Acordei com algo incomodando em meu braço, estava no soro, e já estava em um hospital, provavelmente eu já havia chegado.
Olhei ao redor e não vi ninguém, minha boca estava seca, e não tinha nada ao redor pra mim beber.
- Olá.. vejo que já acordou, se sente melhor? Ainda com dor? - Uma das enfermeiras que me acompanhou na ambulância falou entrando no quarto.
- Sim, bem melhor, estou com sede.. como está minha filha? - perguntei me sentando na cama.
- Está ótima, estamos a monitorando, e está tudo nos eixos, como deve ser.. O remédio está agindo rápido no seu organismo, e isso é bom! - sorriu anotando algo em sua prancheta. - Vou chamar a Doutora Patrícia e te trazer algo para beber. - assenti e vi que meu celular estava no carregador. - Ahh, espero que não se importe, como seu celular estava sem bateria, usei o meu carregador para carregar o seu..
- Não, claro que não! Eu super te agradeço.. foi uma ótima ideia, muita obrigada, de verdade! - Agradeci e a mesma assentiu sorrindo, logo em seguida saindo da sala, então aproveitei para ver meu celular.
Havia varias mensagem das meninas, estavam preocupadas, junto das mensagens havia cinco chamadas perdidas de Pedro, será que ele não havia ouvido meu recado, na qual eu havia falado que estava sem bateria?
Revirei meus olhos e tentei ligar pra ele, mas o mesmo não atendeu. Deveria estar sem sinal, era assim que eu gostaria de pensar, não queria achar que o pior havia acontecido.
- Opa, atrapalho? - Doutora Patrícia falou entrando na sala, me tirando dos meus pensamentos.
- Ah, não, me desculpe, estava tentando falar com o pai da bebe.. - Falei deixando o celular de lado.
- Um deusa grego loiro forte? - ela falou erguendo uma de suas sobrancelhas e eu assenti confusa. - Ele está na recepção, quase derrubou esse hospital, foi difícil acalmar a fera em..
- Ah graças a Deus.. - suspirei aliviada. - Pedro está bem? - ela assentiu.
- Ele ficou aqui um tempo, mas teve que sair para resolver alguns assuntos segundo ele.. Em breve ele volta pra te buscar, quando receber alta mocinha..
- Quando posso ir pra casa?
- Logo.. mas terá que ter cuidado drásticos Maria Luiza, nada como das outras vezes, pesquisei suas fichas médicas, você já foi parar muitas vezes no hospital, isso é totalmente inacreditável, não sei como você ainda está grávida!
- Minha filha e forte...
- Então por favor, seja forte por ela! Cuide dela, agora mais do que nunca ela vai precisar da sua força, comece a se preocupar com você, com a sua saúde e a vida da sua filha, que está se apressando por conta de sua irresponsabilidade! - meus olhos se encheram de água, ela estava certa, isso tudo era culpa minha. - Eu sei que é duro ouvir isso, mas é necessário, consegui estabilizar a situação e comecei com o remédio..
- Que remédio, pra que ele serve? Não fará algum mal né? - ela negou.
- Calma, eu vou te explicar!
Quando a mulher está grávida, a quantidade de progesterona no organismo deve ser superior a 5mg/ml, caso contrário a sua falta causa contrações que podem expulsar o óvulo fertilizado ou até mesmo o feto em desenvolvimento, o que é o seu caso.. As causas mais comuns para essa situação são stress, dieta desregulada e uso de substâncias químicas. E você não me parece que usa certe subsistências!
- Não, claro que não! - respondi rápido.
- Eu sei. E também sei o stress que é morar no morro, com toda essa loucura de traficantes, brigas de rivais e tudo mais.. Mas agora você só deve ter foco em uma coisa, segurar sua filha, até no máximo trinta e oito semanas, e eu não te quero ver aqui antes disso! - falou por fim e sorriu. - Beba um pouco de água e descanse, mais tarde eu venho com a sua alta. - Ela se levantou e saiu da sala, me deixando sozinha e perdida nos meus pensamentos, até que eu tive que tomar um atitude, que eu não queria, mas que seria necessário.
Peguei meu celular e disquei um número, que logo foi atendido do segundo toque.
- Alô... Mãe?
***
Já havia recebido alta e estava trocando de roupa, que minha mãe havia trago pra mim, eu iria voltar pra casa, meus pais vieram e conversaram comigo, eles me aceitariam de volta, e cuidaria da gente.
- Até quando você vai continuar me dando esse tipo de susto? - Pedro falou entrando no quarto e me assustando.
- Você me assustou.. - Falei botando a mão no peito. - O que está fazendo aqui? - perguntei sem jeito.
- Vim buscar você, vou te levar pra casa Malu.. Eu ouvi sua mensagem e eu estou disposto a mudar por...
- Não Pedro para, eu não vou voltar pra Rocinha com você! - Falei firme e o mesmo me olhou de cara fechada, sua feição havia mudado totalmente.
- A não é? E vai pra onde? - perguntou cruzando os braços.
- Vou pra minha casa, com meus pais, eles me perdoaram, vai ser melhor pra mim e pra minha filha. Com você nada dá certo, você não vê? - meu rosto já começava a se encharcar com as lágrimas que rolavam. - Eu não curti minha gravidez, eu não tive paz, eu só corro perigo, eu só sofri, só corri riscos de perder a minha filha Pedro!
- Ela não é só sua! - Ele falou alto.
- Enquanto ela estiver aqui dentro de mim, ela será só minha, porque só eu posso cuidar dela, essa é minha responsabilidade! - o respondi no mesmo tom.
- E então você resolve voltar pra casa daqueles que quase tiraram esse seu bem mais precioso? Pra casa do Desgraçado que te bateu, que se eu não tivesse chegado la, ele teria te matado! Tá me tirando né Maria! - falou debochado.
- Sim e pra lá mesmo, lá eu não corro mais riscos de vida, não vou ser ameaçada todos os dias, não terei outra preocupação a não ser a Madalena, então é o que eu preciso!
- E aquele papo da mensagem? De que você me ama porra! Tudo aquilo foi pra que! Pra nada?
- Eu amo você Pedro, acredite, sei de tudo que você fez pra me proteger, mas que não foi o suficiente, então antes de amar a você, eu me amo, e amo muito mais a Madalena! - Falei e o mesmo não falou nada. O que eu estava fazendo? Eu precisava acabar assim com ele? Não havia necessidade nenhuma.
- Você tem razão, volte pro buraco de onde eu nunca deveria ter tirado você. E faz o favor, me esquece, não me procura e não pisa mais no meu morro! - falou totalmente descontrolado, apontando seu dedo no meu rosto.
- Então é assim? E essa criança, não vai mais existir pra você? - perguntei cruzando os braços.
- Você acha que eu vou ficar correndo atrás? - ele gargalhou alto. - Se liga garota, me arrependo do dia que te coloquei dentro da minha casa! Se eu quiser conhecer minha filha um dia eu procuro, mas até lá, eu já vou ter feito outros, porque filho, e o que eu mais posso fazer, com mulheres de verdade, não como uma criança que nem você, que não pode passar por nada, que já corre pra casas dos papais! Cresce Maria Luiza, e se liga.
- Não precisa me tratar desse jeito! - Falei com a voz falhada por conta do choro.
- Não tem jeito mais pra falar com você, aliás, não tenho mais o que falar! - falou levantando os braços. - Cuida da Mada, saiba que se preocupar de algo, pra ela, sabe onde me procurar.. Eu, eu.. vou mandar as meninas levarem suas coisas de volta! - falou por fim e saiu batendo à porta.
Que merda que eu havia feito? Porque eu tinha que ter estrago tudo? Ele nunca iria me perdoar por isso e pelas coisas que eu falei, mas agora já era tarde, infelizmente eu havia perdido mais uma pessoa importante em minha vida, talvez era só isso que eu sabia fazer, afastar as pessoas que eu tanto amava...
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Grávida do dono do Morro
RomantikMaria Luiza sempre foi o típico de menina meiga e sempre muito educada, mas como toda menina, tinha suas amigas, Laura e Beatriz, que moravam na favela da rocinha, e que sempre que podiam, levava a amiga que morava no bairro nobre de Copacabana pro...
