Capítulo 1

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Capítulo 1

Uma bela frase


LOTTE's P.O.V




Mais um dia normal, da minha péssima rotina.


O jantar de ontem, foi sem dúvidas, o melhor do mês. Geralmente o melhor é o do dia primeiro, em que eu mais ganho dinheiro. Uma pena que esse mês eu tenha usado maior parte em uma tentativa de quitar as prestações do aluguel que faltavam, obviamente falha. O jantar composto por um frango de um chinês, que provavelmente estava quase podre, arroz e pequenas batatas cozidas. Não pequenas, menores do que o normal, mas, eram batatas. Achei que teria algo para o café, mas novamente, eu não pude comer. O que tinha foi o café de Daisy, e o resto para seu lanche.

Ok, meu estômago ronca ainda mais alto ao pensar nisso. Bem... Estaria tudo normal hoje, se não houvessem chegado alguns alunos de uma escola particular. E quer saber? Pensei que fossem um pouco mais mesquinhos.

Acho que também ficaram surpresos por os alunos daqui não serem tão marginais quanto imaginavam.

Um nerd de óculos, ao lado de um gordo, esteve me observando o tempo todo. Ao menos não iriam arrumar encrenca comigo, posso ter certeza. Não me assustei, sequer tive qualquer tipo de reação quando o mesmo entrou na sala, não acompanhado de seu provável amigo. Só me surpreendi quando ele veio falar comigo, com preocupação sincera nos olhos negros atrás das lentes. E impedi meu orgulho quando aceitei seu sanduíche.


— O sinal vai bater daqui a pouco... — batia meus polegares uns nos outros com as mãos atadas sob os joelhos. — Obrigado pelo... Lanche.


Eu sabia que ele estava sorrindo, e tentei não me incomodar com esse fato.



— Ao chegar, vi que você não estava bem. Quando a aula começou, percebi que estava com fome através dos seus movimentos. —  o olhei. — Me senti obrigado a te ajudar. Não precisa agradecer.



— Mesmo assim, obrigado... — eu sorri, e voltei a olhar para minhas mãos. — Minhas notas estão uma merda por estudar com fome.



— Deve ser horrível. — falou em tom baixo. — Agora que estou aqui, isso não vai acontecer com frequência. Trarei meu lanche em dobro.



— O quê? — o olhei, com as sobrancelhas erguidas. — Obrigado, mas... Não vai ficar aqui o ano todo.



— Mas vou te ajudar enquanto estiver. — sorriu. — Quem sabe nós não viramos amigos, e eu até te ajudo com as despesas?



Ele queria ajudar uma garota, que sequer sabe o sobrenome, a pagar contas? Franzi o cenho ao pensar nisso.



— O que foi? Não gostou da ideia? — pareceu decepcionado de verdade, e isso me derreteu.

Lost Boys [PETER PAN]Onde histórias criam vida. Descubra agora