Eduardo Bergamini
Hoje, pela manhã, meu pai me ligou avisando que faz questão de que eu esteja com ele em seu aniversário de 60 anos. Depois que ele se separou da Flávia, ficaram apenas ele e minha irmã na Argentina, e ele vive reclamando que se sente muito sozinho e que quando der uma loucura nele, larga tudo por lá e vem morar comigo. Confesso que não vejo a hora de que isso aconteça, pois sinto muita saudades deles.
Como ainda não saiu a decisão da justiça à respeito da guarda da Manuela, e eu, infelizmente, vou ter que enfrentar a Isabela para conseguir levar a minha filha comigo para Argentina. É uma tarefa difícil, mas não impossível.
(...)
Hoje era o meu dia de sair com a Manu, e aproveitaria para pedir para Isabela deixar a minha filha viajar comigo. Tirei o dia de folga e fui buscar minha princesinha que me esperava ansiosa no jardim da sua casa.
-Papai! - ela pula em meu colo - você demorou.
-Oh querida, me desculpe. Tentei vir o mais rápido possível - beijo sua cabeça.
-Oi Eduardo - Isabela aparece na entrada da casa.
-Oi Isabela, precisamos conversar um pouco - coloco a Manu no chão e me agacho na sua altura - filha faz uma mala com tudo que você quer levar para casa do papai enquanto eu troco uma palavrinha com sua mãe.
-Tá bom papai. Vou pegar minhas Barbie's, e hoje você vai ser a Madeline, nem adianta chorar - ela entra correndo em casa.
-O que quer conversar comigo? - Isabela pergunta sentando-se ao meu lado.
Estamos tentando ser ao menos educado um com outro, e apesar de inacreditável, isso está ao menos funcionando.
-Dia 27 é aniversário do meu pai, e ele gostaria muito que eu fosse e levasse a Manu comigo. Antes que você surte, e comece a gritar, poderia pensar com carinho? E você pode ir junto.
Ela respira fundo, coloca sua franja atrás da orelha, e me olha de um jeito tão sereno que me lembrei da Isabela que conhecia anos atrás.
-Se você ao menos tivesse avisado antes. Hoje já é dia 20 Eduardo.
-Eu sei Bela - o seu apelido escapa dos meus lábios e ela me olha surpresa - mas por favor, tenta fazer esse ssacrifício. Meu pai é sozinho lá na Argentina, é apenas ele e a minha irmã.
-Tudo bem, nós vamos.
Ela diz por fim e uma felicidade imensa me invade. Senti até vontade de lhe dar um abraço, mas minha pequena princesinha voltou com sua mochila de cachorrinho nas costas.
-Onde a gente vai mamãe? - ela pergunta com uma carinha de sabeca.
-Vamos conhecer o seu vovô amor. O pai do papai - Bela diz com todo o seu carinho que tem pela filha.
-Sério papai? E onde ele mora? - ela já está toda animada com a ideia.
-Na Argentina filha, vamos voar de avião - pego-a no colo.
-Eba! Então podemos aproveitar e ir na Disney? Eu sempre quis ir à Disney - pede toda manhosa.
-Manuela, não se empolga. A mamãe já conversou que vamos na Disney no final do ano.
-Papai vai também, né? Ele deixa eu comprar tudo que eu quero.
-Ah sua interesseira - faço cócegas em sua barriga - você só quer que eu vá para lhe dar presentes?
Manu gargalha gostoso em meu colo, até que perde o fôlego e eu paro as cócegas.
-Não papai, você sabe que eu te amo - ela deixa um beijo em minha bochecha e pula do meu colo - vamos papai, eu quero passear.
-Se despede da mamãe, filha, fala que a noite estamos de volta.
-Tchau mamãe - ela deposita um beijo na bochecha da Bela - a noite a gente volta, tá?
-Tá bom meu amor, obedece o papai.
Saímos de mãos dadas e coloco Manu em sua cadeirinha. Dirijo até a minha casa, e quando chegamos, Manu sai correndo em em direção ao seu quarto.
-Para de correr Manuela, você vai cair.
-Para papai, tá parecendo a mamãe falando comigo - ela faz sua típica carinha emburrada no pé da escada.
-O que você quer fazer? O que acha de irmos na piscina?
-Posso levar minhas Barbie's? - pergunta com os olhinhos brilhando.
-Manu, você sabe que sua mãe não vai gostar nada dessa ideia.
-Depois a gente coloca as Barbie's para secar papai, por favorzinho - implora de um jeitinho tão fofo que não resisto.
-Tá bom filha, vamos. Espera o papai trocar de roupa?
-Espero, vai logo papai.
Subo para o meu quarto e visto uma sunga, pego duas toalhas e um protetor solar, e desço encontrando Manu no chão da sala brincando com suas bonecas.
-Vamos bebê?
Ela segura minha mão e caminhamos até a área de lazer da casa, onde tem uma piscina, uma churrasqueira, uma mesa de madeira bruta com cadeiras, e um espaço grande apenas com um gramado verdinho no chão. Manu joga todas as suas Barbie's na piscina e entra devagarinho na parte rasa.
-Vem papai, vamos brincar um pouquinho.
Entrei na brincadeira e assim passamos metade do dia. Eu amo ficar com minha filha, ainda mais quando estamos somente eu e ela, adoro ter sua atenção apenas para mim.
Depois da diversão na piscina, dei um banho na Manu, em casa já tinha seu quarto com um monte de coisas dela, e depois dei almoço em sua boca pois estava com manha e preguiça de comer. Quando fui almoçar, só ouvi o barulhinho da respiração da Manu, que acabou dormindo no sofá toda torta. Peguei-a em meu colo, e subi colocando-a em seu quarto. Aproveitei o tempo livre, e fui arrumar nossa bagunça, já que hoje dispensei a minha empregada para ficar a sós com a minha filha. Liguei a televisão em um canal de esportes, e assim passei praticamente o resto da minha tarde até a Manu acordar, e me obrigadar a brincar mais um pouco de boneca com ela.
No final do dia, por volta das 21 horas, fui levar a Manu de volta para casa, a despedida foi tranquila, Isabela foi educada e até me agradeceu. Acredito que ela também está se esforçando para as coisas darem 'certo' entre nós.
Isabela Garcia
É, eu estou tentando. Cheguei a conclusão que isso é o melhor a fazer, e é inevitável odiar alguém para sempre. Ver o jeito que Eduardo trata a nossa filha me deixa emocionada, e me arrependo amargamente por não ter lhe dito sobre a minha gravidez desde o início, tenho certeza de que as coisas seriam muito diferentes. Agora eu já não vejo mais necessidade de levar o pedido da guarda até a justiça, vou conversar com Eduardo nessa viagem que faremos para Argentina e tentarei um acordo. Farei um sacrifício para abrir mãos de privilégios e dar o direito dele participar ativamente da vida da filha.
A Manu chegou em casa toda contente contando como foi o seu dia ao lado do pai. Eu não me preocupo mais como antes, sei que Eduardo cuida super bem da filha, e a prova disso está na minha frente. Manu está toda arrumadinha, cheirando à perfume de bebê. O cabelo está divido, se eu posso chamar isso de divido, ao meio com duas chuquinhas. Ela exibe lábios brilhantes resultados do seu gloss labial, e sua pele está branquinha, apesar dela me contar que passou a manhã inteira na piscina. Eu não quero dar mole para Eduardo, eu ainda sou muito ressentida pelo o que ocorreu no passado, mas que o filho da puta é um bom pai, isso eu não consigo negar.
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Sr. Destino
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