Eu fiquei dando uma volta pelas ruas do morro, já estava tarde e já estava começando a ficar com medo, então decidi voltar para casa de Pedro, quando ouvi alguém me chamar.
- Maria Luiza? - o olhei e ergui a sobrancelha. - Sou um colega do Pedro, você é a mulher dele né? Não deveria estar na rua até essas horas ainda mais grávida e sozinha.
- É eu sei obrigada, já estou voltando.. - Falei tentando seguir mas ele pegou em minha mãe, não pra machucar.
- Calma, não precisa fugir, eu não farei nada com você.. Quer companhia até lá? - perguntou educado. - Não é bom deixar a mina do chefe andando por aí sozinha!
- De verdade, obrigada, mas não precisa, sei o caminho posso subir sozinha. E nem seria bom o Pedro nos ver chegando junto, não que temos algo, mas ele tem uma imaginação meio fértil!
- Por você vale o risco trocar uns socos com ele! - falou meio tímido e mordendo o lábio.
- Isso foi uma cantando? - Falei parando em sua frente e cruzando os braços, fiquei surpresa, até porque ninguém aqui nunca dava em cima de mim por conta dele, ainda mais grávida e com a barriga crescendo cada vez mais.
- Se você gostou sim.. caso contrário, não. É a propósito, me chamo Henrique.
- Prazer Henrique, o meu você já sabe.
- Sim pequena Malu.. quer continuar dando uma volta, ou quer ir pra casa? Se quiser posso te levar pra tomar um sorvete, como amigos claro!
- Oh não, você seria um homem morto.. - Falei sorrindo.
- Pedro nem faria nada, não deve gostar de você, se não já teria te assumido, como ele já fez uma vez com a Milena! - Opa! Novidade! Como assim Pedro já teve alguém na vida dele e ninguém nunca me contou. - Pela cara de supresa não soube dela né? - neguei - Se quiser posso te falar sobre ela, mas em troca, um sorvete comigo. Amanhã você topa? - quando ia responder foi interrompida com uma voz deliciosamente grosa atrás de mim.
- Algum problema aqui? - era Pedro, será que ele sentia meu cheiro ou o que? - Vamos Maria. E você, Henrique, tá perdido aqui? - falou cruzando os braços e ficando de frente a ele. - Já falei pra tu não meter o nariz aonde não é chamado!
- Calma Pedro, ele só estava tentando ajudar. Nada de mais! - Falei pegando em seu braço.
- Você já tem toda a ajuda que precisa! Vamos embora! - Henrique não falou nada, apenas sorriu sarcasticamente e piscou pra mim, sorri como resposta e segui Pedro.
- Porque você é assim? Até parece que sente ciúmes! - Falei debochada.
- Sem ideia com você! Tá todo mundo louco atrás de ti e você de ideia com noia?
- Olha quem fala, to grávida de um dos maiores traficantes do Rio de Janeiro, irônico não é?
- Eu não uso essas porcarias! Então cala a porra da boca e olha como fala, to cansando dessa tua boca inteligente. Eu vou cansar e você vai ver! - falou irritado abrindo o portão.
- Vai fazer o que? O mesmo que fez com a Milena? - joguei verde e o mesmo me olhou confuso.
- Quem te falou isso? - perguntou e eu sorri seguindo meu caminho, mas ele me puxou pelo braço. - Te fiz uma pergunta!
- Minha filha está com fome, preciso alimentar ela. Então por favor, me solta! - o mesmo olhou pra barriga e sorriu.
- Fez com o dedo? - perguntou brincalhão. - Ela é tão minha quando é sua garota! - falou e saiu andando, ele parecida distante, pensando no que eu havia falado.
***
Estava sentada na mesa comendo bolo e tomando um suco de laranja, nem Márcia e Nem Benício estava em casa ou seja, estava apenas eu e Pedro, que estava perdido por aí.
Me lavrei e coloquei o prato e o copo na pia e fui até o quarto de Pedro, encontrando o mesmo deitado olhando pra cima.
- Posso entrar? - perguntei da porta. - Preciso conversar com você sobre as coisas da neném.. já vou fazer sete meses e ela não tem nada e eu não tenho dinheiro para comprar as cosias no momento, então se puder me emprestar, depois quando começar a trabalhar eu te pago.. - já falei tudo logo de uma vez.
- Amanhã compramos as coisas pra ela. Agora pode me deixar sozinho?
- Porque está assim? - perguntei me sentando ao lado dele.
- Porque você é toda estranha garota! Me trata como um lixo, e depois quer que eu fique sorrindo correndo atrás de você?
- Eu peguei mesmo pesado com você, mas estava cansada e com medo, me perdoa.. - Falei me deitando virada pra ele.
- Não vai dormir aqui! Pode saindo! - falou tirando sua camisa. Que homem era esse, não só o que deu em mim que fui pra cima dele.
- E quem disse que eu quero dormir com você? - Falei me mexendo em cima de seu colo, fazendo o mesmo franzir a sobrancelha.
- Quem brinca com fogo acaba se queimando, então acho bom você sair de cima e ir dormir! - falou rouco.
- Talvez eu queria me queimar mesmo! - me inclinei com dificuldades pra chegar a altura de seu pescoço e sussurrei. - Só hoje.
- Pela primeira vez seu desejo será uma ordem! - Ele falou se sentou, logo iniciando um beijo quente.
Não sei o que deu em mim pra agir dessa forma, mas de uma coisa eu sei, minha noite seria maravilhosamente longa.
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Grávida do dono do Morro
RomanceMaria Luiza sempre foi o típico de menina meiga e sempre muito educada, mas como toda menina, tinha suas amigas, Laura e Beatriz, que moravam na favela da rocinha, e que sempre que podiam, levava a amiga que morava no bairro nobre de Copacabana pro...
