Capítulo 23

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Capítulo vinte e três
Toda a eternidade









As crianças saltavam sem parar no tipo de dança tribal que criaram na Terra do Nunca. Homens morenos trajando roupas que mais pareciam feitas de folhas tocavam instrumentos de corda e percussão, Peter juntando-se a eles com sua flauta de pan.
Londres era como uma constelação abaixo de nós, as nuvens eram poucas e estava bem frio. A lua, suficiente para nos iluminar acompanhada de luminárias penduradas e pisca-piscas, estava grande no céu.

Michael correu até mim, e nos abraçamos. Usava roupas como a de Peter, e estava incrivelmente feliz. Passou o braço por meu ombro, me guiando entre as mulheres e homens — todos provavelmente feéricos —, e subimos para a proa. Lá estava Wendy. Em um vestido princesa radiante, um branco-creme rendado. Uma coroa de diamantes sobre sua cabeça e um buquê de lírios em seus braços. Sorriu largo quando me viu, e fui até ela ainda incrédulo, e a abracei.


— Irmão! — disse, e agarrou meus ombros. — Como está lindo! Tão sério. — tateou meu peitoral, e mexeu no paletó.

— Oh meu Deus, você está linda. — foi só o que consegui dizer. — Ainda mais do que no primeiro casamento.

— Nem me fale sobre eu ex. Ainda estou com peso na consciência. — ela cortou absolutamente toda a conversa.

— Era o destino. — nós sorrimos, e ficamos por um minuto olhando um para o outro, em uma conversa silenciosa. — Como aconteceu?

Ela atou nossos braços, e Michael também o fez.

— Jane e Danny não quiseram ir embora. Para eles, a Terra do Nunca era o paraíso. É. — apontou para eles dois, dançando com fadas de traços juvenis. — Então, ficamos por lá. Acompanhamos o estilo de vida dos Meninos Perdidos, e eu, reatei os laços com Peter. Nós conversamos muito, discutimos e transamos, até que finalmente entendemos um ao outro.

— Pode acreditar, demorou bastante. — Michael ironizou.

— Então começamos o namoro. E há uma semana ele me pediu em casamento. — deu um gritinho fino.

— E Edward? — ousei perguntar, sem muito ânimo ou interesse.

— As crianças foram o ver hoje, durante o dia. Deram as notícias, e disseram que ele não irá nos ver por um longo tempo.

— Apenas vão abandoná-lo? Simples assim? — demonstrei mais indignação do que queria.


— É. — parei de andar, o que fez os outros dois se atrapalharem. Pisquei os olhos rapidamente, e desatei nossos braços.

— Vocês são todas iguais. — meu rosto se contorceu, e me afastei dali, indo ao estibordo. Charlotte era literalmente assim. Insensível, egoísta. Pensei que talvez todas as mulheres fossem assim.


— Ei, eu sei que está sofrendo. Mas tente se distrair. — Michael me cutucou, e me deu uma caneca de metal. — Vai, bebe. Esquece os problemas.

Dei de ombros, e virei o líquido. Fiz cara feia, e entreguei o copo para ele. Não gosto. Nunca vou gostar. Mas...

— Mais uma. — meu irmão abriu um sorriso largo e cheio de maldade.



A segunda, a terceira, e então a sexta caneca de cerveja. Virei a sétima já vendo tudo ao meu redor borrado. Ri alto, muito alto, e dancei com várias fadas.

— Charlotte que se foda! — disse para mim mesmo, quando a fada que me beijou se afastou para buscar cerveja. Vi Michael beijar... Um homem. Ele estava beijando um homem. Gargalhei, vendo alguma ironia inexistente ali, e ri ainda mais alto ao ver Wendy e Peter na maior putaria possível entre dois casais.

Lost Boys [PETER PAN]Onde histórias criam vida. Descubra agora