Capítulo 21 - parte 1

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Isabela Garcia

Como é horrível ficar sem minha filha em casa. Nunca vou me acostumar com isso. Fico meio perdida, andando igual uma barata tonta dentro da minha própria casa, vê se pode?! Tomo um banho e coloco um pijama bem fresquinho, ligo a televisão do meu quarto apenas para fazer barulho e ligo para a Val.


-Bela? - ela atende.

-Amiga preciso conversar.

-O que houve?

-Depois do fiasco que foi a audiência de hoje, Eduardo ainda tive a petulância de pegar minha filha e levar para passear - Val solta uma gargalhada alta - do que você está rindo sua idiota?

-É que você fala da Manu como se ela fosse só sua filha, como se você tivesse feito com o dedo - ela ri ainda mais.

-Que absurdo! Ligo para desabafar com a minha amiga e ela fica rindo da situação trágica que estou vivendo.

-Bela para de drama, você sabe que eu sou a primeira à te apoiar. Claro que quando você tá certa, o que não é o caso.

-Valquíria você sabe de tudo que eu já passei para criar essa menina.

-E você sabe que parte de todo esse sofrimento poderia ter sido evitado se você tivesse contado para Eduardo que você estava grávida.

-Tá, tenho que desligar. Tchau.

-Você não gostou do que ouviu? Mas é a pura verdade.

-Tá bom Valquíria, depois conversamos. Beijos.


Desligo o celular irritada, nem minha própria amiga está do meu lado. Resolvo ligar para minha mãe, só ela para me entender.


(...)


Não é possível. Acho que Val e minha mãe formaram um complô contra mim, só pode ser. Minha mãe também encheu a minha cabeça, falando que toda essa situação que estou vivendo agora poderia ter sido evitada. E ainda ressaltou: "E não foi por falta de aviso, né dona Isabela?!". Droga, mil vezes droga. Agora só falta aquele maldito do Eduardo atrasar, já são 21:30 e nenhum sinal dele. Desço para minha sala e coloco um roupão para pegar a Manu a hora que chegar, quando fui me sentar no sofá escuto a campainha tocar. Saio para abrir o portão e encontro minha bebê no colo do pai. Isso soa tão estranho, até poucos dias atrás era somente eu e ela.


-Prontinho, estou até adiantado - ele diz sorrindo. Eu até me derreteria pelo seu sorriso, se não estivéssemos envolvidos da maneira que estamos.

-Oi amor de mãe - pego Manu no colo - gostou de passear com o papai? Ele cuidou bem de você?

-Sim, sim. Quero sair com ele mais vezes mamãe, agora eu quero dormir um pouquinho.


Ela pula do meu colo, se despede do Eduardo e entra em casa correndo. Ufa, meu coração ficou até mais leve.


-Obrigado - Eduardo sussurra baixinho.

-Fazer o que né?! Eu não tenho escolha - dou os ombros.

-Olha Isabela, eu vou evitar brigar com você, não que você merecesse, mas eu vou fazer isso pela minha filha. Ela não merece viver no meio de dois pais que se tratam como gato e cachorro. Vê se segue o meu exemplo e tenta fazer igual.

-Mas é muito desaforado mesmo! Vem na porta da minha casa querendo dar lição de moral em mim?! - antes que eu consigo terminar a frase ele arranca com o carro.


Ah vai tomar banho! Acha que tem alguma moral para falar comigo. Entro em casa trancando a porta e apagando as luzes que a Manuela vai acendendo durante o caminho até o quarto e vou atrás dela. Encontro minha filha dormindo toda torta na cama. Pego ela com carinho, dou um banho como se ainda fosse o meu bebê, troco sua roupa e coloco ela para dormir comigo, hoje preciso sentir seu corpinho ao lado do meu.


(...)


DIAS DEPOIS


Eduardo fez questão de pagar de bom pai todos esses dias que se passaram. Ele via a Manu quase todos os dias, não que eu gostasse disso, mas achei melhor tentar colaborar com a nossa relação de pais separados com uma filha pequena. Hoje foi o dia da nossa segunda audiência, e mais uma vez não chegamos em acordo nenhum. Eu e Eduardo tivemos a nossa primeira conversa civilizada juntos, e decidimos por bem tentar resolver nossa situação em uma reunião mais informal juntamente os nossos advogados. E ao fim, apresentamos a situação que estamos dispostos a viver ao juiz em nossa audiência final. Manuela Garcia ganhará o sobrenome do papai e viveremos em uma guarda compartilhada.


"Bistrô Italinãna, às 20 horas.

Eduardo".


Olho a mensagem do Eduardo em meu celular com o endereço do jantar que teremos ainda hoje com os nossos advogados. Espero que finalmente cheguemos à um acordo bom para ambas as partes.


(...)


Eduardo Bergamini

Juro que tentei um acordo de paz. Sugeri até que morássemos juntos, cada um com seu quarto e suas coisas é claro, tudo para que nenhuma parte saísse desfavorecida. Entretanto, quando eu dei a ideia de morarmos juntos, a Isabela f

altou me morder no meio do restaurante. Já eu acreditei ser uma ideia super válida, viveríamos como amigos em uma casa, e ainda de quebra nossa filha não sofreria pois sempre teria os pais ao seu lado, mas um acordo só é acordo quando ambas as partes concordam.
A Isabela fez questão de propor uns esquemas totalmente sem noção, como por exemplo eu ver a minha filha apenas uma vez por mês. Olha o tamanho do absurdo! Ao fim, como já era de se esperar, mais uma vez não chegamos em acordo nenhum. Só nos restou recorrer à última audiência que será realizada mês que vem. E eu usarei todas as minhas armas para ganhar a guarda da minha filha, não por maldade, e muito menos por querer se vingar da Isabela, eu só quero recuperar o tempo perdido.

Sr. DestinoOnde histórias criam vida. Descubra agora