CAPÍTULO 16-JANETE AJUDA O MARIDO

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Mary Anne  Kelly era a viúva do professor Kelly.

Mary Anne Kelly  esperou as coisas se acalmarem um pouco  para procurar o médico que estava sendo apontado como o pivô da morte do seu marido. Mas, diferente do que ela planejara, nada havia se acalmado e agora, além dos repórteres mantendo vigília no prédio onde Alexandre estava hospedado, ela fora informada que parentes do negro, vindos do Brasil,  também estavam lá.

_Ligue para o doutor Vidigal, Alice._ordenou à secretária._Diga que preciso conversar com ele em particular.

A garota assentiu. Ligou. Pouco depois falou que o médico aceitava o convite, mas que não se sentia seguro em sair de seu apartamento ainda. Solicitou que a viúva fosse até onde ele estava escondido dos olhos da mídia.

A mulher de sessenta anos, loura, cheia de cirurgias plásticas e com ar de poucos amigos percebeu que não teria escolha: quanto mais tempo passasse, mais difícil e arriscado ficaria aquele encontro.

Alexandre desligou o telefone e ficou olhando para o aparelho, sério imaginando o que Mary Anne Kelly poderia querer com ele.

_Mais algum repórter querendo uma entrevista?_questionou a mãe penalizada.

O filho estava abatido, barbado, desfeito...não era justo ele ver todos os seus sacrifícios para formar-se médico  estarem a ponto de serem destruídos por uma denúncia maldosa!

Alexandre não mantivera relações com aquele homem no dia de sua morte...muito menos ele tivera algo a ver com a morte do professor! Agora queriam forjar uma mentira dizendo que Alexandre e Weber eram cúmplices! Onde eles queriam chegar com aquilo tudo? Queriam jogar toda a culpa por cima do seu filho somente porque ele era negro? Rosária não se conformava com tanta injustiça!

_A viúva do doutor Kelly quer se encontrar comigo._avisou Alexandre não vendo razão para esconder aquilo da sua família.

Receber o apoio da esposa, da mãe e do irmão mais velho era o que estava mantendo a sua sanidade mental naquele momento.

Ele estava num outro país, estava acuado, preso dentro de um apartamento há dias, sendo acusado de coisas absurdas e ainda longe de seus filhos amados, sendo que o mais novo não estava bem.

Janete franziu as sobrancelhas, desconfiada:

_Pra quê a viúva de Kelly quer se encontrar com você, querido? Pra descobrir se você trepou realmente com o  marido dela?

Alexandre deu de ombros, já exaurido de forças por todos aqueles dias de cativeiro forçado.

Os repórteres haviam acampado no saguão do hotel onde ele se hospedara e pareciam dar uma nova versão do caso a cada meia hora!

_Não seria melhor contactar o seu advogado e perguntar o que você deveria fazer,  Alexandre?_Aldo também estava desconfiado daquele encontro._Vai que ela vem armada pra poder se vingar de você!

Alexandre negou com a cabeça:

_Não...tenho certeza de que não é isso. Suspeito que ela vem me pedir o mesmo que os meus colegas me pediram. Ela vai querer que eu dê uma entrevista fazendo elogios ao marido na época de escola, a fim de não manchar a imagem dele.

_Por quê? Tinha algum podre do marido na época de escola?_perguntou dona Rosária desconfiada.

Haviam decidido falar com a mãe o estritamente necessário, a fim de não chocá-la mais com toda aquela situação.

_É claro que não, mamãe. Mas as pessoas poderiam vir a suspeitar e aí já querem garantir.

Alexandre disse que Mary Anne chegaria em uma hora e, por isso, pediu a Aldo para levar a sua mãe e a sua esposa  para darem  uma volta. Ela nunca fora aos Estados Unidos e seria bom mostrar os pontos mais importantes da cidade  pra ela.

EM PRIMEIRO LUGAR...NÓS TRÊS!-Armando Scoth Lee-romance espírita gayHistórias para pegar e não largar. Descubra agora