"Isso é um aviso!"

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Silêncio na sala enquanto Gustavo e Pedro se olham.

- Me desculpe Gabriel. Não sabia que estava acompanhado. -Gustavo disse num tom agressivo.

- Gustavo, esse é Pedro. Pedro esse é o Gustavo.

- Eu não vou te dar a mão porque você já viu né? - Pedro falou sorrindo e mostrando as mãos cheias de pudim.

Eu não conseguia falar nada naquele momento. 

- Gabriel eu volto outra hora. Não quero atrapalhar. Boa noite! - Gustavo, virou as costas e saiu, sem ao menos esperar uma resposta minha. Ele pareceu bastante incomodado com oque havia visto ali.

Depois daquela cena, nada mais aconteceu entre eu e Pedro. Por mais que ele tenha tentado, eu só conseguia  pensar na cara de Gustavo ao me ver com ele. Mas se ele mesmo disse que nada poderia acontecer entre a gente, porque agir daquela forma?

Pedro estava sendo muito paciente comigo. Mesmo sem dar maiores explicações, ele não insistiu.  

Subimos cada um para seu quarto.

Após um bom banho, eu já me preparava pra dormir quando ouvi Pedro bater na porta. 

- Gabriel? Posso entrar?

- Pode, claro! - Respondi.

- Eu precisava te dar um beijo de boa noite. 

Ele se aproximou de mim, e me deu um beijo no rosto! Os olhos dele estavam cheios de lágrimas.

- Porque você está chorando Pedro? Aconteceu alguma coisa? - Perguntei preocupado.

- Deixa pra lá. Ta tudo bem! - Ele disse enxugando os olhos.

- Fala Pedro, fala logo! -Eu disse abraçando ele.

- Desculpa, é porque eu me peguei lembrando de quando nós três, passávamos o tempo rindo e brincando aqui nessa casa. Senti falta da sua Mãe Gabriel. 

Nesse momento, eu também comecei a chorar. Realmente, nós passamos por ótimos momentos ali naquela casa.

- Dorme aqui comigo. - Eu pedi.

- Melhor não. - Ele disse me soltando e indo em direção a porta.

- Por favor. - Eu disse baixinho.

Ficamos abraçados enquanto eu fazia carinho em sua cabeça. Pedro chorou baixinho até pegar no sono. 

...

Acordei no dia seguinte ouvindo o barulho da campainha. Pedro dormia profundamente.

Desci pra ver quem era, e pra minha surpresa desagradável, as 08 da manhã, era Beatriz, toda sorridente, vestindo um conjunto rosa e cabelos presos num rabo de cavalo.

- Ué Gabriel, não vai caminhar hoje? - Ela disse num tom um pouco alto demais pra mim que havia acabado de acordar.

Minha vontade era de fechar a porta na cara dela, e voltar pra minha cama. Foi quando vi Gustavo vindo em nossa direção.
Ele não chega até a porta. Mas da um sorrisinho sem graça de longe.

- Vamos Beatriz. Gabriel chegou tarde ontem. Acho que não vai querer caminhar com a gente.

De repente me assusto com a mão de Pedro em meu ombro. 

- Bom dia Gabs, bom dia Beatriz. - Ele disse beijando o rosto dela. - Então, eu ouvi alguém falar em caminhada?

Gustavo ouviu mesmo estando distante e fez cara de poucos amigos.
Após uma breve conversa, Pedro me convenceu a ir caminhar com eles.

Dessa vez era Gustavo quem estava calado durante a caminhada.

Num certo ponto da caminhada eu acabei me distanciando deles, pois precisei parar para amarrar o tênis.
Gustavo ao perceber, veio até mim.

- Não consigo parar de pensar em você. - Ele disse parado em minha frente, tão baixinho que eu quase não consigo escutar.

- Oque?

- Eu não consigo parar de pensar em você Gabriel. Pronto ouviu agora? - Ele disse quase alto demais. - Ontem quando fui a sua casa, era pra te dizer isso. 

O chão mais uma vez desapareceu sob meus pés.

- Você está querendo me enlouquecer Gustavo? Ontem você me disse que é melhor não ficarmos juntos. Hoje vem com essa história de que só pensa em mim? É tudo um jogo comigo?

Nesse momento Pedro e Beatriz pararam e nos gritaram, eles já estavam distantes de nós.

Gustavo não respondeu as minhas perguntas, e eu também não insisti no assunto. Saí andando sem olha pra trás.

Mais uma vez fomos até o rio. Ao chegarmos Gustavo e Beatriz resolveram tomar um banho.

- Oque você e Gustavo tanto conversavam? - Pedro fingiu um sorriso.

- Ele tava me perguntando do celular dele. Ele acha que perdeu anteontem no bar.

Eu disfarcei. Muito mal por sinal. Eu nunca soube disfarçar minha cara quando algo me incomodava.

No tempo que ficamos ali, eu e Gustavo não conversamos mais. Só Beatriz e Pedro conversaram praticamente. Ela perguntando sobre o curso de cinema de Pedro e como sempre contando sobre suas viagens. Eu não entendia como ela conseguia ser tão fútil.

Ao voltarmos, cada um foi pra sua casa sem muito papo.
No celular de Pedro, dezenas de ligações de sua mãe.

- Você não falou pra ela onde estava né Pedro?- Eu perguntei, e ele deu um sorriso de culpa.

Pedro ligou de volta pra mãe, e de longe eu conseguia ouvir os gritos. Ele não disse que estava comigo, mas no fundo no fundo ela sabia.
Passado um tempo, ele resolver ir pra casa pra acalmar a mãe que não parava de ligar. 

Após um banho e roupas limpas, o levei até o carro.

- Se você quiser, mais tarde a gente pode se ver de novo. - Ele disse segurando minha mão, antes de abri a porta do carro.

- Pedro, eu preciso resolver umas coisas sobre o livro. Mas me liga e a gente combina direitinho.

Antes de entrar, ele me roubou um beijo rápido, e disse que me amava. Eu sorri e nos despedimos. Eu não podia dar esperanças a ele, estando divido entre a nossa história e oque eu estava sentindo por Gustavo.

Resolvi verificar todos os meus e-mails atrasados.

Algumas propagandas, e-mails de fãs, e um desconhecido.

" Oi Gabriel, estou te encaminhando esse e-mail como um alerta.
Você sempre foi muito respeitado por todos na cidade, mas existe alguém espalhando boatos sobre sua conduta pelos moradores de Lilith. Coisas que algumas pessoas julgam abomináveis. 
Muito cuidado. 
Isso é um aviso, de alguém que não gostaria que algo de ruim acontecesse a você"

Aquilo me deixou sem reação. Quem estaria falando coisas sobre mim na cidade? Porque fariam isso? Logo suspeitei de Fábio, aquele nojento tinha cara de quem poderia fazer uma coisa daquelas. Mas será mesmo que ele teria capacidade de fazer algo do tipo?


Até o fim...Histórias para pegar e não largar. Descubra agora