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Boa leitura!

Mozart e luz do luar.

A música era clássica e soava calmamente nos meus ouvidos. Salvo erro, eram clássicos de Mozart intrecalados de Beethoven. Não que eu apreciasse este tipo de música, mas conhecia minimamente os gostos da mãe, e sem dúvida que este é um dos seus momentos especiais, em que não poderia faltar os seus caprichos. Os convidados dançavam. Mulheres baloiçavam os seus vestidos compridos, mostrando todas a sua sensualidade e fazendo com que os olhos dos acompanhantes brilhassem de desejo. Eles por outro lado, mostravam-se menos cuidados, sem os seus pesados blazers, com os dois primeiros botões das camisas desapertados, obviamente sem as apertadas gravatas.

Também o pai já não a tinha, mas este continuava deslumbrante no seu traje por completo e na sua camisa sem manchas, totalmente limpa.

A mãe dançava com Mark. Era definitivamente uma cena de rir. O mais novo atrapalhava-se constantemente em coordenar os seus dois pés esquerdos, enquanto que, a mãe o segurava fortemente, tentando dirigi-lo corretamente, para a esquerda e para a direita de acordo com o ritmo. Gargalhadas eram trocadas entre eles e alastravam-se pela pista de dança até chegar a mim e ao pai que estávamos mais afastados, junto das mesas a disfrutar do momento de Mark.

O salão continuava abundante em convidados, mas algumas pessoas, as mais idosas sensivelmente, já se tinham ido embora por falta de uma estável condição física. Compreensível a meu ver. No entanto, a tia Susan e a sua teimosia sem limites, permaneciam sentadas numa cadeira almofadada junto á sua mesa a comer doçuras e biscoitos e a beber sumo de laranja engarrafado. Eu até acho que lhe faça mal, mas nem me vou intrometer. Ela teimou com o Dr.Silver que queria ficar, e ficou, por isso vou me deixar estar calada e pedir mentalmente ao médico que tome conta dela e que não a deixa abusar.

O moreno de cabelos achocolatados e de olhos esmeralda também estava a faltar, já fazia algum tempo.

“Não Mark! Desta vez era para a frente.” O pai ralha o meu irmão silenciosamente. A mãe queixou-se de uma pisadela provocando o meu riso e o rosto do mais novo ficar escarlate de imediato.

“Pai, sabes que daqui, ele não te consegue ouvir certo?” Questionei rindo. O mais velho levou o seu copo de whiskey aos lábios com um encolher de ombros.

“Eu sei querida. Mas já viste bem?” Direcionou-se para mim. Eu sei o que ele está prestes a dizer do seu próprio filho, mas espero que não o faça. Mark ainda é novo e tem tempo para aprender. “Ele é um completo azelha na dança.” O meu pai leva a mão á cabeça, como se a dificuldade do meu irmão fosse algo de muito grava. O que não é. Ri do comentário.

“Pai, para com isso.” Pedi enrolando o meu braço ao dele. “Com umas aulas de treino, tenho a certeza que ele consegue.” Olhei o meu irmão. A sua cara de cansado e de quem se está a esforçar para agradar a mãe, mesmo contra a sua vontade. Eu conheço o meu irmão, por mais que tenhamos chatices e implicâncias, eu sei do que ele mais gosta, do que menos gosta, do seu feitio quando está zangado com alguma coisa, assim como quando está triste. Conheço-o e confesso estar muito contente por o ter como irmão mais novo, ele é o doce de rapaz, quando quer. Sinto dever de o proteger e de o ensinar os melhores caminhos quando ele o pede e quando eu de facto sei o que é melhor.

“Duvido.” A música acaba, dando, rapidamente, lugar a outra idêntica. Vejo Mark a tentar escapulir-se dos braços da mãe, mas esta agarra-o novamente e insiste para que ele continue a dançar. Sorrio com pena do rapaz adolescente. Mark é só dois anos mais novo que eu. Realmente não é muito tempo e também não é isso que o impede de adquirir uma altura maior que a minha. Mas provavelmente seja a sua idade a culpada por nos entendermos tão bem, nos compreendermos e talvez seja os nossos feitios imperfeitamente iguais que nos provoca tantas embirrâncias. Enfim.

Love Affair |hstyles|Onde histórias criam vida. Descubra agora