Technical Knockout

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Toronto, Canada.

POINT OF VIEW JULIETA SMITH

Ficamos até o dono do bar dizer chega. E mesmo assim a escuridão não pode nos render. Estávamos tão envolvidos que nos esquecemos de que horas o dia começava. Era apenas eu e ele na imensidão das estrelas.

Justin me segura em seus braços e o pingo de álcool em meu sangue fazia efeito, ou fosse seu calor.

— Vem, quero te mostrar um lugar. – Agarrou-me, dizendo as palavras em meu ouvido antes de dar um beijo forte em minha bochecha.

Ele segurou minha mão, conduzindo-me aonde quer que fosse o seu destino. Tinha poucas pessoas na rua, eu não sabia bem que horas era, mas sabia o suficiente para saber que muitos estavam em suas casas dormindo. Paramos em frente ao prédio de cinco andares, de tijolos e abandonado.

Arqueei a sobrancelha para Justin que riu.

— Você vai me matar?

Ele solta uma risada alta ecoando pela rua deserta.

— Não, não vou. Vamos.

Seguro em sua mão e damos a volta pelo prédio. Justin puxa a escada para baixo e ela caí, fazendo um barulho alto. Ele da um sinal para eu subir, receosa, mas faço. Vou em sua frente.

— Não me deixa cair.

— Sabe que eu não vou deixar. – Eu sabia, queria ter certeza. — Eu tenho a melhor visão daqui.

Coro de vergonha, mas continuo subindo.

Justin estava atrás de mim e uma de suas mãos estava em minha cintura, me segurando.

— Eu te falei que tenho um pouco de medo de altura?

— Não olhe para baixo.

— Não estou olhando, mas minha mente sabe que estamos longe do chão. Eu gosto do chão.

— Continue conversando comigo, baby. Nada vai acontecer, eu prometo.

— Isso é muita loucura. – Gargalhei quando faltava apenas um pouco para subirmos no terraço.

— Mas é uma loucura boa, certo?

Assinto animada.

— Eu estou ansiosa, eufórica, extasiada. Faz muito tempo que não me sinto tão feliz e...

Perco minha fala ao olhar por cima do pequeno muro do terraço e ver uma grande e larga estufa de vidros, alguns quebrados, destruídos, nem por isso tirava a beleza dela. Um sofá velho estava bem ao canto, junto de um pequeno frigobar. Duas mesas de sinuca, alguns grafites pelo chão escrito "Canadians". Havia símbolos também, como caveiras engraçadas ou nomes esquisitos, como Bizzle.

— O que é tudo isso? – Perguntei olhando em volta, aproximando-me lentamente encantada com a estufa.

Nada que um bom trato não a deixasse mais linda.

— Eu morava aqui quando era mais novo, passei boa parte da minha adolescência aqui em cima com os caras. Quando voltamos para o Canadá, é aqui o lugar de ser aqueles garotos de antigamente.

— E essa estufa?

— Meu pai montou para minha mãe, mas quando nos mudamos ela nunca mais voltou aqui.

— É uma pena, ela é linda.

Meus dedos dedilharam pelo vidro decorado, não era muito grande e nem muito pequeno. A porta estava caída, consequentemente destruindo alguns dos seus incríveis quadrados. Centenas de mudas de flores estavam espalhadas, mas mortas. Cerca de oito fileiras, quatro em ambos os lados.

Abstinence | CONCLUÍDAOnde histórias criam vida. Descubra agora