CAPÍTULO 31-SANTIAGO E CAIO

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_Por que vocês dois estão com cara de bunda?_bufou Caio sem querer jogar a bola para o pai.

Alexandre ficou sem voz, enquanto Santiago apenas virou o rosto de lado.

Era difícil sobreviver junto sem poder mais se tocar...sem poder mais se soltar...sem poder mais dar vazão ao desejo que invadia aos poucos cada um dos primos.

"O amor nasce da falta", o padeiro lera uma vez na porta do banheiro da escola. Mas agora ele sabia que era o desejo, o tesão  que nascia da falta!

Era véspera de irem embora...pegariam a estrada logo cedo e haviam justamente obedecido à risca o que Manoel tinha dito: nada de contato...nada de sarros furtivos...nada de trombadas dissimuladas...nada!

_Caio, isso é jeito de falar?_repreendeu Alexandre o olhando sério.

_Desculpe, pai, mas o passeio estava muito mais legal quando você e o meu tio se arregaçavam a todo momento. Agora parece que um está com dor de barriga e o outro com dor de dente._falou o garotinho visivelmente  decepcionado.

"Ótimo!", pensou o médico. "Duvido que Janete não vai por maldade neste comentário regaçado do meu filho!"

_A gente não se regaçava não...De onde você tirou isso? A questão é que eu só percebi que  estava bruto demais com o seu tio, só isso._o pai tentou se justificar. 

_Bruto nada, pai! O tio até que gostava de brincar de Hulk...ou mesmo de medir força com você...ele até ficou legal com o nariz mordido aquele dia..._riu o garoto._Você não estava gostando, tio?

Santiago teve que pensar rápido, pois não esperava que ele se virasse pra ele e perguntasse tão diretamente aquilo!

_Mas é claro que eu estava detestando, Caio! O seu pai não percebe a força que tem e, você mesmo viu...é um Hulk e machuca a gente sem dó! Ainda bem que tomou consciência._bufou o tio se fazendo de ofendido.

_Me desculpe, tio...eu achei que você estava gostando...e eu achava divertido!

Santiago não falou mais nada, pois temia que o garoto percebesse o quanto ele concordava com tudo aquilo...todas aquelas pegadas fortes...aqueles corpos se espremendo...se sobrepondo...se delineando...não dava pra não gostar daquele contato com Alexandre!

_Quer saber? Chega de jogar beisebol...vamos ver se o vizinho pode emprestar os cavalos hoje pra gente dar uma voltinha..._disse Alexandre já pegando o filho e jogando sobre os ombros.

Caio deu um gritinho e, por um momento, Santiago desejou que aquelas  mãos fortes e macias estivessem sobre o seu corpo!

Quando o pai recolocou o filho no chão, ele saiu correndo e foi ao encontro do tio.

_Oba, tio!_gritou o garoto já puxando a mão de Santiago._Vamos lá que o meu pai vai te ensinar a montar a cavalo e você vai amar!

Alexandre tinha que reconhecer que o filho estava apegado demais ao tio e que, admitiu,  não era só o filho que estava tão apegado ao padeiro!

Era tão bom ter o antigo anjinho ali, junto a eles, com toda a sua graça...aquele traseiro sexy...aquele rosto que não estava tão longe das suas lembranças de infância, quando ele ainda era acostumado a invejar o primo branquinho. 

Pelo lado de Santiago, ele percebia também que já considerava Caio como o seu filho e já não via possibilidade de deixar que ele se afastasse...com ou sem a sua medula no corpo, era como se os dois já fossem pai e filho! Sentir que o sentimento era recíproco enchia o comerciante de felicidade!

EM PRIMEIRO LUGAR...NÓS TRÊS!-Armando Scoth Lee-romance espírita gayHistórias para pegar e não largar. Descubra agora