Capítulo Vinte e Três

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“E eu sempre me lembrarei do fogo que acendeu quando bati meu olho no teu.
— @invernoemsaturno”

— @invernoemsaturno”

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Suiane

— Você não deveria ser tão dura consigo mesmo. - eu termino de dobrar a minha calça em silêncio — Sabia que responder as pessoas é muito educado?

— Eu não tenho nada a dizer, Lissa. - eu pego outra peça de roupa e dobro

Estamos arrumando o quarto, e eu organizando minhas coisas já que sou uma bagunceira, minha prima está sentada na cama separando algumas roupas pra doar e me enchendo o saco, obviamente.

— Su... - eu respiro fundo e a olho — Fala comigo.

— Eu não tenho nada pra falar, Lissa. - volto meus olhos para a peça de roupa nas minhas mãos — Você que parece ter tirado o dia pra fazer a maritaca. - eu ouço ela bufar e isso me faz sorrir

— Você é uma chata! - eu sou atingida por um travesseiro e quase caio pelo peso do mesmo

— Caramba, Melissa! - ela ri e eu me abaixo pra pegar o travesseiro do chão

Ao contrário dela, eu deixo o travesseiro sobre a cama e volto a dobrar minhas coisas. Ouço o resmungo da Melissa mas não falo nada, tem sido assim nos últimos dias. A questão é que eu não tenho o que falar. Eu tenho um monte de merda acontecendo na minha vida agora, mas nada do que está acontecendo é uma novidade pra minha prima. Talvez só a questão do idiota do Félix.

Deixa eu explicar o que é a questão do idiota do Félix. Eu meio que não paro de pensar nele. Sim, sou esse tipo de idiota. Mas tenho minhas razões, deixa eu me defender. 

Tudo começou a meses atrás quando a peste me aparece no meio da balada e flerta comigo, até aí tudo bem, deu ruim quando o idiota me pergunta quando eu cobro a hora. Foi a partir desse ponto que minha vida desandou. Eu comecei a me questionar se meu jeito faz com que as pessoas pensem assim de mim. Quando eu perguntei isso a minha mãe, contando o motivo dos meus questionamentos, meu pai ouviu e logo o que ja era ruim, piorou.

Faz quase três meses que isso tudo aconteceu mas parecem anos. Tenho a mania de ser intensa demais e quando vejo já tô me doando e me ferrando com coisas que nem deveriam estar passando pela minha cabeça.

Fui acolhida pelo meu tio e minha prima, isso todo mundo sabe, mas ninguém sabe que o destino é filho de uma arrombada e gosta de pregar peças em mim. O namorado tão sonhado - literalmente aqui - da minha prima é primo do mesmo idiota de outrora. Ruim, né? Fica pior quando sou meio que obrigada a suportar o convívio com ele porque não tenho escolha. Não quando já pedi demais da minha família.

Conviver com ele tem mexido comigo, confesso. Eu fico vendo o idiota quase todas as noites, lindo, com uma pose de galã e eu toda ferida e jogada no canto. A peste não deveria ser como ele é, mas ele é! Fui até adicionada num grupo feito pela minha prima onde a peste está. Só tem eu e a Lissa de menina, o resto é homem. Gabriel, Miguel, Edson e a peste do Félix.

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