Chapter IV

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Tom balançava ansiosamente uma de suas pernas enquanto esperava, ele não conseguia mais conter o nervosismo, desde o dia em que Elle ligou e marcou para eles se encontrarem no pequeno café, onde ele estava agora. A cada nova pessoa que passava pela porta, ele sentia seu coração acelerar, mas voltar ao normal ao perceber que não eram elas. Não que isso não fosse total culpa sua, afinal ele havia chegado meia hora antes do combinado, para ter certeza de que não se atrasaria. Finalmente, depois de muita espera e uma xícara da café, elas chegaram e Tom foi rápido em se levantar para cumprimentá-las.
-Oi! - disse ele sem saber o que fazer direito.
-Oi! Desculpa a demora, tivemos um pequeno acidente antes de sair. - se desculpou Elle, olhando para a filha, que tentava se esconder atrás dela.
-Tudo bem, eu... acabei de chegar! - mentiu ele.
-Que bom! - sorriu Elle.
-Olá Rose, lembra de mim? - disse Tom se abaixando para ficar na altura da pequena.
-Sim, você é amigo da mamãe! - respondeu Rose.
Tom apenas trocou um olhar com Elle e já foi o suficiente pra ele entender que ela ainda não havia contado para a filha.
-É, isso! Meu... meu nome é Tom! - disse ele coçando a garganta e se levantando.
Depois de alguns segundos de silêncio, Elle se abaixou para falar com a filha.
-Ro, lembra o que a mamãe disse que devemos fazer ao conhecer alguém? - questionou a loira.
-Olá Tom! - disse a garotinha sem graça.
-Tudo bem, Rose! Podemos sentar? - disse Tom recebendo um aceno de Elle, que ajudou a filha a subir no banco.
Assim que sentaram, uma das funcionárias veio os atender e eles fizeram seus pedidos. Tom pediu mais um latte, Rose quis um chocolate quente e Elle escolheu café preto.
-Você bebe café preto, agora? Sempre achou ele forte demais. - disse Tom com um sorriso no rosto.
-Bom, quando se tem uma filha de quatro anos, você precisa disso pra sobreviver. - respondeu Elle, surpresa que o garoto ainda lembrava.
Enquanto os adultos conversavam, Rose não tirava os olhos de uma embalagem ao lado de Tom.
-Oh, eu... comprei isso pra você. Vi que estava pintando quando fui na sua casa, então... - disse ele entregando o presente para Rose, que agradeceu e começou a rasgar o pacote imediatamente.
-Não precisava, Tom! - disse Elle, mas o moreno deu de ombros.
-Não se preocupe, Elle! Fico feliz que ela tenha gostado. - afirmou Tom, sorrindo com a animação da pequena, que já escolhia um dos muitos desenhos para pintar.
Alguns minutos depois, a atendente voltou com os pedidos, os colocando na mesa, antes de se retirar novamente.
-Então... como vai... a vida?! - Tom indagou sem saber bem como começar uma conversa.
-Oh, a nossa? Boa! Quer dizer, eu tenho um trabalho e Rose adora a escola, então... é, boa! - afirmou Elle.
-Legal! Você está trabalhando no hospital? - Tom questionou.
-Não, eu... trabalho num restaurante. - respondeu a loira, claramente sem graça.
-Mamãe odeia hospitais! Tia Tanya que me levou quando fiquei doente. - disse Rose sem tirar os olhos de sua pintura.
-É... a mamãe ainda odeia hospitais! - explicou Elle com um sorriso murcho.
-Não precisamos mais falar disso. - disse Tom ao sentir o desconforto de Elle. -Você e Tanya ainda são amigas? - ele questionou mudando de assunto.
-Sim, Tanya esteve comigo todos os momentos, desde a gravidez até o nascimento de Rose. Eu não sei o que faria sem ela. - disse a loira depois de tomar um gole de seu café.
-Bom, quer dizer... bom saber que teve alguém do seu lado. - disse Tom, mesmo sabendo que ele deveria ter estado ao lado dela. -Enfim, é... como ela está? - questionou.
-Bem, ela está morando com Josh. Rose adora ficar na casa deles, não é Ro? - pediu Elle para a filha.
-Sim! Eu adoro brincar com o Bethoven! - disse a pequena animada.
-Quem é Bethoven? - pediu Tom.
-Oh, ele é o cachorro do Josh. - explicou Elleanor.
-Oh, legal! - respondeu ele.
-Como está Tessa? - pediu a loira, ao lembrar do cão que muitas vezes havia sido sua companhia na casa.
-Bem, ela está envelhecendo mas continua com muita energia. - respondeu ele com um sorriso no rosto ao falar do animal.
-Quem é Tessa, mamãe? - sussurrou Rose.
-É a cachorrinha do Tom, filha! - explicou Elle.
-Você tem um cachorro? - questionou a pequena.
-Sim, eu tenho uma staff cinza, que tenho certeza que adoraria te conhecer. - disse Tom chamando a atenção de Rose, que largou o que estava fazendo.
-Mamãe, posso conhecer a Tessa? - perguntou a garotinha extremamente animada.
-Oh, é... vamos ver, filha! - disse Elle tentando acalmar a pequena, que já havia começado a desenhar o que parecia ser um cachorro cinza em uma folha de papel. -Acho que já falamos de mim o suficiente, como está a sua vida? - Elle rebateu a pergunta para Tom, que sorriu antes de responder.
-Minha vida está... boa, na verdade! Mas não tenho dúvida alguma de que poderia melhorar. - disse o homem a encarando.
-Como está Harrison? - pediu a loira coçando a garganta.
-Oh, ele está ótimo! Casado e mais feliz do que nunca! - respondeu Tom pondo um sorriso no rosto de Elle.
-Casado? Caramba! - disse ela surpresa.
-Quem diria, não é? A cerimônia foi pequena, apenas familiares e amigos. Ele queria te convidar mas, não sabíamos como entrar em contato. - explicou Tom.
-Você foi o padrinho? - perguntou a loira sorrindo.
-É, com direito a discurso e tudo. - ele respondeu rindo, assim como ela.
Tom achava muitas coisas na vida lindas, o pôr do sol no mar, a Torre Eiffel iluminada á noite e até a ponte mais famosa de Londres tinha seu charme. Mesmo assim, com Elle á sua frente sorrindo, ele não conseguia pensar em nada mais lindo.
-E como está Angela? Sinto falta dela! - a loira decidiu ignorar o olhar de Tom e continuar suas perguntas.
-Ela está bem! Mas continua trabalhando mais do que deveria. - respondeu ele sorrindo. -E tenho certeza que ela também sente a sua! - finalizou.
Algumas horas, xícaras de café e muitas perguntas depois, Elle ficou sabendo que Sam e Harry estavam bem e felizes, Paddy estava estudando para ser advogado e trabalhar com o pai, algo que Tom não concordava mas, como o garoto já era maior de idade, não havia nada que ele pudesse fazer. A casa estava mais cheia do que nunca com as namoradas dos gêmeos e a mulher de Harrison vivendo lá. Os pais do garoto haviam comemorado os 30 anos de casados com uma festa que praticamente parou a cidade de Londres, realizada em um castelo e com direito á viagens como presentes de agradecimento pela presença.
-Mamãe, eu quero brincar! - Rose sussurrou, interrompendo a conversa dos adultos.
-Mas estamos em um café, Ro. Não tem muito o que fazer aqui, amor! - Elle tentou explicar a situação para a pequena, mas ela não estava aceitando.
-Quero brincar! - repetiu a garotinha.
-O que acha de irmos ao parque? Fica logo aqui ao lado e eu já estava mesmo cansado de ficar aqui sentado, não é Rose? - disse Tom piscando em direção á pequena, que concordou.
-Sim, parque! - exclamou ela.
-Tudo bem, então! Vamos ao parque, mas antes temos que guardar o presente que Tom lhe deu, pra podermos levar pra casa depois, tudo bem? - disse Elle, vendo Rose rapidamente juntar os lápis de colorir que ela havia espalhado.
Depois de pagar pelos pedidos, eles iam em direção á saída, quando Tom sentiu seu casaco ser levemente puxado. Olhando para baixo, o moreno viu Rose lhe entregando um pedaço de papel.
-O que é isso? - pediu ele pegando-o em sua mão.
-É você e a Tessa! Eu fiz pra você! - explicou Rose enquanto Tom abria a folha, revelando um desenho de uma pessoa e um cachorro cinza.
Elle ficou tão surpresa quanto ele, geralmente a filha não se apegava ás pessoas tão cedo, precisando de pelo menos dois ou três encontros, para que ela se soltasse completamente. Mas, ali em sua frente, a pequena provava o contrário, entregando um presente á Tom, mesmo o conhecendo há apenas algumas horas.
-Oh, isso... isso é incrível! Eu amei, muito obrigada Rose! - Tom finalmente saiu do transe e encontrou palavras para á pequena garotinha á sua frente, que sorria de orelha á orelha, feliz que ele havia gostado de seu presente.

Depois dos acontecimentos no café, Tom, Elle e Rose caminharam alguns minutos e finalmente chegaram ao parque, onde eles se encontravam nesse exato momento. Os adultos sentaram no chão, perto de uma árvore, enquanto observavam a pequena Rose brincar e interagir com outras crianças.
-Ela é uma criança incrível, Elle! - disse Tom assim que eles se acomodaram.
-Não é? Eu a amo tanto, acho que nunca senti tanto amor por uma pessoa. - disse a loira sorrindo observando a pequena.
-Eu já! - Tom foi rápido em responder, deixando Elle envergonhada.
Aos olhos de Tom, o resto do dia passou rápido demais, depois de brincsr no parque e tomar sorvete, Rose finalmente se cansou e acabou dormindo no banco de trás do carro de Tom, que insistiu em levá-las pra casa.
-Pode colocar ela na cama! - disse Elle apontando as coordenadas para o quarto de Rose, que dormia tranquilamente nos braços de Tom.
Depois de colocar a pequena na cama, ele foi acompanhado por Elle até a porta.
-Então... hoje foi incrível! - disse ele animado.
-É, fazia tempos que ela não se divertia tanto ao ponto de apagar desse jeito. - Elle sorriu.
-Podemos marcar mais um encontro? Talvez você possa levá-la pra conhecer a Tessa. - questionou ele.
-Tom, olha hoje foi... bom, mas... eu não posso fazer isso! - disse a loira.
-O que? Fazer o que? - exclamou Tom confuso.
-Colocar a Rose em risco, eu não posso! - respondeu a loira.
-Rose não vai estar em perigo, Elle! Ela vai estar conhecendo o pai dela! - Tom praticamente gritou.
-Não! Eu lembro muito bem o que aconteceu comigo quando me aproximei de você, Tom! Eu não vou fazer isso com ela! - Elle já tinha lágrimas nos olhos.
-Ela também é minha filha, Elleanor! Eu tenho direito de conhecê-la! - disse o moreno frustrado.
-Não! Eu não posso fazer isso! Por favor, vá embora Tom! - disse a loira fechando a porta.
-Elleanor, por favor! Não faça isso! - Tom tentou mas já era tarde, Elle havia fechado completamente a porta.
Por alguns minutos, ele bateu com os pulsos na porta e chamou por seu nome, implorando para que ela abrisse a porta, mas depois de um tempo, ele desistiu e foi embora, tendo a certeza de que não havia acabado. Ele iria lutar por Rose com todas as suas forças e ninguém iria impedi-lo.
Do outro lado, Elle sentava no chão da sala, escorada na porta, chorando incontrolavelmente, se sentindo mal por ter afastado o pai de sua filha, mas no fundo sabendo que, mesmo dolorosa, ela havia feito a escolha certa.

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N/A: O que estão achando da história até aqui? Eu amo ouvir a opinião de vocês! Me contem o que gostariam que acontecesse e quem sabe, talvez seu pedido se realize! ;)))

suspicious | tom hollandOnde histórias criam vida. Descubra agora