Capítulo 37

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VALIENTE


O silêncio atual é extremamente assustador. Depois de dias recebendo notícias de diversas prisões, saber que a guarda simplesmente parou de prender as pessoas me incomoda. Eles não podem mudar assim sem ativar um alerta em nós.

Tem algo acontecendo e eu preciso saber o que é.

Meus pensamentos me traem e vão até Audrey. Quando a pedi em namoro, não planejei passar a maior parte do tempo enfiado na sala de José estudando estratégias para a causa. A verdade é que pela primeira vez na vida, minha prioridade não é o Abrigo e sim ela. Audrey roubou o primeiro lugar na minha vida.

E eu não estou desfrutando de sua presença.

— Se não irá focar em nós, deveria ir atrás dela — José comenta, sem desviar os olhos de seus papéis.

— Nada disso, ele é mais necessário aqui — Marcos rebate, lançando um olhar sério ao sogro.

— Fala isso porque realmente quer a ajuda de Lucas ou porque não quer que ele fique por aí agarrando sua maninha? — o senhor questiona divertido, fazendo surgir uma careta em Marcos.

— Tenho que responder? — murmura irritado.

— Sabe — José se afasta da mesa e cruza os braços, o que atrai toda a nossa atenção. —, não entendi toda aquela sua crise de ciúmes quando percebeu que Lucas estava apaixonado por ela. — O senhor a nossa frente coça o queixo encarando o teto. — O que foi que passou pela sua cabeça?

Marcos e eu nos surpreendemos pela pergunta e eu apenas sorrio, esperando sua resposta. Eu entendi todo o raciocínio maluco dele, mas adorarei ver sua tentativa de explicação para José.

— Eu... É... — Ele me lança um olhar de súplica, que logo se transforma em compreensão, afinal, percebeu que eu não irei em seu auxílio. — Conheço Lucas há um bom tempo e sei que ele é um excelente homem, mas Audrey... Ela acabou de conhecer o mundo e meu dever como irmão mais velho é protegê-la de tudo, isso inclui vocês.

— Eu? — José indaga surpreso.

— Sim! De todos. Ela merece conhecer o mundo todo e ter todas as experiências do mundo...

— Exceto a de um namorado? — José o corta divertido.

— Você não entende — meu amigo resmunga. — Eu aprendi que deveria proteger minhas irmãs de todos os homens até que elas fossem adultas. Audrey só tem dezessete anos, ainda não é adulta e para completar, passou a vida presa.

Do tempo que conheço Marcos, consigo contar nos dedos as vezes que ele citou suas irmãs de sangue. Nunca tive coragem de perguntar sobre, mas aposto que elas morreram antes de chegar aos dezessete. Marcos protege Audrey como se ela ainda tivesse a idade de suas irmãs e não posso julgá-lo por isso, talvez se fosse eu no lugar dele, cuidaria da Audrey como cuidaria de Ana, que na minha cabeça, é uma menininha de seis anos de idade.

— Só peço que tenha em mente que Audrey não tem a mesma idade que suas irmãs e, aposto que sabe se proteger do sexo oposto.

— Concordo plenamente — acrescento.

— É claro que sim — Marcos murmura.

— Vamos focar no principal: o que vamos atacar? — indago. — Faltam uns quinze dias e precisamos deixar tudo pronto o quanto antes.

— Eu pensei em fazermos algo bem diferente dessa vez — José se pronuncia de forma pensativa. — E que tal não explodirmos nada?

— Uma passeata? — Marcos inquire em dúvida.

Esperança na Liberdade [COMPLETO E EM REVISÃO] - Livro 1Onde histórias criam vida. Descubra agora