Chapter III

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Contém: Sintomas de Estresse Pós Traumático
Palavras: 1.4k

Tom acordou no meio da noite com sons vindo do quarto onde Elle dormia. Ele rapidamente levantou e foi até o quarto, onde encontrou loira se mexendo na cama, enquanto falava coisas como: "Não!", "Pai!" e "Ajuda!". Tom sentiu uma dor no peito ao ver ela naquele estado, emtão logo tentou ajudá-la. Ao sentar ao lado dela e balançar levemente seus ombros, Elle tomou um susto ao abrir os olhos.
-Hey, sou eu, tá tudo bem! - disse ele segurando os braços da loira, que tentava se soltar.
-Tom? - disse Elle com os olhos marrejados.
-Sou eu Elle, tá tudo bem! - Tom continuava afirmar para a garota, que agora chorava em seus braços.
-Me desculpa, eu... eu... - Elle tentava fazer as palavras saírem de sua boca, mas ela só conseguia chorar.
-Foi um pesadelo, tá tudo bem agora Elle! - disse Tom acariciando seus cabelos loiros.
Elle continuava a soluçar e se desculpar nos braços de Tom, enquanto ele reafirmava que estava tudo bem e não tinha porque se desculpar.
Alguns minutos depois, os soluços de Elle haviam diminuido e seu corpo parecia relaxado. Tom então percebeu que ela havia dormido, ali mesmo, em seus braços. Com cuidado, ele a deitou na cama e a cobriu com um cobertor, mas assim que levantou para voltar ao seu quarto, sentiu Elle segurar seu pulso.
-Tom? - disse ela ainda com olhos fechados.
-Sim? Eu estou aqui! - disse ele se abaixando e ficando em frente á ela.
-Fica aqui... - disse a loira apertando sua mão.
-Tem certeza? - disse Tom, um pouco confuso com o pedido da loira.
-Por favor, eu não quero ficar sozinha! - respondeu Elle assentindo.
Tom então levantou o cobertor e deitou ao lado da loira, que logo se aconchegou em seu peito.
Naquele momento, era como se nada entre eles tivesse acontecido. Como se eles fossem apenas um casal de férias e não fugindo de um psicopata que os queria mortos. Com o conforto que Tom estava sentindo, não demorou muito para ele voltar a pegar no sono, dessa vez, com a mulher que ele amava nos braços.

•••

A luz do sol que conseguia atravessar as árvores e entrar no quarto e o leve cheiro de bacon acordaram Elle, que depois de esfregar os olhos, lembrou dos acontecimentos da noite passada. A loira então decidiu ficar na cama, tentando procastinar ao máximo, para não precisar ter uma conversa com Tom. Mas, quando seu estômago roncou, ela sabia que estava mesmo na hora de saír da cama. Então, depois de vestir uma calça e um moletom e ir ao banheiro, Elle se juntou á Tom, na cozinha.
-Bom dia! - disse ela, chamando a atenção do garoto, que batia alguns ovos em uma pequena tigela.
-Bom dia! Tudo bem? - perguntou ele sorrindo.
-Sim, só... com fome. - respondeu a loira.
-Bom, pode sentar, já estou quase terminando. - disse Tom jogando os ovos na frigideira, no que parecia ser um omelete.
-Então, você cozinha agora? - pediu Elle, sem conter a curiosidade.
-Eu não chamaria omelete e bacon de cozinhar mas, é... aprendi algumas coisas. - disse ele mexendo os ovos na frigideira.
Depois de servir dois pratos e duas canecas se café, Tom se juntou á Elle na mesa e eles tomaram café da manhã em silêncio. É claro que isso não durou muito, afinal, Tom estava morrendo de curiosidade para perguntar o que havia acontecido na noite anterior.
-Então, quer falar sobre aquilo? - pediu ele assim que a loira deu o último gole do seu café.
-Na verdade, não! - respondeu Elle, mas depois de ver a expressão de Tom, decidiu continuar. -Eu tenho pesadelos, eles começaram... - disse Elle engolindo em seco. -Depois da morte do meu pai. E pioram quando eu durmo sozinha, Tanya costuma dormir comigo quando acontece e tenho feito terapia pra ajudar. - explicou a loira, com a cabeça baixa.
-Você não precisa falar se não quiser, Elle! - afirmou Tom.
-Tudo bem, eu... meio que devia uma explicação. - disse Elle. -E um agradecimento, por ter me ajudado. Você não precisava ter feito aquilo, mas... obrigada! - disse a loira olhando para Tom, que assentiu.
-Claro! Sem problemas! - afirmou o moreno.
Depois de uma troca de olhares constrangedora, Elle coçou a garganta, antes de oferecer Tom ajuda com a louça. Ele aceitou e, depois de tirar os pratos e xícaras da mesa, Elle lavou a louça, enquanto Tom secava.
Quando terminaram, Elle decidiu voltar ao quarto, enquanto Tom fazia algumas ligações. Quando a hora do almoço se aproximou, Tom deu algumas batidas na porta do quarto de Elle, até ela falar um leve "Pode entrar!".
-Hey, eu estava pensando... você, talvez... queira fazer o almoço? Eu posso fazer mas... há não ser que queira comer omelete de novo... - disse ele se enrrolando com as palavras.
-Tudo bem, Tom! Eu faço alguma coisa, mas você me ajuda. - disse a loira fechando seu livro e levantando da cama.
-Combinado! - disse Tom assentindo.

•••

Já na cozinha, Elle cortava os vegetais para o acompanhamento, enquanto Tom estava responsável pela carne.
-Então... como está sua vida? Digo, você termimou a faculdade? - pediu ele, não contendo a curiosidade.
-Sim, usei grande parte do dinheiro da venda da casa pra quitar o que ainda restava e terminei o curso. - explicou a loira, colocando os vegetais já cortados na panela.
-Legal! Mas você não está trabalhando com isso? - pediu ele vendo a expressão dela mudar. -Desculpa, não precisa responder. - afirmou ele.
-Eu... eu terminei a faculdade e iria começar as rotações mas... não funcionou. - disse Elle suspirando e criando coragem para continuar falando. -Eu... eu perdi meus pais num hospital então, cada vez que eu entrava... eu não sei, era como se as memórias voltassem com tudo e eu... congelava. Eu não conseguia dar nem mais um passo e tudo que eu queria era sair daquele lugar o mais rápido possível. A terapeuta diz que são sintomas de EPT e me receitou alguns remédios mas, enquanto eu não melhorar, não posso continuar com as rotações. - desabafou a garota.
Tom sabia que, desde que Elle havia entrado na sua vida, ele havia lhe causado muitos danos mas, ouvir as palavras da loira e saber que, grande parte dos problemas foram causados por ele, só fez a tremenda culpa que ele sentia no peito aumentar.
-Elle, eu... eu nem sei o que dizer. Só que sinto muito! - disse ele olhando nos olhos dela.
-Tudo bem, Tom! Não é como se todos os problemas da minha vida fossem culpa sua. - disse Elle desviando o olhar.
-Mas a maioria, sim! - disse Tom se sentindo culpado.
Elle sentiu os olhos do garoto nela e então decidiu mudar de assunto.
-Mas e você? Como estão as coisas? Oh, como está Angela? - pediu a loira, que agora temperava o frango que Tom havia cortado.
-Ela está bem, na verdade, ela ainda pergunta muito sobre você. - disse Tom e Elle sorriu. -Harry e Sam agora têm namoradas e Haz está noivo. - concluiu ele, a deixando surpresa.
-Sério? Isso é incrível, fico feliz por ele. - afirmou ela.
-É... ele está muito feliz! - concluiu ele.
-E você? Alguém especial? - perguntou Elle enquanto mexia os pedaços de frango á sua frente, tentando não mostrar o quão nervosa ela estava para ouvir a resposta.
-Eu? Não, ando muito ocupado pra isso. - disse ele balançando a cabeça e Elle suspirou assim que as palavras saíram de sua boca.
-Ok! Aqui está quase pronto, pode colocar a mesa, se quiser. - disse a loira e Tom assentiu.
Depois de um almoço praticamente em silêncio, eles novamente ajudaram um ao outro com a louça, antes de voltarem para os quartos, onde passaram o resto do dia. Para o jantar, Elle apenas esquentou o que havia sobrado do almoço.

•••

Elle havia apenas saído do banho e vestido seu pijama, quando ouviu algumas batidas na porta e ao abrir, encontrou Tom, usando apenas uma calça de moletom e uma camisa velha.
-Hey, então... eu estava pensando, se você quiser, claro, eu... poderia dormir aqui, caso tenha pesadelos outra vez. - disse ele se enrolando as palavras.
-Oh, eu... - Elle tentou formular uma frase, mas seus pensamentos estavam acelerados, tentando entender se Tom havia mesmo oferecido isso.
-Não precisamos dividir a cama, eu tenho quase certeza que minha mãe tem um colchão extra em alguma dessas portas. - explicou o garoto, parecendo nervoso.
-Oh, é... tudo bem então! - assentiu a loira e Tom imediatamente abriu um sorriso, mas foi rápido em se conter.
-Ok, bom! Eu... vou procurar um colchão e pegar alguns travesseiros. Eu não demoro! - disse ele antes de desaparecer pelos corredores.
Quando ele retornou ao quarto, Elle já estava sentada na cama, com um livro em mãos. Depois de se acomodar, não demorou muito para ela desligar as luzes do abajur e o silêncio tomar conta do quarto.
-Boa noite, Elle! - disse Tom sentindo as pálpebras pesadas.
-Boa noite! - respondeu a loira, antes de pegar no sono.

suspicious | tom hollandOnde histórias criam vida. Descubra agora