Mesmo ignorando os olhares dos dois, Harry estava intrigado com a razão por trás de tanta insistência silenciosa.
Nenhuma palavra era trocada entre eles. Apenas olhares surgiam em momentos aleatórios — como quando Harry estava com Liam e Niall, rindo de alguma idiotice no refeitório, e os rapazes entraram junto com alguns jogadores do time. Em vez de irem para a mesa habitual, sentaram-se justamente na mesa ao lado de onde Styles estava. E, quando Harry não resistia e encarava de volta, eles não desviavam os olhos.
Depois de muito analisar a situação, o cacheado chegou a três possíveis teorias:
Eles estavam com medo de que Harry contasse para a escola toda sobre a noite da festa e estavam tentando intimidá-lo. (O que era desnecessário — Harry jamais contaria para alguém.)
Eles queriam conversar, mas não sabiam como abordar o de olhos verdes sem parecerem humilhantes ao dizer que a transa não tinha significado nada.
Talvez, só talvez, eles quisessem repetir a noite. Porque, convenhamos, o sexo a três tinha sido incrível — e não era possível que só Harry pensasse assim.
Por isso foi uma surpresa quando, duas semanas depois da famigerada noite, Louis Tomlinson entrou no vestiário masculino após o treino de natação de Harry. Por sorte, só havia mais dois garotos, que já estavam de saída. Louis aproveitou e fechou a porta atrás deles com uma agilidade admirável.
— Por que você tá fugindo da gente? — perguntou, direto demais para o raciocínio lento de uma terça-feira de manhã de Styles.
— Eu não tô fugindo, não — foi tudo o que Harry conseguiu dizer, ainda de sunga, sem tempo de pegar uma toalha, levantando as mãos num misto de surpresa e tentativa de defesa.
— Conta outra. Zayn e eu tentamos falar com você quase todos os dias, mas você finge que não vê.
— Eu juro que não... Espera, falar sobre o quê exatamente? — disse Harry, desconfiado, imaginando que provavelmente não escaparia da triste confirmação de sua teoria número 1: Louis Tomlinson estava ali para proteger sua reputação — e talvez apagar qualquer vestígio daquela noite.
— Sobre o campeonato de futebol de botão que a gente tá organizando, porra — ironizou o de olhos azuis, com um tom que caía muito bem nele, como Harry notou, quase hipnotizado. — Sobre o que aconteceu na festa do Troye, é claro.
— Mas eu pensei que... não tinha o que ser conversado. Nunca foi minha intenção ficar entre vocês — murmurou Styles, quase num sussurro. Ele não costumava ser assim. Apesar de não ser um galanteador, sempre foi um garoto desinibido e que raramente ficava sem saber o que dizer. Raramente.
Mas algo em ter Louis Tomlinson ali, tão perto, tão bonito, usando uma calça skinny preta e a jaqueta do time, enquanto ele estava apenas de sunga, molhado da cabeça aos pés, o deixava sem reação. Provavelmente estava alucinando, mas os olhares de Louis sobre seu peitoral pareciam perigosamente reais.
— Eu achei que você tinha gostado de ficar entre a gente — disse Tomlinson com um sorriso de canto, meio debochado. E continuou: — Olha, eu entendo que o que aconteceu talvez tenha sido um ponto fora da curva — disse, pausando por um segundo para umedecer os lábios com a ponta da língua, enquanto encarava Harry de forma misteriosa —, mas você não precisa se preocupar. A gente só quer conversar. Você tem parecido meio inquieto desde aquele dia.
— Eu só... eu só não sabia como lidar com o que aconteceu. Não sabia qual seria a reação de vocês. Foi tudo uma bagunça bêbada.
— Isso deu pra perceber. Você fugiu na manhã seguinte — comentou Louis, com aquele sorrisinho debochado e um arquear de sobrancelha que Harry achava perigosamente adorável.
— Sinto muito por isso... Quando vocês querem conversar? — perguntou ele, resignado, achando melhor arrancar o band-aid de uma vez.
— Depois da aula, na casa do Zayn. Você sabe onde é.
Harry esperava um lugar mais neutro, mas entendeu que uma possível DR sobre uma transa a três talvez não fosse o tipo de conversa para se ter numa lanchonete. E, é claro, ele sabia onde Zayn morava — um dos caras mais ricos da escola, filho dos donos de um condomínio de luxo que todos conheciam. Ele já estivera lá no ano anterior, numa festa depois do campeonato.
— Okay... — disse, meio incerto.
— A gente pode te dar uma carona. Vocês fazem a última aula juntos.
Imediatamente, a aula de literatura lhe veio à mente — aquela em que ele tentava ignorar o de olhos castanhos, mas falhava miseravelmente. Era quase impossível ver Zayn lendo um soneto de Shakespeare e não derreter.
— Certo, eu só vou... eu preciso... — disse ele, apontando desajeitadamente para a toalha jogada num canto, tentando fugir do olhar indecifrável de Louis.
— Ah, claro. Que bom que a gente vai poder conversar logo. Até mais, então.
E, tão rápido quanto chegou, Tomlinson saiu do vestiário, deixando para trás um Harry Styles completamente atordoado — tentando desesperadamente não criar expectativas para uma situação que só poderia ir de mal a pior.
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idk. {zourry}
Fanfictieharry, louis e zayn estão no colegial e não há nada que mude o fato de estarem atraídos mutuamente.
