***
Quando estamos felizes, sempre aparece alguma coisa que nos faz colocar os pés no chão outra vez. Dessa vez foi a situação da Ray com seu noivo, também da igreja, que pediu um tempo porque alguém colocou na sua cabeça que ele é jovem demais pra casar e isso o levou a reflexão. Um namoro de quatro anos de repente ficou pendurado por um fio frágil que não aguentou o peso.
Como opinar?
Realmente ambos foram primeiros namorados um do outro, primeiro beijo e primeiro sexo, começaram namorar entre 17/18 anos e pode ter acontecido de esfriar de um dos lados. Minha família o amava e por isso ninguém conseguia falar mal do rapaz, tendo que engolir seco as expectativas e tudo o que jogaram na cara da mais velha que simplesmente se amasiou com uma pessoa pela qual eles nunca simpatizaram. Falo isso porque o pai e a mãe até hoje colocam defeitos no Milton. Isso acontece quando às vezes as opiniões divergem e foi o que aconteceu. Renata já o teria colocado pra correr se fosse mesmo o folgado que eles afirmam que é.
Renata veio consolar minha irmã, Milton estava na sala com meu pai e eu nem pude compartilhar minha felicidade com elas naquele momento. Estava com um baita sorriso ouvindo umas musiquinhas no fone e a Rê me cutucando.
— Felicidade é só até a primeira briga. — ela destila meio aborrecida.
— Quer chupar um pirulito? Adoça essas palavras mulher. — retruco — Já passou por isso de ficar vomitando arco-íris, então calada.
— Conta como foi, Renan. — Ray toma água, se vira pra me mostrar suas olheiras de tanto chorar e força um sorriso. É aquela maninha que a gente sente vontade de abraçar, beijar e chorar junto. Isso sempre me deixa na dúvida... quando a pessoa tá assim, nós abraçamos ou ignoramos para que ela não chore mais?
Ai eu achei melhor abraçar a menina, elogiar, dar carinho e colocar umas esperanças nas suas ideias, só que sua choradeira acabou comigo. Fiquei sentido quando se abriu e contou que o Robson foi "aconselhado" por seus pais a dar um tempo com ela e antes que eu xingasse o casal, escutei o resto da conversa:
— Eles acham que vinte e um anos é muito jovem pra casar e como eu tomei a frente pra noivar e organizar as coisas pro casamento daqui dois anos, todo mundo começou a se meter. A mãe já me proibiu até de receber ele em casa.
— Ai... Mas não tinha necessidade de terminar contigo. Os pais dele poderiam ter conversado com vocês dois e aconselhado então...
— Acho que não... eles nunca aceitaram bem umas "coisas" da nossa família. A mãe do Robson disse que não tem ambiente aqui em casa para um neto dela. Deve ser porque o pai bebe...
— E o mano é viado — eu falo rindo — Que retrocesso ouvir isso. Nosso pai bebe, mas não faz mal a ninguém além dele mesmo. Hoje tá recuperado e vai sempre lutar contra esse vício maldito. Eu, tu já sabe, não vou mudar. Que feio eles nos julgarem e se meterem num relacionamento. E o Robson não tem opinião própria? Quando isso acontece é pra conhecer as pessoas.
— Eu gosto dele.
— Nem vai deixar de gostar tão cedo, mana. Não é fácil. Só com tempo...
Senhor! É tudo a mesma coisa, só muda de endereço.
Vamos voltar ao trabalho, euzinho mesmo estava muito menor do que quando saí que precisei comprar calças com numeração menor. Meu cabelo continua fino, as entradas continuam acentuadas, minha cara continua charmosa e minha barba está perfeitamente ajeitada, coisa lindona!
VOCÊ ESTÁ LENDO
Sol e Marte
RomanceFinalizado! Romance LGBT. Se você estiver lendo esta história em qualquer outra plataforma que não seja o Wattpad, provavelmente está correndo o risco de sofrer um ataque virtual (malware e vírus). Se você deseja ler esta história em seu formulário...
