Capítulo 16

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Capítulo dezesseis
Prazer em te conhecer






— O que foi, Peter? — falei baixo, sem me mover. Olhos fixos na parede.


— Acha que consegue me enganar? — me sentei, virando apenas a cabeça com o olhar. — Mentir para quem mente há décadas é quase um sacrilégio.


— Sobre o que está falando? — levei minhas pernas à lateral da cama, e o observei, de cabeça erguida.


— Dormir durante todo um dia. Isso não é normal. — se apoiou no portal sem portas. — Por mais que minta, Charlotte. Eu tenho certeza de que se divertiu bastante com Gancho.


— Claro. Quase ser devorada por tubarões é super divertido. — concordei com a cabeça, em um sarcasmo mais que notável.


— Você pode ter corrido perigo, ou ter sido maltratada. Mas há algo a mais. — com passos lentos ele se aproximou, semicerrando os olhos. — Não vai manter essas mentiras por muito tempo, Charlotte.


— Não há mentiras para manter, Peter. — sorri de modo doce.


— Eu irei descobrir cada uma delas. E irei contar a verdade a meus Meninos. — ele estava próximo, e fiquei de pé, olhando em seus olhos. — Você não está enganando a ninguém. Só estão fingindo que acreditam.


— Eles acreditam porque tudo é verdade. E você, não acredita por simples ignorância. — franzi o cenho, deixando a raiva subir por minhas veias, ao lembrar de tudo o que ele fizera a meu Capitão. — É injusto demais alguém sofrer mais que você, não é?



Ele recuou um passo, recebendo aquilo como um tiro. Franziu o cenho, com expressão enfurecida.



— O quê? — engoli as palavras que subiram a minha garganta, cerrando os punhos perante a força que fazia para não falar o que queria.


— Todos sofrem. E você duvida de meu sofrimento? — meu semblante foi de dúvida e decepção, mas ergui meu dedo à altura de seu rosto. — Um pouco de apoio do líder e dono dessa ilha faria muito bem.


— E desde quando se importa? Desde quando meu apoio faz falta? — retomou o passo recuado, e ergueu a mão para segurar meu dedo, e logo após deslizou a meu pulso.


— Desde quando percebi que você é um herói. — meu semblante se suavizou, e meu sorriso sereno, era na verdade sorriso de orgulho com ironia. Eu já posso ser atriz! — E que vilões como Gancho merecem as merdas que você faz.


— Acha que vai me convencer com bajulações? — ergueu uma sobrancelha, mas seu rosto hesitava em expressar qualquer sarcasmo.


— Não são bajulações. Depois do que passei, finalmente percebi o quão bom você é. — ainda com a sua sobre a minha, coloquei a mão erguida em seu peito, e me aproximei, levando a boca até seu ouvido. — Eu sei de seus planos para me resgatar. Sei o quão preocupado e desesperado estava.

Lost Boys [PETER PAN]Onde histórias criam vida. Descubra agora