CAPÍTULO 28-DECEPÇÃO!

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Os dois homens admitiram que não tinham vontade de se separarem tão rapidamente.

Som de cigarras...pássaros...aquilo ali estava muito gostoso!

_Você já..._começou Santiago acariciando um mamilo do primo.

O médico não rejeitou aquele carinho.

_Não!_adiantou-se  Alexandre rapidamente.

Santiago assustou-se com aquele protesto quase em pânico!

_Você nem sabe o que eu iria perguntar!

_Claro que sei! Você ia perguntar se eu já dei o rabo pra algum daqueles caras lá do banheiro.

Algo dentro de Santiago pareceu saltar! Doeu ouvir o primo falar daquela forma..."dar o rabo"...

O médico não percebeu que havia ferido os sentimentos de Santiago e continuou:

_Tá doido eu dar o rabo, Santiago? Sou casado, cara...pai de família...dois filhos...tá achando que eu sou veado?

O primo negro de QI admirável afastou o primo branco de QI mais baixo e o olhou bem direto nos olhos, ar zombeteiro, como se fosse um mestre corrigindo carinhosamente o seu discípulo.

Santiago esforçou-se para se controlar...pensamentos confusos...misto de decepção...mágoa...medo de ser rejeitado...desejo de fugir dali...desejo de não ter deixado aquilo chegar àquele ponto!

O padeiro pensou, ainda olhando para os olhos risonhos do primo: o que foi que eu fiz, meu Deus?

_Estou brincando, Alexandre!_o comerciante forçou uma gargalhada.

O fato do primo ter rido também doeu no comerciante! Só que o riso de Alexandre era sincero e o de Santiago não...Aquilo machucou o coração do padeiro...o anjinho de nariz vermelho sentiu-se ofendido...diminuído...decepcionado!

_Admito que ficava cheio de caras lá doidos pra comer o meu rabo..._Alexandre riu novamente._E eu louco pra encher a cara deles de porrada!

Santiago ouviu o primo citar os nomes dos colegas que queriam fazê-lo de passivo nas relações rápidas nos banheiros da escola!

_Eu só participava da mãozinha solidária, primo...nada a ver com aquela putaria lá dos banheiros...só uma punheta amiga...uma sarração gostosa pra dar uma aliviada e só. Como agora.

Santiago ainda conseguiu fingir o espírito alto astral...como o primo fazia...como o primo queria...como o primo certamente esperava dele.

O comerciante afastou-se lentamente do médico. Alexandre não protestou ou o puxou para um último abraço, o que deixou o pobre padeiro deprimido...sentindo-se apenas usado e não desejado, como imaginara há pouco.

O médico evocou as imagens da filha...do filho...da esposa...como se aquilo forçasse a sua cabeça a retornar aos trilhos do exemplar pai de família.

Santiago também, como se tivessem combinado, evocou as imagens da esposa e das filhas.

Juntos...sem ao menos um beijo...sem ao menos um outro carinho...afastaram-se e foram, como se tivessem sincronizado, se enfiar na parte funda do córrego para se limparem do gozo carnal.

Santiago tinha o peito apertado...enfiou a cabeça dentro da água várias vezes, conseguindo despistar as lágrimas que teimavam em vir aos seus olhos.

Santiago não sabia o que desejava que tivesse acontecido depois da sarração...um beijo? Uma declaração de amor? A declaração de que Alexandre tinha gostado e que iria voltar a brincar com ele daquele jeito?

EM PRIMEIRO LUGAR...NÓS TRÊS!-Armando Scoth Lee-romance espírita gayHistórias para pegar e não largar. Descubra agora