OITO

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Dizem que o amor é cego. Vicente não concordava com aquilo, mas certamente concordava com a frase "o amor é burro ". Ver Diana ali com seu filho, os três juntos desfrutando daquela intimidade o fez querê-la em seus braços e esquecer o que acontecera no passado. Burro. Era isso o que era.

Ele não podia ser igual ao pai. Não queria. Jamais deveria admitir. Mas nunca o compreendera tão bem como naquele momento em que vivenciava a alegria de ser uma família . Diana o traíra de maneira vil, mas ele nunca deixara de amá-la. Essa realidade era quase palpável.

Ele a amava. E o pior: a queria. Odiou-se por constatar isso. Odiou-se por ser tão fraco diante de uma mulher. Mas não era qualquer mulher. Era Diana. A mulher que amava. A mãe do seu filho. Um menino que ele conhecia a tão pouco tempo, mas já amava como se o conhecesse desde sempre. Seu filho. Seu e da mulher que amava.

***

Continuei olhando além do Vicente. Ele percebeu e se virou para trás. Ao ver sua assistente, levantou-se. Eu continuava com o Álvaro ao telefone.

- Vivi! O que você tá fazendo aqui?

- Nossa! - sorriu, constrangida. - Mas que bela recepção.

Vi que ele se aproximou dela e os dois começaram a falar baixo. Eu não escutava mais nada, mas a expressão no rosto da Elvira não era das melhores.

- Diana! - ouvi um chamado mais forte.

Era Álvaro ao telefone que me chamava.

- Desculpa, Álvaro. Me distrai aqui.

- O que houve?

-Tive o desprazer de ver alguém que não suporto.

- João Vicente?

- É. - ele não sabia que eu estava com o Vicente e nãoquis prolongar a conversa. - Depois eu ligo pra você. Certo?

- Claro. - ele percebeu que eu queria desligar. - Mas não esqueça. Estou preocupado com você.

- Hum-rum. Tchau.

- Tchau, minha linda.

Vicente e Elvira continuaram com a conversa e eu comecei a arrumar as coisas do meu filho.

- Diana.

Vicente está ao meu lado. Me chamando.

- Já estou de saída, Vicente. - Eu nem o olhava, continuava arrumando a bolsa do Bê.

- Mas por que?

Coloco a alça da bolsa no ombro e o encaro.

- Sinceramente, Vicente? - Foi uma pergunta retórica, por isso prossegui. - Não quero ficar no mesmo ambiente que a sua recém chegada visita.

Ele dá um suspiro pesado. Olha na direção de Elvira e depois se vira pra mim.

- Eu não sabia que ela vinha. - ele diz sinceramente.

Eu odeio meu ex-marido (FINALIZADO)Onde histórias criam vida. Descubra agora