CAPÍTULO 29-INSÔNIA

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Na primeira noite do primeiro dia, Santiago e Alexandre não conseguiram dormir.

Santiago não podia organizar as ideias imaginando o que dera errado na hora de mostrar ao primo que aquele encontro ali, no córrego, não precisava ser um "felizes para sempre"...mas que ele queria que fosse especial!

A fala de Alexandre sobre os passivos...a insinuação velada de que o primo pudesse vir a  ser um passivo e que isso seria um tornar-se "gay-veado-bichinha" deixou o comerciante arrasado!

Por outro lado, a consciência de Santiago doía...contorcia...enlouquecia!

Será que fizera errado? Será que deveria ter declinado daquele convite pra viajar com Caio...explicado que precisava ficar na padaria...dizer que não precisava exatamente passar cinco dias ao lado do receptor de sua medula para concordar em fazer a doação?

Ele já amava Caio...fora amor à primeira vista no consultório...fora empatia instantânea e se não fosse a convicção  de que Zezinho era o seu filho morto, poderia até imaginar que acontecera o absurdo do filho dele morrer para imediatamente reencarnar como filho do primo! 

De quantas maneiras um homem pode se avaliar...se torturar para justificar a perda de um filho e o desejo de encontrar explicações e soluções para o fato?

A fala de Marli, a entidade que Cedric recebia, apesar de ser falsa, mexera com ele! Ela falava de um filho num futuro que não existiria e ele tinha certeza disso! Camila não podia mais ter filhos...o aborto tornara aquilo impossível, pois ocorreram complicações suficientes para ela ter que retirar o útero. Inconcebível pensar em trair a esposa...ele não era infiel...e ele amava a sua família...amava as suas filhas!

Aquela vozinha diabólica, porém, o torturou a noite inteira: não precisa da sua traição ser com mulher...olha a delícia de homem que está no quarto ao lado...e aí a noite virou merda!

Arrependimento...dúvida...remorso...insegurança...ele traíra Camila ao masturbar Alexandre? Mesmo naquela idade, ainda poderiam realmente considerar aquilo "uma mão amiga"...uma brincadeira entre homens?

A lembrança veio lá pelas duas da manhã...olhos doendo por não conseguirem relaxar, fechar ...e ele lembrou-se de um dia em que entrou num dos banheiros do shopping. Camila e as meninas na praça de alimentação. Havia dois homens com os pênis de fora...calças arreadas...um com a mão no pau do outro...se masturbando...Ele fingiu ignorar...fingiu não ter percebido o que era impossível de não se notar: os dois com suas nádegas duras...firmes...os paus eretos enchendo as mãos que batiam as punhetas...paus grandes...paus grossos...e ele  não conseguiu desviar os olhos através do espelho, enquanto fingia lavar as mãos...tirando uma sujeira que não existia.

Teria parado ali...cada um deveria ter ido embora...goza um...goza outro...tchau...obrigado...mas não! Os dois rapazes queriam mais...e ele viu o mais alto erguer as mãos e colocar atrás da cabeça...fechar os olhos...enquanto o outro se ajoelhava ali...na frente dele...boca no pau...trabalhando forte...rápido...fazendo uma gulosa perfeita!

O comerciante ainda não conseguia afastar-se e a água escorria por entre os seus dedos...e pode ver a porra quase afogar o que fazia o boquete...e esperou ele cuspir ali mesmo...no chão...no vaso...na pia...mas não! Ele não cuspiu! Ele engoliu e aquilo doeu estranho no peito de Santiago: Camila  cuspira na primeira e  única vez em que fizera sexo oral no marido...cara de nojo...às vezes pronunciava um "eca" que fazia com que o marido se sentisse um porco fedido e nojento! Ele disse à esposa que não gostava...não precisava...e ela nunca mais fizera!

Naquele momento, o comerciante encontrou os olhos do homem que acabara de sugar o "leite" do outro e se virava pra ele, cara safada, secando os cantos da boca com as costas das mãos.

EM PRIMEIRO LUGAR...NÓS TRÊS!-Armando Scoth Lee-romance espírita gayHistórias para pegar e não largar. Descubra agora