe essa água que eu vou te colocar na cama.
- Você estava com ciúmes sim que eu vi. - Eu disse enquanto tomava um gole d'água. - Eu não fazia ideia de que o Cláudio tinha ficado tão gato. Nós éramos muito amigos na escola, e eu era doido por ele, mas ele nunca olhou pra mim dessa forma.
- Chega de conversa Gabriel, levanta logo.
Ele então ficou em pé na minha frente e me puxou pra que eu me levantasse também. E ao me levantar eu fui direto a boca dele. Dei um beijo sem pensar nas consequências, mas logo me afastei. Minha cabeça girava. Primeiro por conta das tequilas e segundo porque eu estava com medo da reação dele.
Foi quando o inesperado aconteceu. Ao invés de me bater, xingar ou qualquer coisa do tipo, ele me puxou de volta e dessa vez eu pude fazer oque eu queria desde o dia em que ele apareceu aqui, sentir o gosto da boca dele na minha. Eu estava sonhando, ou aquilo estava realmente acontecendo?
Minhas mãos percorriam seu corpo inteiro. Ele me beijava com vontade, sua boca me desejava, e eu sentia que seu corpo também.
Quando dei por mim estávamos os dois no tapete da sala. As peças de roupas sendo tiradas uma a uma. Ele a todo o momento parava e sorria pra mim, como quem estava feliz com tudo aquilo.
Minha boca percorria o corpo de Gustavo, como quem mapeia algo. Cada centímetro. Fiquei de joelhos em sua frente, vendo ele deitado, com o olhar de quem estava descobrindo algo novo.
Fizemos tudo que havia pra ser feito naquela noite, senti seu hálito em meu pescoço, suas mãos percorrerem meu corpo e seu corpo por completo.
Por fim, deitei sobre seu peito nu, o único som que se ouvia naquela manhã que já se anunciava, eram os sons de nossa respiração que se acalmava.
- Gustavo, posso dizer uma coisa?
- Claro meu anjo!
- Eu te amo!
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Até o fim...
عاطفيّةFomos ensinados a acreditar que o amor é como os contos de fadas que víamos ou líamos quando éramos crianças. Mas no mundo real isso é bem diferente. Às vezes precisamos passar por alguns contratempos até conseguirmos chegar ao tão esperado "Felizes...
