Capitulo 65

58.9K 3.1K 668
                                        

Maria Luiza Narrando

Acordei tarde e fiz minhas higienes matinais, precisava ir ao shopping e meus pais iriam comigo, então terminei de tomar meu banho, coloquei um vestidinho soltinho florido e desci, iríamos aproveitar e almoçar por lá mesmo.

Minha convivência ali dentro não estava sendo a das melhores, meu pai mal falava comigo, apenas o necessário e pouco se importava com minha filha, não perguntava por ela e nem nada, mas eu não podia reclamar, tinha um teto e comida pra comer. E principalmente, estava segura.

- Está pronta? - minha mãe perguntou e eu assenti. - Então vamos, sabe que seu pai odeia ficar esperando!

- Claro já estou indo! - desci e meu pai já estava no carro, entrei no mesmo e coloquei meus fones de ouvido, depois de uns quinze minutos chegamos ao shopping.

Fui comprar as coisas que eu precisava, alguns acessórios e alugar uma roupa para usar no casamento da Lelê, que já estava próximo.

- Quer comprar algo pra sua bebê Maria? - minha mãe perguntou e eu sorri.

- Ela tem dinheiro pra isso? Se ela tiver ela que compre, caso contrário, vamos embora! - Meu pai falou super grosso e meus olhos se encheram de lágrimas na hora.

- Maria! - escutei uma voz conhecia me gritando e olhei pra trás, assim como meus pais, era Benício!

- Bê, que saudade amorzinho! - Falei abraçando o menino.

- Como minha sobrinha cresceu, olha o tamanho dessa barriga! - falou animada e encheu minha barriga de beijinhos, como era gostoso receber carinho.

- Vamos logo Maria, larga esse moleque! - meu pai falou me puxando pelo Braço. E eu me soltei com certa dificuldade.

- Paulo, para com isso! - minha mãe o repreendeu. - Vai machucar a menina!

- Que porcaria de shopping é esse que deixa esse tipo de favelado entrar aqui? Cadê a segurança?! - meu pai gritava pelo shopping. - Está cheio de bandidos aqui.

- Pai, para, estão todos olhando! - Falei ao perceber que havíamos virado atração no shopping, Benício me olhava assustado.

- Que se dane, tirem esse moleque nojento imundo daqui! - ele gritava e eu fiquei completamente perplexa, assim como minha mãe, até que por uma fração de segundo vi Pedro passar do meu lado e acertar meu pai com um soco.

- Fala assim do meu irmão mais uma vez, que eu te esfolo na bala seu filho de uma puta! - Ele gritava nervoso, estava vermelho, imagino a raiva que ele estava.

- Pedro.. desculpa, eu.. eu.. - Falei entrando em sua frente e segurando seus bracos, Eu não tinha palavras pra ele, ele me olhou e acalmou um pouco seu olhar pra mim.

- Fica longe do meu irmão! - falou tirando minhas mãos de seus braços e pegou Benício no colo, levando o menino que estava assustado dali, olhei pra trás e dona Marta me olhava triste, isso tudo era culpa minha.

- Maria vem! - Minha mãe gritou e eu não tinha reação, estava tonta, sem saber o que fazer! - MARIA! - Gritou e eu suspirei pesado, indo em sua direção.

- Não sei aonde eu estava com a cabeça de ter te aceitado de volta menina, eu acabei de ser ameaçado por um bandido! - meu pai gritou comigo quando eu entrei no carro.

- E nem eu sei como eu tive a coragem de pedir pra voltar! - Falei baixinho mas o mesmo deve ter escutado, pois me olhou nervoso e logo deu partida no carro, seguindo de volta pra casa.

***

Duas semanas depois...

Duas semanas haviam se passado desde o incidente no shopping, havia tentando diversas vezes falar com o Pedro, e o mesmo não me retornava ou respondia minhas mensagem, então eu parei de tentar, talvez seria melhor assim.

Em casa estava o maior inferno, meus pais não falavam comigo, eu ficava sozinha o dia inteiro no quarto, às vezes as meninas viam me ver, o que me distraia, mas logo elas iam embora e a solidão dominava ali novamente.

Hoje seria o casamento do Diego e da Lelê, eu estava no salão me arrumando, já estava quase pronta, a cerimônia aconteceria no quintal da casa do Pedro, que havia um ótimo e cabia bastante pessoas.

- Ual, você está linda! Com certeza o seu par ficará completamente louco! - Laura falou assim que entrou no salão, ela é Gabriel vieram me buscar.

- Obrigada.. foi o único que deu por conta dessa barriguinha. - Falei sorrindo e alisando a mesma. - Vamos! - Falei segurando o vestido que arrastava no chão e Laura me ajudou a descer as escadas.

Alguns minutos depois chegamos no morro, e subimos até a casa de Pedro que estava repleta de gente.

- Amiga fica aqui que eu vou procurar a Bea, ela esta com a Lelê! - assenti e a mesma saiu, e eu fui à procura de Marta, precisava se desculpar com ela.

- Perdida? - Milena perguntou aparecendo na minha frente.

- Sai da minha frente garota! - Falei tentando sair, mas a mesma me puxou pelo braço e eu gritei. - Me solta droga!

- O que está acontecendo aqui? - Pedro perguntou nervoso, ele estava lindo, usava um terno que li caia muito bem. - Puta que pariu Milena, mas nem hoje você consegue dar paz? Se liga porra! Deixa a menina! - Ela sorriu e soltou meu braço, saindo dali.

- Preciso falar com sua mãe.. - Falei com medo da resposta.

- Estou aqui princesa! - Dona Marta falou subindo as escadas, Pedro não falou nada e deu as costas.

- Pelo amor de Deus me perdoa por tudo, pelo que meu pai falou do Benício, por ter sumido desde jeito.. - Falei enquanto a abraçava a mesma, deixando as lágrimas rolarem.

- Não se desculpe meu amor! Conheço você, e sei do seu coração maravilhoso! Não guardo mágoas jamais de você. Nem eu, nem Benício.. Agora o Pedro, está totalmente desolado com tudo tem acontecido.. Ele realmente gosta de você..

- Eu sei mas. Fiz isso por nossa filha, estava tão assustada que acabei metendo os pés pelas mãos..

- Eu sei meu amor, agora de tempo ao temp certo? - assenti. - E minha netinha, tá quase em?

- Sim, agora sim ela pode vir, trinta e nove semanas, o remédio me ajudou a manter ela aqui dentro até a hora certa!

- Já tem tudo que precisa? - assenti.

- Na verdade está tudo aqui né.. não me levaram as coisinhas dela e meu pai já sabe né? Não me dá dinheiro nem pra comprar uma chupeta pra ela! - Falei e revirei os olhos. - Mas minha mãe tem me ajudado s comprar tudo que falta! Só falta o quartinho agora, que vamos comprar só um berço mesmo e colocar no meu quarto..

- Hmmm entendi! - Marta falava um pouco desconfiada, parecida esconder algo.

- Vem, está na hora! - Laura falava toda animada, fomos para o quintal e eu avistei Pedro e Milena conversando animados, ele ria de algo que ela falava, ele parecida vem com ela, mas eu fiquei brava, com ciúmes, fechei a cara e fiquei sentindo meu ódio sozinha. - Está tudo bem? - Laura perguntou quando olhou pra mim.

- Está tudo ótimo! - Falei cruzando os braços e encontrando na parede, Laura foi até ele e o chamou, ele seria o meu par, éramos padrinhos.

- Já de cara amarrada patricinha? - Pedro falou com deboche assim que se aproximou de mim,

- Não me enche! - Falei e sai andando, o mesmo me seguiu e pegou em minha mão. - Acho que não vou conseguir entrar, não estou me sentindo muito bem! - menti, queria distância desse safado!

- Para de frescura, é casamento da sua amiga! - falou me puxando pra sua frente. - Deixa essa marra de lado! - falou pertinho do meu ouvido me fazendo de arrepiar, logo a musica de entrada dos padrinhos começou a tocar e todos entraram, por último Pedro e eu.

Grávida do dono do Morro Onde histórias criam vida. Descubra agora