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Yuri não foi uma página complicada de virar.
Vocês precisavam ver a mudança no tratamento dele com relação à minha pessoa. Sugeriu a mim, que pediria desculpas ao meu pai pelas coisas que falou sobre os pões de obra, mesmo que eu nem tenha contado ao papi Roberto essas coisas irrelevantes no momento em que largou mais uma vez do vício. Orei muito para que ele não decaísse outra vez.
Por sorte, minha sobrinha no aniversário, pediu para o vovô não beber mais cachaça. Bem instruída claro. Uma semana de vitória graças a Deus, com ele se alimentando novamente e trabalhando com o mesmo empreiteiro que sempre o manteve empregado por vários motivos, além de amizade antiga.
No meio de motivos como família, trabalho, amigos e a diversão com essa turma, foi mais fácil ser firme com o rapaz insistente. Incrível, quanto mais eu dizia não, quanto mais seco e ruim eu era, mais ele mandava mensagem e aparentava mudança.
— Yuri, sério, não precisa mais pedir desculpas. Eu disse que perdoei, também fui grosso contigo, mas não força a barra. — já tivemos essa mesma conversa uma quatro vezes ao telefone em duas semanas e tava complicado dele entender. Se eu estivesse carente já teria voltado atrás, mas não era o caso.
Era meu momento de aguentar o Gui que passava por um momento desses de paixão, onde a pessoa não percebe o quanto fica repetitiva, chata, cheia das cafonices e só quer alguém para escutá-la. Tava conversando com ele, num domingo de manhã na garagem da casa simples de madeira onde cresceu no bairro vizinho. Lá no sofá velho, sentei e ele deitou a cabeça no meu colo, ali contou a mesmíssima coisa que falou por telefone na noite anterior.
— Nossa, Rê, o Cidinho é grandalhão, nem combina com o apelido... fofo demais. Ele é meio "pá", cheguei! Não dá pra não se apaixonar por aquele jeito metido. — Ele falou quase duas horas, o que me deu sono. E eu só dizia:
— Estas todo apaixonado, tolo. Tão difícil te ver num lance mais intenso com alguém.
— Acho que sim. A gente percebe quando é feito pra durar.
— Vi durar sim. O Cido é um amor. Gui, cadê dona Célia?
— Hoje tem churrasquinho na Luterana, ela vai ajudar na maionese e só vem final de tarde. Vamos buscar um churrasco pra nós dois?
— Espera. Vou mandar mensagem pro Fih, peço pra ele passar na Festa da Igreja e trazer pra nós. O que precisa?
— Tenho cartão de churrasco. Dá pra pegar maionese, pão, salada de tomate e chuleta assada. Mas chama o Fih e o Matheus. Manda trazer leite moça e um negócio pra bater com vodca.
Pronto. Resolvido. Assim era para confirmar um almoço entre amigos. E desde que ficasse tudo limpo, a mãe do Gui nunca se importou com nossas reuniões. Pelo contrário, amava os amigos do seu filho.
Que mulher, dona Célia! Fez bolinho de banana com café preto para nós quando retornou da igreja trazendo umas sobras de carne assada e maionese, dividiu em três partes, ficando com um pouco e saindo pra levar parte para duas vizinhas.
— Nego, vou tomar um mate de leite com a Ivanilda.
— Tá, mãe. Se cuida. — Gui é o único dos três filhos que ainda mora em casa, por isso o xodó da sua mãe.
Esperamos ela sumir das nossas vistas para o Matheus seguir contando sobre o seu atual parceiro fixo, sem poupar detalhes. Porque amamos os detalhes, né
— Aham... O Patrick é parrudão, me cata muito fácil. E sou chato sim amo pau grande, grosso mesmo, não vem falando que quinze centímetros satisfaz, porque pra mim não dá. Ele arromba forte. Esse homem passou vontade de foder com o ex, eu acho, porque não tem lugar pra foder.
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Sol e Marte
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