Maria Luiza Narrando:
Estava sentada na sala da casa da Laura ainda, iria esperar Pedro chegar pra poder ir embora com ele, não me arriscaria mais indo embora sozinha, alguém poderia estar lá fora pronto pra me pegar.
Estava um calor infernal, eu já estava ficando super incomodada, a bebê mexia muito, estava com dor, estava tudo muito estranho.
- Tá tudo bem amiga? - Bea me perguntou olhando estranho. - Você tá fazendo umas caretas.
- To com um pouco de dor amiga, mas nada insuportável.. Também estou preocupada com o imbecil do Pedro.. ele ainda não deu sinal de vida!
- Relaxa dondoca, Pedro é osso duro de roer. - Gabriel me falou.
- É, mas ele ainda está se recuperando de uma cirurgia, ele não pode se arriscar assim! - parei de falar quando olhei pra meu celular, era um SMS de um número desconhecido.
Quando abri a foto era eu, nesse exato momento, eu estava sendo observada por alguém. Olhei pra janela assustada e com os olhos arregalados, certeza que já estava mudando de cor, foi quando que eu recebi outra foto, agora eu olhava em direção à janela, com uma mensagem.
"Nos vemos em breve princesinha ;)"
- O que foi porra? Viu um fantasma? - DG falou vindo até mim.
- Estão me vigiando. - sussurrei.
- Que? Fala alto Maria! - Gabriel parecia ter entendido, só não queria acreditar.
- Estão me vigiando porra! - Gritei apontando pra janela e me levantei rápido, quando os meninos iam correr pra fora eu gritei.
- Tá louca? - pararam assustados olhando pra mim.
- Aí! - Gritei novamente e senti um líquido descer por minhas pernas.
- Amiga ficou tão assustada que fez xixi na calcinha? - Laura perguntou inocente. - Calma, eles não vão deixar nada te acontecer!
- Não é xixi, é minha bolsa que estourou, a Madalena vai nascer!
***
Pedro Miguel Narrando:
Fui voando até o morro, estava assustado, depois de muito tempo eu estava com medo de algo, medo de dar algo errado no nascimento da minha filha, de acontecer algo com a Maria, eu simplesmente estava com muito medo.
Cheguei na favela a mil, subi correndo pra casa de Gabriel e a encontrei apoiando os braços na mesa e gemendo de dor.
- Finalmente Cara! - DG falou com as bolsas da neném e da Maria nas mãos. - Vamos logo! Já avisei o doutor lá do asfalto que estamos a caminho, falou que está nos esperando parceiro.
Concordei e fui até Maria, que estava chorando.
- Ei não chora, nossa princesa está chegando.. - falei a puxando e a abraçando.
- Achei que nos deixaria sozinhas de novo. - falou e se agarrou em mim com força. - Ahhhhhg! - gritou.
- Temos que ir logo, as contrações estão muito rápidas! - Laura falou - Essa menina vai nascer aqui, vamos! - assenti e peguei Maria no colo, porra, como ela estava pesada!
- Eu nunca mais vou deixar vocês sozinha!
***
Chegamos no hospital e logo levaram a Maria para fazer umas paradas, escutava os gritos dela do corredor, não acredito que minha filha iria nascer, estava com medo, um medo que a tempos eu não sentia, era estranho, era como se algo não fosse dar certo.
- Acompanhante de Maria Luíza? - A enfermeira me chamou e eu a segui até um quanto que a Maria já estava pronta gritando e fazendo força.
- Calma pequena, nossa filha está quase chegando.. - tentei parecer calmo.
- Calma Pedro? você tá me pedindo pra ficar calma inferno? Ela não vai sair se eu não botar ela pra fora. Então cala a boca e não manda eu ficar calma! - disparou puta da vida.
- Vamos lá Maria, respira fundo e empurra! - o médico falava vidrado para ela. - Sabemos que é difícil, faço isso todos os dias, sei o quanto é difícil, mas você consegue, você é mais forte do que pensa!
- Eu não aguento mais, não dá, não consigo! - falou chorando.
- Ei, eu estou aqui com você, tudo vai dar certo, a partir de hoje tudo vai dar certo meu amor! Só precisa fazer mais um pouco, nossa princesa está chegando.. só mais um pouquinho! - ela me olhou sorrindo em meio às lágrimas respirou fundo e mais uma vez fez força.
- Estou vendo a cabecinha Maria, continua que está quase menina! - o médico falou sorrindo, isso era um bom sinal, Maria assentiu e fez mais uma força, gritando e apertando minha mão com uma força que eu achei que iria quebrar meus dedos.
Foi quando o tempo parou, e o choro da minha filha tomou conta da sala,
Minha filha nasceu porra!
Maria Luíza Narrando
Achei que não iria conseguir, era uma dor tremenda, insuportável, que me fez pensar em jamais ter outro filho pra nunca passar por isso novamente, até escutar o chorinho da minha pequena, sentir ela eu meus braços e ver a cara de bobo do Pedro ao meu lado, eu estava realizada, feliz, cansada e muito realizada.
- Oi minha princesa, bem vinda.. - falei com a voz doce para acalma-la.
- É a minha cópia de periquita. - Pedro falou encantado mexendo em seus dedinhos. - Minha loirinha.
- Mamãe passa toda a raiva e medo do mundo, seu papai só faz me estressar e você ainda sai igual a ele meu amor? - falei sorrindo.
- Parabéns aos papais, mas agora preciso levar essa boneca pra fazer os exames, e você precisa sair para cuidarmos da mamãe também! - O médico falou a Pedro, que concordou.
- Obrigado por tudo Malu, por nunca ter desistido de mim e principalmente por essa filha linda. Eu amo vocês patroa! - falou e me deu um beijo, me deixando sem reação.
As coisas iriam mudar, com certeza tudo ficaria melhor...
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Grávida do dono do Morro
RomanceMaria Luiza sempre foi o típico de menina meiga e sempre muito educada, mas como toda menina, tinha suas amigas, Laura e Beatriz, que moravam na favela da rocinha, e que sempre que podiam, levava a amiga que morava no bairro nobre de Copacabana pro...
